Arquitetura orientada a serviços: um caminho promissor.


{mosimage}Para atender a necessidades das empresas de telecom como redução de custos e oferta de novos serviços, Gilberto Magalhães, gerente de desenvolvimento de novos negócios da Sterling Commerce diz que muitas respostas podem ser encontradas nas soluções baseadas em arquitetura orientada a serviços (SOA), um caminho também promissor para diferenciação e integração da cadeia.

O avanço tecnológico tem trazido uma série de desafios para o setor de telecomunicações. A competitividade veio com a desregulamentação, e foi acirrada pela criação de novos concorrentes nascidos da convergência tecnológica. As empresas puderam vender novos produtos e serviços e isso contribuiu para que todos ficassem familiarizados com uma série de termos técnicos até então compreendidos apenas pelos especialistas, como VPNs, wireless, banda larga, velocidades em kbps, bluetooth, GSM, CDMA, entre muitos outros. O potencial de vendas e de evolução do telefone celular não tem equivalência a nenhuma outra parafernália tecnológica. Os consumidores gozam do poder de escolha, sendo constantemente assediados por pacotes que oferecem melhores preços e serviços. Tudo isso em um pouco mais de uma década…

Nesse cenário, o sucesso das empresas de serviços de telefonia depende da garantia de rentabilidade através da diferenciação da oferta, dos acertos na escolha de complexos modelos de geração/arrecadação de receita e na redução dos custos operacionais. Isto pressupõe fundamentalmente esforços na adequação da infra-estrutura tecnológica e no ganho de eficiência na cadeia das empresas participantes da prestação dos serviços, que se tornou tão ou mais complexa que a do varejo, considerando as interações entre concessionárias, fabricantes de equipamentos e provedores de serviços terceirizados.

Sistemas legados

Parece que a única herança do mercado existente na época em que as empresas do setor eram denominadas de PTTs – Public Telephone & Telegraph, outrora estatizado ou monopolizado, são os sistemas legados que precisam rapidamente ser adequados para suprir as necessidades de negócios. A adoção de inovadoras soluções pautadas em arquitetura orientada a serviços – SOA – mostra que esse é o caminho promissor para diferenciação, redução de custos e integração da cadeia.

Com SOA, a integração e o desenvolvimento de novas aplicações são facilitados pelo acesso a funcionalidades de soluções já existentes, por meio de componentes ou serviços. A integração de sistemas ocorre via interfaces não intrusivas, fazendo uso de linguagem XML e diferentes protocolos de transporte. Os serviços são reutilizáveis e, portanto, devem ser implementados de forma que novas aplicações possam aproveitá-los, reduzindo tempo, esforço e recursos nas futuras necessidades. Dessa forma, os investimentos do legado são preservados e se cria uma alternativa atraente para sua evolução.

À base de componentes

Os componentes SOA são reunidos e organizados em processos através de tecnologia BPM (Business Process Management), o que também facilita o desenvolvimento em TI (tecnologia da informação). Por meio de ferramentas gráficas, esses componentes são unidos para interagirem com os sistemas, bases de dados e pessoas participantes do processo, garantindo o fluxo e processamento da informação, tal qual requerido pelas atividades de negócios associadas ao processo em questão. Os processos modelados também são reaproveitados e, na medida em que são criados, a empresa tem à sua disposição um repositório de processos que poderão ser facilmente adaptados à dinâmica dos negócios.

Os benefícios do uso de SOA/BPM não se restringem apenas à etapa de desenvolvimento, mas também se estendem à gestão da execução e ao suporte e evolução dos processos. Uma infra-estrutura SOA é dotada de alta disponibilidade, escalabilidade e tolerância a falhas, características imprescindíveis nos sistemas de informação que suportam o rápido crescimento do mercado de telecomunicações. A visibilidade da execução dos processos e de seus componentes permite monitorar o seu desempenho operacional.

Quando os processos-alvo estão relacionados às solicitações dos clientes e às conseqüentes atividades geradas por esses pedidos, informações podem ser captadas e comparadas aos indicadores de prestação de serviços exigidos pela Anatel.

Evitar perdas

Na integração das empresas da cadeia, sejam terceiros ou concessionárias, como nas chamadas interurbanas ou de longa distância, SOA/BPM é capaz de implementar aplicações que contêm os processos entre empresas. É assim que, por exemplo, as perdas de receitas de co-billing poderão ser evitadas.

Não podemos cair na velha armadilha do deslumbre pela tecnologia. SOA nos traz muitas promessas, porém o sucesso de sua adoção depende da realização de mudanças organizacionais que passam por completo entendimento da solução pelas áreas de TI, em particular a de arquitetura; busca por parceiros de solução e de integração e montagem de equipes que consigam entregar os projetos de acordo com a expectativa; envolvimento dos usuários internos para identificar as demandas de negócios; planejamento e organização dos recursos necessários, tanto tangíveis quanto intangíveis e, sobretudo, muita criatividade e empenho para sobreviver e se destacar em um mercado ao mesmo tempo promissor, mutante e arriscado.

 


*Gilberto Magalhães é Gerente de Desenvolvimento de Novos Negócios da Sterling Commerce para América Latina

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