Aplicações de IoT em uma rede real


O Tele.Síntese está publicando as reportagens do Anuário Tele.Síntese de Inovação 2018. Abaixo, mais sobre o IoT Open Labs, parceria entre American Tower, Bandtec e Everynet que mereceu a terceira colocação no Prêmio Anuário Tele.Síntese de Inovação na categoria Fornecedores de Software e Serviços.

Aplicações de IoT em uma rede real

Por Patrícia Cornils

O Brasil é considerado uma peça-chave da estratégia global da American Tower e um mercado crucial na América Latina. Por essa razão, a empresa norte-americana de infraestrutura para comunicações e redes de transmissão instalou no país o primeiro Centro de Experiência e Desenvolvimento de Internet das Coisas, o IoT Open Labs. “Decidimos fazer aqui pelo potencial de mercado brasileiro e por nossa presença relevante no país”, afirma Abel
Camargo, diretor sênior de Estratégia e Novos Negócios da American Tower no Brasil.

O investimento no laboratório não é uma estratégia isolada. Até o final do ano, a American Tower pretende lançar comercialmente uma rede dedicada a aplicações de Internet das Coisas em frequência não licenciada na tecnologia LoRa. Como a Internet das Coisas ainda é pouco difundida no Brasil e também o número de aplicações ainda é restrito, a American Tower entendeu que não bastava montar a rede e colocá-la em operação. Era preciso criar um
ambiente que ajudasse a fomentar o ecossistema da IoT: inovação, capacitação, desenvolvimento, explica Camargo. “A rede LoRa, em conjunto com o IOT Open Lab, vão viabilizar o desenvolvimento de aplicações inovadoras no país”, acredita Camargo. “Queremos fomentar o desenvolvimento de aplicações baseadas na rede LoRa.”

No laboratório, inaugurado no primeiro trimestre de 2018, empresas parceiras, clientes, desenvolvedores e estudantes podem experimentar e testar as aplicações para Internet das Coisas funcionando em uma rede real. O centro é resultado de uma parceria entre a American Tower, a BandTec Digital School, faculdade instalada na cidade de São Paulo com foco nas TICs, que abriga o IoT Open Labs e responde pela área acadêmica do centro, e a Everynet,
que é a fornecedora dos rádios e servidores LoRa escolhida pela American Tower.

No primeiro trimestre de 2017, a American Tower iniciou o projeto piloto da primeira rede de grande alcance e baixo consumo (na sigla em inglês, LPWAN) com a tecnologia LoRa no Brasil. A rede piloto, que usa o protocolo LoRaWAN e opera em frequência não licenciada na banda ISM (900 MHz), foi implantada nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo, que produzem 24% do PIB brasileiro. O piloto foi um sucesso. A American Tower planeja lançar comercialmente sua rede no quarto trimestre de 2018 e chegar o final de 2019 com cobertura em 80 cidades, onde se produz 50% do PIB do país.

LoRa é uma tecnologia de radiofrequência que permite comunicação a longas distâncias com consumo mínimo de energia. Tem alcance de até 13 quilômetros em áreas rurais e quatro quilômetros em áreas urbanas. LoRaWAN é o protocolo do sistema LoRa, a camada lógica da rede. A tecnologia pertence à Semtech Corporation.

A iniciativa de implantar uma infraestrutura de rede neutra e de baixo custo para serviços e aplicações de Internet das Coisas é uma evolução no modelo de negócios da empresa. Fornecedora de infraestrutura passiva, a empresa vai, com o lançamento da rede LoRa, passar a oferecer infraestrutura ativa de conectividade para IoT a operadoras de telecomunicações, concessionárias de serviços públicos, grandes empresas, integradores e provedores de acesso.

“IoT em LoRa são bits, bilhões e centavos”, sintetiza Abel Camargo. Uma robusta rede de longa distância e baixo consumo é fundamental para que a IoT ganhe escala no Brasil, explica ele, porque conecta dispositivos de baixo volume de tráfego em escala massiva. E a baixo custo, tanto de conectividade – que na rede LoRa pode ser de 1/3 a 1/5 da infraestrutura equivalente em redes celulares ou de curta distância –, quanto de sensores, que já são comercializados entre US$ 8 e US$ 10. Outra vantagem, acrescenta, é que quanto mais usuários, menores os custos relativos e, portanto, o preço da conectividade.

De acordo com o executivo, este modelo interessa mesmo às operadoras de serviços móveis, que vão enfrentar um novo ciclo de investimentos com a evolução para o 5G e poderão usar a rede. “A rede low power não concorre com redes existentes em hipótese alguma, mas as complementa. O tráfego de dados com baixo volume e custo endereça soluções que hoje não são possíveis nas demais redes”, afirma Camargo. E dá um exemplo: o custo de usar redes de serviços móveis ou WiFi e Bluetooth para monitorar as cerca de 300 milhões de cabeças de gado do Brasil, em áreas remotas, pode ser proibitivo.

Na rede piloto há mais de dez aplicações em funcionamento, algumas em laboratório e outras em campo, pelo menos uma para cada um dos segmentos verticais que são o foco da empresa para IoT: cidades inteligentes, logística e gestão de ativos, concessionárias de serviços públicos (energia elétrica, gás, água), agronegócio e lugares inteligentes (gestão de ambientes, comércio, shoppings).

A American Tower atua em 16 países. No Brasil, a companhia possui 19 mil sites (250 mil no mundo), adquiridos desde que começou sua atuação local, em 2001, por cerca de US$ 8 bilhões. A maior parte deste investimento foi feita nos últimos quatro anos. Em julho deste ano, adquiriu os ativos da Cemig Telecom formados por redes de fibra em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, além de POPs em Fortaleza (CE), Salvador (BA) e Goiânia (GO).

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