Anatel vai destinar bandas de 1,5 GHz e 26 GHz para a 5G


A Anatel prepara um plano para a liberação de novas e largas faixas de frequências para que operadoras de celular e satélite possam tirar maior proveito das redes de quinta geração (5G). A intenção da agência reguladora é licitar no país, além da já conhecida faixa de 3.5 GHz, também as bandas de 1,5 GHz e 26 GHz.

Essas frequências serão incluídas em novo Plano de Atribuição e Destinação de Frequências. Conforme Agostinho Linhares, gerente de Espectro, Órbita e Radiodifusão da Anatel, o uso da faixa de 26 GHz para 5G será regulamentado entre 2019 e 2020. A agência vai aguardar a conferência mundial de radiocomunicações (WRC-19), organizado pela UIT, e que acontece em novembro do próximo ano, para definir seu uso.

“Após a conferência, faremos o trabalho técnico para regulamentar essa frequência. Queremos que seja regulamentada muito pouco tempo após Estados Unidos ou Europa. Nossa vantagem é que aqui a faixa está desocupada”, diz ele.

Linhares prevê ainda a liberação para uso híbrido da faixa de 1,5 GHz, da qual a Anatel espera destinar 90 MHz para downlink suplementar. Também no 1,9 GHz, há espaço para destinação de espectro não usado.

“Estamos trabalhando em toda a legislação de enlaces, prevendo conexões de alta velocidade, permissão para agregação de portadoras e integração com satélite. No Brasil, 40% das cidades não são atendidas por fibra óptica. Então o satélite será fundamental”, falou.

Segundo ele, além das ondas milimétricas de 26 GHz, a Anatel também prepara a regulamentação das bandas Q e V (acima de 30 GHz) para uso satelital. “Já há interessados em usar essas frequências com satélite no Brasil”, diz.

A Echostar, dona da Hughes, é uma operadora que anunciou recentemente a construção de um satélite estrangeiro compatível com tais bandas.

Discussões

Linhares diz que a Anatel está envolvida, também, nas discussões internacionais para uso das faixa de 40 GHz, e de 57 a 71 GHz. A agência apoiará na UIT o uso do espectro entre 66 GHz e 71 GHz para redes móveis. E vai sugerir também o uso do espectro entre 57 e 71 GHz para o WiGig (padrão de WiFi indoor de altíssima velocidade).

Conforme ele, na prática, com tantas novas frequências disponíveis, as operadoras poderão aumentar a velocidade das conexões nas estações radiobase e, por consequência, para os usuários finais.

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