Antes de a 5G se consolidar, a disputa pelas ondas milimétricas se acirra


ondas frequencia wikimediaRio de Janeiro – Embora diferentes operadoras estejam anunciando  trials e início da operação comercial da 5G para este ano,  é senso comum entre os especialistas que a verdadeira quinta geração da telefonia móvel só será conhecida em 2022. Mas a disputa por mais frequência já está acirrada também nas chamadas ondas milimétricas mmWM  (acima de 6 GHz), que há poucos anos não eram sequer lembradas pelo setor de telecomunicações.

A disputa – que poderá ser decidida na  Conferência de Radiofrequência da UIT, a ser realizada no próximo ano, está entre aqueles que querem um pedaço dessas faixas mais altas para incrementar o bakchaul (estrada estadual de banda larga) com soluções sem-fio ou aqueles que querem usá-las integralmente para garantir o acesso da 5G.

Entre os que estão apostando na tecnologia wireless como alternativa para fortalecer o backhaul da quinta geração móvel está a fabricante chinesa Hawuei. Ela mantém dois centros de pesquisa em ondas milimétricas na Itália, e, segundo Giulio Cavalli, gerente do Centro de Competência de mmWM, já existem produtos no mercado que permitem comprovar a necessidade de alocação de mais banda também para servir de backhaul para as redes móveis.

Segundo Cavalli, haverá três tipos de perfil de demanda, com a 5G. Nas grande metrópoles, o backhaul poderá ser fortalecido também com as ondas milimétricas conhecida como Eband (ou banda E, que fica em 80 GHz). “Uma importante regra da 5G é que a fibra não poderá chegar em todo o lugar. E atualmente, 77% das estações radio-bases em todo o mundo são conectadas por micro-ondas”, afirmou ele.

Por isso, a Huawei aposta na tecnologia com base nas mmMW para conseguir atender a demanda estimada de 10 Gbps em único site, que virá com a 5G. Conforme Cavalli, mesmo que os grandes centros tenham mais fibra óptica, a demanda por soluções sem-fio também aumentará, porque a nova estrutura de rede será moldada como uma estrela, na qual as centenas de pequenos sites serão conectadas por tecnologia wireless até um site principal, que se ligará à rede pela banda larga. “Em 2022, o número de links do backahul por micro-ondas cairá para 70%, mas o número de links será muito maior “, vaticina.

Embora a Eband esteja sendo vista por diferentes agências e operadoras como uma das soluções naturais para fortalecer o backhaul da 5G, ainda há problemas de preço, assinalou o executivo. Aqui no Brasil, ele até considera que os preços da licença cobrados pela Anatel são razoáveis, frente a outros países, mas as operadoras que estão usando essa solução – Sky Brasil, Vivo, TIM (a Claro iniciou o trial) – consideram que eles ainda são salgados.

Cidades menores

Para as cidades menores, não é possível usar exclusivamente a eBand, porque a tecnologia só atinge a distância de até 2 quilômetros. Assim, a proposta da fabricante para esse segmento é de fazer agregação de frequências (band agregation) em um único equipamento, usando a eBand para assegurar a capacidade (ou o throughput) e as frequências mmWM de 15 a 42 GHz para alcançar pelo menos 7 quilômetros de distância.

Já para o atendimento das áreas rurais e menos povoadas, a Huawei aposta  na agregação de portadoras (carrier agregation), ou aparelho que faz a  agregação de canais em um mesmo espectro.

Anatel

Mas, para que essas soluções se concretizem é preciso destinar frequências para serem usadas exclusivamente para fortalecer a capacidade da rede de telecom. E, conforme Cavalli, há uma restrição que ainda não foi resolvida pela Anatel. Aqui, a agência  só permite o tamanho máximo de 56 MHz de canais de transmissão. Mas as novas tecnologias já estão usando 112 MHz como canais de transmissão, o que oferecerá 1 Gbps de capacidade, contra o máximo atual de 600 Mbps.

“O grande desafio é que as frequências milimétricas estão sendo disputadas tanto para o acesso como para o backhaul. E a nossa expectativa é que entre todas aquelas que estão sendo listadas, e que serão usadas pelos menos a rede de backhaul  fique com o direito de ocupar duas delas”, conclui o executivo.

A jornalista viajou para a 5G Latin America a Convite da Huawei.

Anterior Correção: TIM conta com banda larga fixa para mercado crescer 6% ao ano
Próximos Dados e serviços digitais garantem o bom desempenho da telefonia móvel da Vivo