Anatel vai ampliar faixa do WiFi para mais de 300 MHz


Tele.Síntese Análise 382 Anatel vai ampliar faixa do WiFi para mais de 300 MHz   “As redes WiFi podem ser as vilãs na Copa das Confederações deste ano e na Copa do Mundo, em 2014, se as operadoras não correrem com projetos de ampliação de suas infraestruturas nessa tecnologia”. O alerta do conselheiro da Anatel, …

Tele.Síntese Análise 382

Anatel vai ampliar faixa do WiFi para mais de 300 MHz

 

“As redes WiFi podem ser as vilãs na Copa das Confederações deste ano e na Copa do Mundo, em 2014, se as operadoras não correrem com projetos de ampliação de suas infraestruturas nessa tecnologia”. O alerta do conselheiro da Anatel, Marcelo Bechara, dá uma mostra da preocupação do governo com o setor de telecomunicações nos grandes eventos mundiais.

 

Para o conselheiro, as operadoras acordaram tarde para essa tecnologia e têm que correr para garantir o atendimento a milhares de usuários em um mesmo local, que querem transmitir dados, fotos e vídeos dos jogos a que estarão assistindo. Os números não escondem o atraso das operadoras brasileiras: são cerca de 10 mil hot spots no país ante os quase 200 mil instalados no Reino Unido, onde foram realizados os Jogos Olímpicos do ano passado.

 

Lá, nos preparativos para os jogos, as operadoras O2, UK, Virgin Mobile, BT e The Cloud estabeleceram pontos de acesso pelas vias da capital londrina e ofereceram sinais gratuitos de WiFi nas áreas públicas, aeroportos, metrôs e estações de trem. Além de garantir a qualidade do serviço móvel com o aumento do consumo do tráfego de dados, o WiFi evita congestionamentos nas redes.

 

Na Coreia do Sul, o número de hot spots também chega a quase 200 mil e, nos Estados Unidos, há 130 mil, segundo a Anatel. Lá, a FCC estuda um projeto de cobertura nacional, chamado super WiFi, utilizando as frequências livres usadas pelas transmissões de TV. “O WiFi deixou de ser um mero desafogador de tráfego para se transformar em um elemento do novo conceito da mobilidade”, entende Bechara.

 

Modelo de negócios

 

O conselheiro avalia que o atraso das operadoras brasileiras na implantação de redes WiFi se deve à falta de um modelo de negócios mais agressivo. “O modelo atual é tímido e se limita a atender basicamente os usuários de suas redes”, diz. Segundo ele, pesquisas nessa área apontam para a necessidade de se evitar a cobrança direta ao usuário final, tendo como opção de remuneração a agregação de valor aos serviços prestados por outros setores.

 

Um exemplo desse modelo é o adotado pela Infraero nos aeroportos brasileiros. A senha de acesso a rede WiFi se dá por meio do código da passagem do usuário. Em cafés, bares e hotéis, o serviço WiFi gratuito passou a ser diferencial que é levado em conta pelos frequentadores na hora de fazer suas escolhas. “A monetização do serviço pode ser feita a partir de acordos entre operadora e prestadores de serviços que são beneficiados com a rede”, assinala.

 

Bechara afirma que o governo estuda incentivos para ampliação da rede WiFi, por meio do programa de Cidades Digitais ou via desoneração direta. O entendimento é de que essa tecnologia pode servir para ampliar o acesso à internet móvel, sobretudo em periferias e áreas desassistidas.

 

A Anatel também avalia oportunidades regulatórias com o mesmo objetivo. Uma delas é a ampliação da banda destinada ao WiFi na faixa imediatamente abaixo de 5,8 GHz. O objetivo é oferecer a possibilidade de maiores velocidades e ampliação do número de fornecedores. A perspectiva da agência é colocar a proposta em consulta pública já nos próximos meses. Pela proposta, a banda destinada para WiFi crescerá de 120 MHz para mais de 300 MHz.

 

Ainda não está fechado, contudo, como deve se dar a ocupação do espectro a ser destinado. O conselheiro Jarbas Valente defende que passe a ser exigido o licenciamento das estações, mesmo com a manutenção da gratuidade de ocupação. Já Bechara, que prefere manter a faixa sem licenciamento, estuda uma alternativa para estimular a ampliação da cobertura dos hot spots sem a necessidade de a Anatel obrigar ao licenciamento da estação.

 

Entre as grandes operadoras móveis, a Oi se destaca em número de hot spots, e a GVT promete atender seus clientes com uma rede WiFi aproveitando a infraestrutura utilizada para entrega de TV por assinatura. Enquanto isso, as pequenas operadoras se apressam para oferecer esse serviço, de forma não gratuita, e já respondem por 20% da receita total, segundo a Anatel.

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