Aprofundar P&D é a proposta da Ericsson à preferência à tecnologia nacional


 

A Anatel promete para o início do próximo ano o lançamento das consultas públicas das faixas de 450 MHz e de 2,5 GHz. E não são apenas os operadores que questionam este leilão, mas os fabricantes de equipamentos também estão preocupados. Entre eles, a Ericsson, tradicional fornecedora de equipamentos para as redes fixas e móveis de todo o mundo, e também no Brasil, está preocupada com as regras que virão. A empresa teme que os futuros editais repitam a proposta do leilão de venda da faixa de 3,5 GHz lançada este ano, quando a Anatel sugeriu que 30% dos equipamentos adquiridos pelas operadoras que comprassem as frequências deveriam ter tecnologia nacional. “Quem tem 30% de reserva, na verdade está ganhando 50% do mercado, porque a tendência de todas as operadoras é ter apenas dois fornecedores em cada parte essencial da rede”, afirmou Ricardo Tavares, diretor institucional da Ericsson.

 

A Ericsson fica mesmo em uma situação muito delicada, se prevalecer a tese da preferência para tecnologia nacional. Ela desenvolve tecnologia no país, mas a integra aos seus produtos globais, e por isto não consegue ter o selo de tecnologia brasileira, conforme a  portaria 950 do Ministério da Ciência e Tecnologia. E seus diretores argumentam que a empresa está presente no Brasil há décadas, tem 7,5 mil trabalhadores em sua fábrica de São José dos Campos, cumpre as regras do Processo Produtivo Básico (PPB) e é uma das maiores investidoras em pesquisa e desenvolvimento do setor, justamente porque segue as regas da lei de informática e do PPB. ” A Ericsson tem cinco fábricas no mundo, e uma delas no Brasil, onde exportamos 50% da produção”, completa o executivo.

 

Para a empresa, a política de valorização do PPB deveria ser mantida, pois ela estimulou a criação de inúmeros empregos no país e ampliou sensivelmente os investimentos em P&D. No entender de Tavares, se o governo quer traçar uma política insdustrial que agregue mais valor (este é um dos argumentos do governo para dar preferência à tecnologia nacional), poderia traçar políticas que estimulem o aprofundamento dos projetos de P&D no país, ao invés de tentar criar uma nova “reserva de mercado” para os produtos brasileiros. “Se a Telebras, que é empresa do Estado, quer só comprar produtos com tecnologia nacional, podemos não gostar da decisão, mas não podemos criticá-la. Mas podemos criticar a proposta que quer interferir na decisão de compra dos agentes privados”, concluiu o executivo.   

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