Ancine prevê boom de serviços audiovisuais e estima que TV paga chegará a 50% dos domicílios


Nesse mercado vão conviver os serviços lineares, da TV por assinatura, com os serviços sob demanda; os gerenciados (IPTV) com os não gerenciados (aqueles prestados na web).

A decisão do governo de estimular investimentos próprios e da iniciativa privada para massificar a banda larga, a aprovação de um novo marco regulatório para a TV por assinatura e a expansão da classe média brasileira, que já representa mais da metade da população, compõem o pano de fundo que, na opinião do presidente da Agência Nacional de Cinema – Ancine, Manoel Rangel, vão contribuir para o boom da distribuição dos serviços audiovisuais no Brasil nos próximos anos. Rangel participou da abertura do 25 Encontro Tele.Síntese “IPTV, cabo e banda larga”, que se realiza hoje em São Paulo.

Na visão da agência, a penetração dos serviços de TV por assinatura, ou serviços de distribuição linear de audiovisual, poderá chegar, nos próximos três a quatro anos, a 50% dos domicílios brasileiros.

Com base no desenvolvimento da indústria de serviços audiovisuais em países que já contam com boa infraestrutura de banda larga em maiores velocidades, Rangel prevê que haverá uma expansão também dos serviços não lineares, ou seja, sob demanda. E que os serviços gerenciados por operadoras de telecom, tanto os tradicionais como TV a cabo como os desenvolvidos em protocolo IP, IPTV, vão conviver com os serviços não gerenciados, que são aqueles providos sobre outro serviço na internet, também chamados over the top.

Impulso do protocolo IP

Embora o cenário seja de convivência dos diferentes serviços no  horizonte de tempo de médio prazo, o presidente da Ancine destacou que um dos responsáveis pelo boom dos serviços audiovisuais, que deverá atingir o Brasil, é o protocolo IP que garante flexibilidade aos provedores.

Os dados internacionais indicam que o faturamento com serviços audiovisuais vem crescendo 5% ao ano e o Observatório Europeu de Audiovisual identificou 696 provedores de serviços audiovisuais sob demanda na Europa, em 2008. Em 2010, de acordo com a Stream Digest, das 8 bilhões de transações realizadas no mundo envolvendo serviços audiovisuais, 1,2 bilhão já foi de serviços sob demanda. No Brasil, no entanto, esses serviços estão dando seus passos iniciais e as diferentes iniciativas, algumas em fase de teste, estão sendo mapeadas pela Ancine, que quer acompanhar a evolução desse mercado. Rangel acredita que os serviços audiovisuais linerares e não lineares vão superar, em breve, o consumo de audiovisual por DVD e blue disc. “O ponto de virada está próximos e, quando chega, a mudança é rápida”, observou, citando dados sobre a evolução da forma de distribuição de produtos audiovisuais nos Estados Unidos.

Desafios

Entre os desafios para garantir a expansão da indústria de produtos audiovisuais e a competição nesse mercado, Rangel citou a necessidade de garantir o acesso dos provedores de serviços às diferentes redes para distribuir seus produtos; a importância de se combater o monopólio sobre conteúdos de grande significado para os usuários, como eventos esportivos e filmes; e a necessidade de se garantir o princípio da neutralidade na internet, para que os conteúdos demandados por grandes e pequenos usuários trafeguem em igualdade de condições.

   

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