Anid quer melhorar relacionamento entre provedores e MiniCom


Discutir a relação dos pequenos provedores de internet com o governo e a possibilidade da integração da infraestrutura dessas empresas ao Plano Nacional de Banda Larga foi o tema da conversa entre o presidente da Associação Nacional para Inclusão Digital (Anid), Percival Henriques, e o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, nesta segunda-feira (9). Para isso, diz Henriques, é preciso avançar em medidas previstas no decreto do PNBL, que ainda não saíram do papel.

Uma dessas medidas é tornar possível o financiamento dos bancos públicos para que os pequenos provedores possam construir suas infraestruturas. “O mundo todo considera as redes de telecomunicações commodities altamente valorizadas, mas elas não são aceitas como garantias para empréstimos pelos bancos oficiais brasileiros”, disse o presidente da Anid. No entanto, ressalta, tratores e motosserras, usados para desmatar a Amazônia servem como garantias.

Outro ponto reivindicado por Henriques diz respeito a aluguel de postes das companhias elétricas para ampliação das redes de última milha. “O ministro disse que as tratativas por melhores condições de cessão dos postes já avançaram e devem ser anunciadas em breve”, adiantou.

O terceiro item da conversa versou sobre incentivos a produção de conteúdo nacional, medida também prevista no decreto do PNBL. “Os pequenos provedores vão se habilitar para serem prestadores do Serviço de Acesso Condicionado [SeAC] e a existência de conteúdo local é fundamental para os planos de negócios deles”, ressaltou.

Percival Henriques ainda debateu parcerias com a Secretaria de Inclusão Digital do MiniCom nos programas desenvolvidos por ela, inclusive nos das cidades digitais. “A conversa foi muito boa e esperamos resultados positivos a partir desse encontro”, afirmou.

Fibras

Henriques aproveitou o encontro para apresentar ao ministro o programa lançado pela Anid no mês passado, de levar a fibra óptica para 400 mil domicílios em 19 estados brasileiros. “Vamos levar a fibra não só para moradias de pequenas cidades, mas também para periferia das grandes. Inclusive para a 11 mil casas da zona leste de São Paulo, que terão conexão melhores do que as disponíveis no bairro de Higienópolis”, provocou.

O programa está avaliado em R$ 350 milhões na compra de equipamentos como rádios e cabos. O dinheiro virá de uma parceria entre a fornecedora de equipamentos chinesa Comba Telecom e bancos chineses. A previsão é de que sejam construídas redes de até 21 mil quilômetros com equipamentos comprados da fabricante chinesa.

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