Antes do 3G, Brasil precisa usar serviços de dados, diz Rojas


O Brasil está pronto para a terceira geração da telefonia celular? No entender do  diretor da 3G Americas para a América Latina e Caribe, Erasmo Rojas, existem certos estágios que ainda não foram cumpridos no país, antes que novas faixas de frequência sejam licitadas, compradas e implementadas por operadoras móveis. “Devemos distinguir serviços de faixas …

O Brasil está pronto para a terceira geração da telefonia celular? No entender do  diretor da 3G Americas para a América Latina e Caribe, Erasmo Rojas, existem certos estágios que ainda não foram cumpridos no país, antes que novas faixas de frequência sejam licitadas, compradas e implementadas por operadoras móveis.

“Devemos distinguir serviços de faixas de frequência”, explica ele, por telefone, de Dallas (Texas), em entrevista ao Tele Síntese. “O consumidor não quer saber se a tecnologia é A, B, C ou D. O que importa é o serviço.”  É nesse quesito que, segundo Rojas, as operadoras no Brasil já oferecem tudo que o usuário brasileiro pode adquirir atualmente. Na realidade, oferecem até mais que isso. Afinal, em um país em que cerca de 80% dos celulares é pré-pago, com baixo ARPU (de US$ 6 a US$ 8) com uso quase total de voz, para que serviria o tal do 3G?

Não, Rojas não é contra o uso de dados. Muito pelo contrário. A instituição que representa, apóia a migração tecnológica para o 3G, como o próprio nome diz. Mas, segundo ele, as tecnologias disponíveis no país (como GSM/EDGE e CDMA/EV-DO) já oferecem alternativas como download de vídeos e música. “Para fazer isso, as operadoras não precisam comprar novas faixas de frequência”, explica.

Mesmo assim, ainda é muito baixo o número de pessoas no país que usa o celular para dados. E, quando se usa dados, é para transmissão de mensagens (SMS) – o que não requer grande velocidade de transmissão, justamente a vantagem do 3G. No Brasil, apenas 5% da receita das móveis, em média,  não é de voz, sendo 4% para SMS.

Por que não usam?
Para Rojas, as pessoas não utilizam serviços de dados, porque não conhecem ou não sabem como usar. “É preciso uma grande campanha que eduque o usuário do pós-pago, que tem dinheiro para gastar, nesses pontos”, explica. Além disso, segundo o diretor da 3G Americas, é necessário que se estabeleça preços compatíveis e fixos (por transação), que é como o consumidor gosta de pagar, em vez das complicadas taxas de kilobits por segundo.  “As pessoas que vendem o serviços devem ser treinadas para comercializar dados”, ensina.

A Anatel está prevendo que este ano seja licitada a faixa 1,9Ghz para uso do 3G, como quer a Vivo. No entender de Rojas, caso o país adote o 3G sem antes fazer a educação do consumidor (que, aliás, já poderia ser feita com a tecnologia disponível) e com testes exaustivos na parte técnica, corre-se o risco de um grande gasto por parte das operadoras. Gasto esse que seria revertido para a conta do cliente, o que acarretaria, novamente, pouco uso, poucas vendas e atrapalharia o avanço dos serviços de dados.

O grande erro, de acordo com o diretor da 3G Americas, é que o usuário não está sendo consultado “É o consumidor, depois de ter utilizado serviços de dados, que vai dizer se precisa de maior velocidade de transmissão (com o 3G) ou não”, conclui Erasmo Rojas.

Anterior Mudança de controle Telemig/Amazônia Celular deve ocorrer em abril
Próximos Hip Telecom lança cartões DDD e DDI