Aos 30 anos, o CPqD prova a eficiência da tecnologia made in Brazil.


Há 30 anos, os princípios que norteiam as atividades do CPqD são os mesmos que levaram à sua criação: o desenvolvimento de tecnologias da comunicação e informação, de modo a contribuir para a competitividade do país e para a inclusão digital. Nos próximos 30 anos, a instituição continuará atuando no campo da inovação, na pesquisa …

Há 30 anos, os princípios que norteiam as atividades do CPqD são os mesmos que levaram à sua criação: o desenvolvimento de tecnologias da comunicação e informação, de modo a contribuir para a competitividade do país e para a inclusão digital. Nos próximos 30 anos, a instituição continuará atuando no campo da inovação, na pesquisa aplicada que chega ao mercado, porque só assim P&D gera emprego, participa na geração de riqueza no país, dá capacidade de negociação ao Estado. É o que garante o presidente do CPqD, Hélio Graciosa. Recentemente, o CPqD decidiu pesquisar quanto da tecnologia que produziu atingiu o mercado: só nos últimos oito anos, portanto desde a privatização do Sistema Telebrás, quando a instituição teve que ir à luta para sobreviver, nada menos do que R$ 8 bilhões. Em média, R$ 1 bilhão por ano, distribuídos, principalmente, entre sistemas de software, tecnologia para produtos de comunicação óptica (fabricados pela PadTec), redes de próxima geração (NGNs, construídas pela Trópico), telefones de uso público e cartões indutivos. “Somos e vamos continuar fortes”, assegura um orgulhoso Graciosa, lembrando que, quando os comandantes Quandt de Oliveira e Alencastro Silva decidiram criar o CPqD, o objetivo foi criar inteligência nacional em telecomunicações. E a instituição promete continuar a fazê-lo em tecnologias de informação e comunicação.  

O futuro é a mobilidade que permite ao cidadão dispor  de comunicação em qualquer lugar, seja por meios wireless, ópticos ou redes convergentes, infra-estruturas por trás das quais há sistemas de suporte e gerenciamento.

Nestas três décadas, foram grandes os pulos tecnológicos. Em 1976, o CPqD desenvolvia as primeiras fibras ópticas no país para centrais TDM; em 2006 é a vez do multiplexador de comprimento de onda e redes de próxima geração; nos primórdios, o software embarcado falava em linguagem de máquina; hoje, as aplicações são desenvolvidas em linguagens de alto nível e comerciais, trabalham em plataformas baixas, e vem aí a computação em grade (processamento distribuído).

Em paralelo, o CPqD toca as atividades de testes e ensaios – já teve mais de 700 credenciados pelo Inmetro. E diversifica. Por exemplo, acaba de apresentar o CPqD Gestão Comercial para empresas de energia elétrica, projeto conjunto com a Celg (concessionária de Goiás) cujo desenvolvimento consumiu mais de R$ 10 milhões. O sistema é para atendimento ao cliente e billing, em plataforma baixa.

Uns poucos exemplos

Quem usa um equipamento sofisticado já incorporado à rotina diária, nem sabe o que está por trás. Caso dos terminais de auto-atendimento Bradesco, equipados com sintetizadores de voz CPqD Texto-Fala, para clientes com dificuldade de leitura (portadores de deficiência visual e não alfabetizados).

Baterias, sabe-se, também são um problema. Ao longo de sua vida útil, podem explodir. Quando não servem mais, não é fácil se livrar delas adequadamente. Poucas e boas razões para que se pense em alguma providência. A Anatel encaminhou para consulta pública resolução que vai definir requisitos de segurança e funcionalidade, tornando obrigatória a certificação e homologação das baterias de lítio íon. Para receber certificação, o produto deve passar por ensaios para avaliação de parâmetros elétricos e de segurança. O CPqD está apto a realizar esses ensaios e, juntamente com a Anatel, participou da elaboração da proposta para regulamentação do processo de certificação das baterias. Quanto ao descarte, a instituição pretende desenvolver uma tecnologia para a reciclagem das baterias de lítium íon. Desde a década de 80, o CPqD é um centro de referência em estudos e avaliações de baterias recarregáveis para uso em telecomunicações e possui o maior laboratório de baterias da América Latina. Sabe-se que os componentes químicos que fazem parte de uma bateria, quando separados, podem ser reutilizados na fabricação de remédios para doentes mentais, lentes de óculos e até na montagem de outra bateria de celular.

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