Após conhecer estudos da Anatel, SET ainda vê problemas na nova ocupação da faixa de 700 MHz.


Anatel, SET (Sociedade Brasileira de Engenheiros de Televisão) e representantes das principais emissoras abertas comerciais se reúnem na primeira semana de março para discutirem sobre as premissas que o Ministério das Comunicações deve adotar visando o necessário realocamento dos canais digitais, para acomodação de todas as estações geradoras e retransmissoras de TV na faixa reduzida, sem prejuízo da cobertura das estações. Na primeira reunião, realizada na quinta-feira passada (21), que tratou da simulação da transferência dos canais da TV digital na cidade de São Paulo que operam na parte alta da faixa de 700 MHz para os canais de 14 a 51, deixou os engenheiros em dúvida.

Segundo o presidente da SET, Olímpio Franco, os estudos da Anatel divergem da análise feita pela entidade, que concluiu ser maior a dificuldade de acomodação de todas as estações na faixa reduzida do espectro. “Isso certamente ensejará futuras discussões e análises conjuntas, mais detalhadas, dos critérios utilizados pelas duas equipes”, disse.

A reunião também tratou da apresentação de um estudo considerado “genérico” pela SET, que tinha como resultado o número de municípios em que o LTE/4G poderia entrar sem o apagamento dos sinais analógicos. “Tal estudo não foi feito com a premissa de manter a mesma cobertura analógica no mundo digital, uma vez que foi feito considerando os canais digitais, em função das limitações de espectro decorrentes da necessidade de convivência dos canais analógicos e digitais no período de transição”, lamentou Franco. A convicção é de que essa situação poderá causar transtornos para a população.

A entidade vê como difíceis também, outras capitais que não foram tratadas nessa reunião, que deverão ser objeto de discussão em outros encontros. “Há áreas no interior de São Paulo cuja situação é mais preocupante que a própria capital. A SET acredita que todas serão oportuna e brevemente tratadas em análises conjuntas, em que serão buscadas soluções que não prejudiquem a recepção da TV aberta. Vemos que há muito que evoluir e aprofundar”, disse Franco. Cidades com Campinas e Ribeirão Preto já foram apontadas como os principais problemas, já que necessitam de mais canais que os 37 oferecidos com a redução da faixa de 700 MHz.

Na próxima reunião será estabelecido ainda um cronograma inicial dos trabalhos. “Após essa etapa, haverá possibilidade e condições do trabalho efetivamente começar”, informou Franco. Esse trabalho será feito em conjunto pela  Anatel e pelo Grupo de Canalização da SET, que conta com especialistas próprios e representantes das associações do setor e das emissoras.

Incertezas

Para o presidente da SET, os estudos apresentados até o momento pela Anatel não demonstram confiança e precisão na viabilidade. “São necessários inúmeros cálculos, com utilização de softwares de viabilização de canais, relevo digitalizado e metodologias específicas”, disse.

A antecipação do cronograma para o desligamento das transmissões analógicas em pelo menos um ano também traz incertezas aos engenheiros. “Pelo que se sabe, será feito por fases e apenas nas capitais e cidades de grandes mercados para LTE/4G. O mais grave e o que traz o maior risco é a  pressa e a despreocupação com as possíveis consequências, quer pela insuficiência de canais, quer pelas interferências mútuas entre LTE e TV digital, que ainda não estão devidamente analisadas e testadas no Brasil”, sustenta Franco.  Ele salientou que esses problemas de interferências já são conhecidos na Europa e no Japão, tendo exigido muitos testes e estudos de mitigação para tentar atenuá-los.

Quanto à redução da faixa disponível para TV, proposta na última quinta-feira pelo conselho diretor da agência, Franco ressalta que é bom lembrar que, no plano atual de TV digital, não há qualquer reserva de canais para uma futura evolução do padrão para um estágio mais avançado do que o atual. “Esta necessidade não levará dez anos para acontecer. Para isso, é necessário um novo “simulcast”. Em que faixa isso será feito?”, questiona.

Sobre a proposta de destinação da faixa de 700 MHz para a banda larga móvel, Franco disse que não sabe a posição dos radiodifusores, mas imagina que não estejam satisfeitos, pois quem perde espectro pode ter comprometidos o desenvolvimento, a evolução tecnológica e a expansão do serviço. “Não sei quais as compensações que  o governo oferecerá a eles”, assinalou.

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