Anatel vai criar o código 010 para São Paulo, apesar do alerta dos usuários.


De nada adiantou o pleito da maioria dos institutos de defesa dos consumidores de São Paulo, que pediram, durante a consulta pública, para a Anatel analisar outra alternativa, que não a criação de mais um código de numeração para o celular. Esta semana, a agência bateu o martelo em favor da criação do código 10, que passará a conviver com o código 11 na grande São Paulo, para os novos telefones celulares.

A medida, que iria ser adotada este ano, mas foi adiada para maiores estudos, acabou vencendo a disputa interna e vai ser implementada a partir de março ou abril de 2011. A proposta foi  pautada para a reunião do conselho diretor desta quinta-feira.Embora pareça ser uma questão meramente técnica, esta decisão afetará o dia a dia de todos os usuários de telecomunicações não apenas de São Paulo, mas também daqueles que estiverem visitando a cidade.

A proposta aprovada é que os novos celulares passem a ter o código 010, além dos oito números tradicionais. O problema é que todos os que moram nos municípios que compõem a grande São Paulo passarão a ter que adivinhar qual número pertence à categoria do có digo 10 ou do código 11.

A confusão promete ser grande. Quem já tem um celular 011 (27 milhões de pessoas ) continuará a falar de seu celular para outro celular 011 sem precisar digitar um novo código. Mas se quiser achar uma pessoa da nova safra de telefones, vai precisar discar o 010, obviamente se souber disso, e se souber também que essa marcação não significará um custo adicional de longa distância.

Para alguns especialistas, esta alternativa impõe um grande ônus para a população da cidade de SP: os usuários iniciarão a marcação das suas chamadas locais ora com “011”, ora com “010”, ora com nenhum destes para fazer chamadas que, atualmente, são facilmente marcadas com a extensão constante de oito dígitos. Ou, em outras palavras, para as mesmas  chamadas locais o consumidor terá que saber se vai marcar 8, 9, 10 ou 11 dígitos.
Isso significa que, se o sistema atual já deixa os clientes inconformados quando buscam seus direitos, maior confusão irá ocorrer, pois números iguais em códigos diferentes poderão ser comuns, o que resultará em cobranças indesejáveis, grande número de interceptações por falha na marcação, grandes números de enganos e aumento substancial de reclamações em call center.

E o pior, esta parece ser uma solução temporária, visto que a Anatel sinaliza que dentro de mais um punhado de anos vai implementar mais um número nos celulares de todo o país.

Prós e Contras

Claro, TIM, GVT e Embratel são radicalmente contrárias a essa proposta. As duas operadoras de celular, que por sinal respondem por mais da metade dos terminais em serviço na grande São Paulo, argumentam que há mais de 10 milhões de números em estoque, que, se bem administrados, poderiam dar conta da demanda até que uma outra solução pudesse ser implementada.

A melhor solução definitiva, defendem,  viria com a adoção de mais um dígito (fazendo com o celular passasse a ter nove números, ao invés dos atuais oito números), iniciativa que já foi adotada no Brasil, com sucesso quando se aumento de sete para oito dígitos.

Telefônica e Vivo não querem  adoção do nono dígito e apoiam o código 10. O principal argumento é  que os custos de rede são bem maiores para a implementação de mais um número, ao invés de um novo código de área. A Oi também apoia a solução da Anatel, pois, para a empresa, o fundamental é que nova numeração seja rapidamente liberada para que a competição na telefonia móvel em São Paulo possa se acentuar.  
 

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