Apenas o usuário pode controlar bloqueio de conteúdo, defende Mozilla


A Mozilla Foundation lançou na semana passada uma proposta de princípios para que empresas, inclusive operadoras, lidem melhor o bloqueio de conteúdo. A proposta foi uma resposta a iniciativas que surgiram em duas frentes: uma, da Apple, de aceitar que os usuários instalem em seus iPhones aplicativos capazes de bloquear a exibição de anúncios; outra, da Digicell, operadora jamaicana que decidiu bloquear anúncios exibidos por Google, Facebook, Yahoo, impedindo a exibição de publicidade em seus sites.

De acordo com Denelle Dixon-Thayer, chief legal and business officer (algo como diretora para assuntos jurídicos) da fundação, o bloqueio de conteúdo é uma realidade que não deixará de existir. Por isso, deve ser pensado para evitar que fira o conceito de neutralidade de rede. A iniciativa da Mozilla tem a intenção de preservar nas mãos do usuário o controle sobre o bloqueio, evitando assim a quebra da neutralidade.

“Alguns sistemas de bloqueio podem ser danosos de forma não evidente. Por exemplo, se o bloqueio criar novos filtros que decidam quem terá mais espaço de publicação de conteúdo sobre outros, haveria dano à competição e à inovação”, diz, em referência a bloqueadores que liberam a exibição de certos anúncios se o anunciante pagar pelo privilégio. “Seja conteúdo bloqueado na rede ou no aplicativo, se isso for feito sem transparência, controle, neutralidade e abertura, pode ser ruim para o usuário, mas também para a internet”, defende.

Ela lembra que uma operadora deve gerenciar sua rede, tentando manter o tráfego de dados neutro o maior tempo possível. “Existem medidas técnicas necessárias que afetam o tráfego. Mas, não apoiamos qualquer bloqueio baseado exclusivamente no conteúdo, isto é incompatível com uma internet aberta e neutra”, diz.

Para Denelle, a proposta de bloquear conteúdo das OTTs, como quer a Digicell, para forçar estas empresas a bancar parte dos investimentos em infraestrutura é uma medida danosa e que ignora investimentos que as OTTs já fazem para aperfeiçoar a rede.

“Investimentos compartilhados, geralmente, beneficiam todo o ecossistema. Se uma OTT pagar apenas para não sofrer bloqueio, então temos uma situação idêntica ao bloqueio de conteúdo [que fere a neutralidade]. Mas, se a OTT e o operador resolvem investir em infraestrutura, construindo uma CDN, por exemplo, para armazenar conteúdo mais perto do usuário, o resultado beneficia todos os envolvidos”, conclui.

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