Negócio entre Nokia e Alcatel-Lucent pode esbarrar na regulação


Governo francês condiciona fusão à ampliação do número de pesquisadores no país e outros investimentos, enquanto EUA pode fazer investigar riscos à segurança nacional e China pode questionar mudança de controle em holding local.

O presidente francês François Hollande deve apoiar a fusão entre Alacatel-Lucent e Nokia se as promessas feitas pelas empresas na última terça-feira, de alterar a estrutura de cargos, mas contratar pelo menos 500 novos pesquisadores, e investir 100 milhões de euros em startups locais, se concretizar. Mas isso não significa que as companhias tenham o caminho livre para realizar a operação de troca de ações, equivalente a 15,6 bilhões de euros.

Segundo o Financial Times, os problemas podem vir dos Estados Unidos, onde a união das empresas equivaleria à retirada de um concorrente do mercado de fornecimento para operadoras de telecomunicações. A Ericsson domina o mercado norte-americano, enquanto a Huawei encontra resistência política devido a sua origem chinesa.

Na terra do Tio Sam, o negócio só deve ser autorizado após análises do impacto sobre a segurança nacional, conduzida pelo Comitê para o Investimento Exterior dos Estados Unidos (Cifus, nas sigla em inglês). A informação teria sido repassada ao Financial Times por um ex integrante do Cifus.

Esse tipo de escrutínio, ressalta o periódico, costuma demorar meses, até anos, para ser concluído, o que poderia frustrar os prazos pretendidos pelo CEO da Nokia, Rajeev Suri, de concluir o negócio em não mais que 12 meses.

Na China, também, o governo pode criar obstáculos. Por lá, a Alcatel-Lucent atua por meio de uma holding (Alcatel-Lucent Shanghai Bell), com participação estatal e supervisionada de perto pelos reguladores locais. A Nokia passaria a deter o controle dessa empresa, o que poderia levar os chineses a exigir mais que a manutenção de compromissos pré-estabelecidos (de incentivo à inovação no país, por exemplo).

Na própria União Europeia ainda não está claro se a união pode esbarrar em regulações. Buscando se antever, Michel Combes, CEO da Alcatel-Lucent, reforçou a tese de que o negócio é europeu. Rajeev Suri, da Nokia se disse confiante, apesar do caminho a percorrer. “Temos experiência em fazer isso [contornar os desafios regulatórios em uma transação]”, disse ao Financial Times.

HERE
A Nokia avisou ontem (15) que está revendo sua estratégia para a divisão Here, de georreferenciamento. Em comunicado divulgado após a confirmação de proposta de compra da Alcatel-Lucent, a finlandesa diz que é o momento adequado para repensar os benefícios oriundos da Here. Segundo o texto, a empresa analisa diferentes abordagens, que podem envolver a venda ou o simples “desinvestimento” (fechamento) da operação. No ano passado, a divisão de mapas representou cerca 7,6% das receitas da companhia, faturando 969 milhões de euros e registrando lucro operacional de 31 milhões de euros.

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1 Comment

  1. 18 de Abril de 2015

    Gostei do site boas abordagens sobre o mundo da telecom.