NEC aposta em small cell e reconhecimento facial no comércio para voltar a crescer


A NEC quer voltar a crescer. A meta é dobrar de tamanho em três anos, explica seu novo presidente Daniel Mirabile. Para isto, pretende ampliar a gama de produtos comercializados no segmento de telecom, e aposta nas femtocells e small cells para ampliar sua presença. Pragmática, a empresa voltará a fabricar no Brasil se o volume de vendas justificarem, explica o executivo.

A NEC quer voltar a crescer. A  meta é dobrar de tamanho em três anos, explica seu novo presidente Daniel Mirabile. Para isto, pretende ampliar a gama de produtos comercializados no segmento de telecom, e aposta nas femtocells e small cells para ampliar sua presença. Pragmática, a empresa voltará a fabricar no Brasil se o volume de vendas justificarem, explica o executivo.

A empresa vai também ampliar seu portfólio nos segmentos empresarial e público. E pretende levar a tecnologia do reconhecimento facial – hoje usada para a segurança pública e aduanas – para o varejo, onde acredita haver um grande potencial para a ampliação das receitas das grandes redes como C&A e Renner. A seguir a entrevista:

Assumiu o comando da empresa em setembro deste ano.
Assumiu o comando da empresa em setembro deste ano.

Tele.Síntese – Assumiu a direção da NEC do Brasil recentemente. Quais são os desafios?

Daniel Mirabile – “Queremos alguém que mude”. Quando fui convidado me disseram: “escolhemos uma pessoa de fora da empresa, com uma visão crítica, que possa entender o nosso negócio e entender os problemas . Mudança é palavra-chave.

Tele.Síntese – A NEC  vem perdendo participação no mercado brasileiro.

Mirabile – Existe um problema que a NEC Brasil hoje, financeiramente, não está bem. Apesar de a NEC mundial ser financeiramente muito forte, no Brasil não tem conseguido nos últimos  anos gerar lucros. E isto afeta sem dúvida a receita. Sem gerar lucro, acaba não sendo competitiva, e deixando de fazer negócio e  ser mais agressiva em uma disputa. Esta visão do mercado é a mesma que eu tinha: a NEC perdeu terreno. Era muito grande. E deixou de ser. Os dois grandes desafios são: voltar a fazer a empresa ganhar dinheiro e voltar a crescer. No Brasil, a NEC tem potencial para dobrar de tamanho.

Tele.Síntese – Em quanto tempo?

Mirabile– Me deram três anos, mas acho que no segundo ano já vai haver uma cobrança muito forte.

Tele.Síntese– E para isto, qual é o foco: novo posicionamento, novos produtos?

Mirabile – O portfólio da NEC, mundialmente, é muito amplo. No Brasil, a gente vende a pontinha do portfólio. Mais do que criar novos produtos é conseguir usar o que já existe. Há muita coisa para telecom, mas também no segmento de grandes empresas e muitas soluções públicas que não necessariamente servem apenas para os agentes públicos. Por exemplo: o reconhecimento facial. Ele pode ser usado na segurança, mas também para o comércio, como  para análise de comportamento de um provável comprador em uma loja. Mundialmente, a Nec tem três unidades de negócios: a de telecom, a de entreprise e a pública. E elas são relativamente iguais em tamanho. No Brasil, temos 65% de nossos negócios em telecom; 25% com as empresas (incluindo o segmento de cinemas) e 10% com o governo.

Tele.Síntese – E você quer reproduzir a distribuição mundial no mercado brasileiro?

Mirabile– Não necessariamente. Mas este perfil me indica quanto  mais posso vender nas outras áreas, onde ainda não estou presente. Mas em telecom, as vendas estão concentradas em três tecnologias: transporte, R&P com a Cisco, e serviços. Mas temos small cells, femtocells e  uma série de soluções de otimização de redes, como SDN, OSS/BSS, que nunca vendemos no Brasil.

Tele.Síntese – Mas não é difícil entrar no mercado das telcos, que são poucas e até fazem compras em escalas globais?

Mirabile – Se se olhar para o mercado de PTS, de estações rádio-bases, realmente não temos a menor chance de entrar. Porém, este mercado não é completo. É só olhar nossa qualidade de celular no Brasil, bem inferior a de outros países. A solução macro é usada para a cobertura, e não para a qualidade. A NEC tem uma série de produtos – femto, small cell- segmento onde nenhum outro fornecedor está vendendo.

Tele.Síntese – Estão participando de algum trial?

Mirabile – Já temos contrato de femto com uma operadora, mas não podemos dizer o nome. E  estamos em fase final de preço com uma segunda operadora. Esta operadora nos  disse que “ganhou de graça” o equipamento do outro fornecedor, mas não o quis, porque a solução dele não funciona e fechou conosco. Femto é a solução em que a NEC é hoje o player  mais forte.

Tele.Síntese – As femtocells contam com redução do Fistel (taxa de fiscalização), mas ainda não deslancharam no Brasil. O que falta para este mercado amadurecer?

Mirabile – O mercado ainda tem  dificuldade de fechar o business case para as femto. Ainda se pergunta como a operadora vai ganhar uma receita adicional com esta tecnologia. O problema da operadora é como cobrar por esta tecnologia, já que não pode cobrar  mais por qualidade. Os nossos clientes atuais estão usando as femtocells para clientes VIP residenciais. Nos clientes mais importantes, que por algum motivo têm problemas de sinal, as femtocells são instaladas.  Mas ainda não é um mercado de volume.

Tele.Síntese – Você acredita que as femtocells terão  volume?

Mirabile – Acho que vai ser mercado de nicho. As small cells é que terão volume. Vendemos femto e acreditamos nela, porque no final a solução de “core” é a mesma, e aí fica mais fácil e mais barato colocar uma small cell. E as small cells não são para um cliente específico, mas para um bairro, uma rua e, nestes casos, há muito mercado.

Tele.Síntese – A NEC pensa em fabricar internamente esses equipamentos?

Mirabile – Até agora, o volume de venda é pequeno, não vale a pena a produção local. Se o volume for grande o suficiente e encontrarmos uma solução financeira que indique ser necessário produzir com o PPB (Processo Produtivo Básico), sim. A NEC é uma empresa muito pragmática: como ela produzia aqui no Brasil e deixou de fazê-lo, pode voltar, se financeiramente fizer sentido.

Tele.Síntese – Nos outros segmentos, quais sãos as suas apostas?

Mirabile – Para entrerprise, temos uma série de produtos que ainda não vendemos. Temos soluções de comunicação – Univerg – que é o pacote geral que congrega vários produtos. É a comunicação do futuro. Antigamente havia o PABX das empresas. Isto evoluiu para plataformas que unem 100 a 100 mil usuários. Acabamos de lançar a família 9 mil, uma plataforma mais aberta, é tecnologia IP pura por software. A NEC é líder neste segmento de telefonia empresarial no Japão e na Ásia. A segunda linha de produtos é a New Face, com análise de comportamento. As cadeias de supermercado podem analisar o potencial comprador: a hora que ele entra na loja se  está feliz ou triste, e identificar a melhor disposição da loja para maximizar as vendas ou mesmo saber o momento exato em que o consumidor desistiu da compra e buscar as razões para isto. Este segmento é inexplorado. É um exemplo de aumento de receita, e não de corte de custos para empresas.  E esta mesma solução pode ser usada nas áreas públicas, para segurança, aeroportos, etc.

Tele.Síntese – Quais são os últimos números da empresa?

Mirabile – Em 2012, a NEC teve uma receita operacional  de R$ 390 milhões e lucro líquido de R$ 13,5 milhões. No ano passado, a  receita operacional foi da ordem de R$ 410 milhões e prejuízo líquido de R$ 56 milhões.  Para 2015, a NEC  tem uma expectativa de faturamento global de 3 trilhões de yen, sendo que o setor público  será responsável por 800 bilhões de yen com crescimento de 8,3%; o setor de empresas, 275 bilhões de yen com crescimento de 1%; e o  setor de operadora de telecom 770 bilhões de yen com crescimento de 6,1%.

Tele.Síntese – Para o próximo ano, você lida com que números para a economia brasileira?

Mirabile – Este ano, estamos constatando que a economia vai ficar abaixo do 1% de crescimento. Nossas projeções são de que em 2015 ainda haverá ajuste de contas, talvez uma pequena recessão. Mas daí em diante, o Brasil cresce. O país  tem um grande mercado consumidor, e o empresário brasileiro é super acostumado a crises.

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