Argentina deve adotar padrão de TV digital igual ao brasileiro


A Argentina deve decidir em 10 dias pela adoção do padrão japonês de TV Digital, junto com as ferramentas desenvolvidas no Brasil, principalmente de interatividade. Hoje, a presidente argentina, Cristina Kirchner, assinou uma declaração conjunta, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto, sobre o interesse em adotar o padrão já …

A Argentina deve decidir em 10 dias pela adoção do padrão japonês de TV Digital, junto com as ferramentas desenvolvidas no Brasil, principalmente de interatividade. Hoje, a presidente argentina, Cristina Kirchner, assinou uma declaração conjunta, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto, sobre o interesse em adotar o padrão já escolhido pelo governo brasileiro.

Para o ministro das Comunicações, Hélio Costa, se a Argentina confirmar a escolha pelo padrão japonês (ISDB), será um passo "importantíssimo" para as comunicações na América do Sul. "Além dos ganhos de escalas de todos os produtos desenvolvidos para a TV digital, haverá uma latinização do sistema, já que há entendimentos bem avançados com o Chile, Peru, Paraguai, Bolívia e  Venezuela para adoção do mesmo padrão", defende.

Costa disse que foi criado um grupo de trabalho imediatamente para, no prazo de dez dias, apresentar os termos de cooperação Brasil/Argentina. A conclusão do trabalho coincidirá com a vinda do vice-ministro japonês de assuntos internos e comunicações, Akira Terasaki, o mesmo que negociou com o Brasil a adoção do padrão de TV digital.

"Tudo o que nós negociamos com o Japão, queremos ajudar a Argentina a obter o mesmo, sobretudo em termos de investimentos", disse Costa, que prevê, inclusive,  financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para a implantação do padrão japonês na Argentina. Além disso, o ministro convidou a Argentina a participar do Fórum Brasileiro da TV Digital e, junto com o Brasil, a participar do Fórum japonês.

Na América Latina, apenas dois países – Uruguai e Colômbia – decidiram pelo padrão europeu, mas até agora não implementaram nada. No governo Menen, a Argentina chegou a decidir, por decreto, pelo padrão americano do TV digital, mas que não foi ratificado e, por isso, não foi implantado.

Críticas

Segundo Costa, os países que optaram pelos modelos europeu (DVB-T) ou americano (ATSC) estão assumindo também um legado, que será bancado pelos usuários. Isso porque os dois sistemas usam o MPEG2, que está em vias de ser substituído pelo MPEG4 (padrão de compressão de áudio e vídeo) . "Ou seja, é um sistema que, mais para frente, terá que mudar", disse.

-Isso é uma grande vitória da tecnologia latino-americana, porque pegamos um sistema que estava muito bem implantado e conseguimos aprimorar, modernizar, tornar mais ágil, mais poderoso, mais capaz e os japoneses estão satisfeito com a nossa participação", disse Costa.

O processo de implantação da TV digital no Brasil envolveu muitos estudos. Em 2003, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou o Decreto n.º 4.901, que criou o Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre, ou SBTVD, e o Comitê de Desenvolvimento, responsável pela sua implementação. Após o término da primeira fase de estudos em 2006, o presidente Lula assinou o decreto de n.º 5.820 que criou Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre, responsável por padronizar e harmonizar as tecnologias nacionais, desenvolvidas pelas universidades e centros de pesquisas brasileiros, com a tecnologia da ARIB (Association of Radio Industries and Businesses) do Japão e outras.

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