Ao contrário do que avalia o mercado, governo não vê indícios de desnacionalização da Oi


Tele.Síntese Análise 392 Ao contrário do que avalia o mercado, governo não vê indícios de desnacionalização da Oi Zeinal Bava assumiu a presidência da Oi como executivo e não como representante da Portugal Telecom. Assim, sua indicação não significa que o sócio português da operadora brasileira vá assumir o seu controle, na avaliação do ministro …

Tele.Síntese Análise 392

Ao contrário do que avalia o mercado, governo não vê indícios de desnacionalização da Oi

Zeinal Bava assumiu a presidência da Oi como executivo e não como representante da Portugal Telecom. Assim, sua indicação não significa que o sócio português da operadora brasileira vá assumir o seu controle, na avaliação do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. “Não estamos preocupados com uma eventual desnacionalização da Oi, pois os fundos de pensão e o BNDES têm mais de 30% de participação no controle e os sócios privados brasileiros não falaram que pretendem vender sua parte”, disse.

Para Bernardo, o que aconteceu na Oi foi uma troca de comando executivo, bem-vinda porque Zeinal Bava foi presidente da Portugal Telecom, que tem um portfólio de inovação interessante – levou fibra óptica para todo o país – e, pode assim, agregar muito à operadora brasileira. A impressão do ministro das Comunicações é reforçada por representantes dos sócios públicos da operadora, BNDES e fundos de pensão. Um de seus executivos, questionado sobre o processo de desnacionalização da Oi, respondeu ao Tele.Síntese Análise: “Isso não vai ocorrer, porque não vamos deixar”.

Mas a avaliação de bancos de investimentos é diferente. Um deles está convencido de que Zeinal Bava só assumiu a presidência da Oi depois que os sócios privados acertaram a venda das ações dos grupos Andrade e Gutierrez e La Fonte na Telemar Participações para a PT. Para ele, a pulverização das ações da Oi, que deve vir a ocorrer, pode resolver o problema de sua dívida, da ordem de R$ 30 bilhões, mas não resolve a dívida da Telemar Participações, que não tem ações em bolsa, que é de R$ 3,3 bilhões, dos quais perto de R$ 2 bilhões com o BNDES. Por isso, entende que a reestruturação societária passa pela incorporação da Telemar Participações pela Oi. A incorporação pode, segundo ele, ser feita por diferentes formas: Telemar Participações + Oi; Telemar Participações + Oi + PT; Telemar Participações + Oi + PT + Contax.

Ainda segundo a mesma fonte, a PT já definiu o preço do controle e a questão deve estar resolvida em seis meses. Mas entende que a operação será feita com muita cautela, pois, no acordo de acionistas está expresso que a Telemar não pode perder o controle da Oi (e a PT tem que assumir o controle da Telemar Participações, pois hoje quem manda são apenas Andrade Gutierrez e La Fonte). Por isso, a operação terá que ser bem feita para não caracterizar como troca de controle, para não dar tag along aos acionistas minoritários.

A opção de fazer uma reestruturação societária só da operadora – opção que pretende ser adotada pelos acionistas, de acordo com executivos da Oi – não tem sentido, para este interlocutor, pois a Telemar poderia perder o controle da operação. “Todas as entidades que controlam a Oi, a controlam só com 50% direta e indiretamente. Como pulverizar as ações de tal forma que a Telemar Participações mantenha o controle?”, indaga.

Ele também não acredita que o governo, através dos sócios públicos, vá colocar mais dinheiro na Oi. E não vê nenhum impedimento para a compra do controle pela PT, pois entende, numa visão muito particular e na contramão do entendimento no mercado, que a obrigatoriedade de os sócios brasileiros manterem o controle por cinco anos, estabelecida no acordo de acionistas, já se encerrou, pois a contagem do prazo teria sido iniciada no momento da fusão da BrT e não a partir da entrada da PT na Oi, em 2010.

 

Pulverização das ações

Mas esta análise não é consensual. Outros especialistas avaliam que a tendência é mesmo de a PT assumir o controle da Oi, mas só no longo prazo. A vinda de Bava, segundo outra fonte, não significa que a PT já tenha assumido o controle. Ele veio mesmo como gestor, versão reiterada pelos sócios privados e públicos, para transformar a Oi em uma empresa inovadora e mais competitiva.

A PT, segundo ele, não tem dinheiro para comprar a Oi, muito maior que a própria PT, nem o controle da Telemar Participações. Mesmo com a venda da operação de Macau e da recente capitalização de 1 bilhão de euros, está muito endividada, diz ele.

Na mesma linha de executivos da Oi, outro analista acha que a operação de reestruturação societária pode ser feita pelo fortalecimento da operadora, via pulverização de ações. A empresa entra no novo mercado (o que  já foi autorizado pela Anatel, em anos anteriores, apesar de não haver mais um controlador único), valoriza as ações e os dividendos para os controladores. Ou seja, vai ampliando a credibilidade do mercado.

A pulverização efetivamente reduz o poder dos acionistas controladores, mas, mesmo com menos ação, esses grupos acabam mandando, diz um executivo da Oi. Ele lembra que nenhum sócio da PT tem mais de 10% do capital de controle.

Para ele, duas perguntas precisam ser respondidas para se saber se a vinda de Bava já significa mudança de controle ou se é apenas a preparação para isto: A PT tem dinheiro (os sócios chegaram a pensar, no início do ano, numa fusão da Oi com a PT, mas abandonaram a ideia porque ela está mais endividada que a própria Oi, segundo relato de executivos da empresa). Ou seja, a fusão poderia resolver o problema da Telemar Participações mas não resolveria o problema da Oi, que precisa de uma capitalização de R$ 10 bilhões. Além disso, haveria resistências tanto do governo brasileiro quanto do português. Onde ficaria a sede? Que capital controlaria? O governo vai deixar? Pelas declarações de representantes do BNDES e dos fundos parece que não.

Com a abertura de capital da Oi – e essa é uma das principais tarefas de Bava – a PT, de acordo com executivos da própria Oi, pode até se tornar a maior controladora, com 9%, seguida do BNDES, ou dos sócios privados, com 5% ou 6% cada. Esses agentes continuariam a definir os rumos da Oi, só que de uma empresa muito mais capitalizada e pulverizada, com os minoritários com mais votos.

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