Anatel quer informação por CEP. Operadoras questionam.


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As operadoras de telecom estão preocupadas com os novos custos que poderão surgir e com a granularidade das informações que a Anatel está querendo exigir, a partir da publicação da consulta pública sobre os novos indicadores estratégicos do setor.

As empresas que responderam à consulta pública consideram que a agência está errando na dose ao pedir que as informações sobre os minutos trafegados na rede da telefonia celular sejam fornecidas por cada CEP (Código de Endereço Postal), ou ainda por cada estação rádio-base, no caso das informações de preço do pré-pago.

Alega o SindiTelebrasil, que representa as grandes empresas:

“A  granularidade por CEP é excessiva para tratar de indicadores para acompanhamento do setor. A grande parte das prestadoras atua de forma nacional, algumas poucas de forma regionalizada, sendo assim, trazer um indicador menor que o de Unidade da Federação ou DDD é gerar distorções nos resultados além de tornar a captação dos dados muito mais trabalhosa e custosa para as prestadoras. Para o serviço móvel pessoal essa distorção fica ainda mais latente. No caso do indicador preço, que envolve minutos trafegados, como exemplo, essa distorção será muito maior, uma vez que o CEP constante no cadastro do usuário poderá não ser compatível com a área onde o tráfego foi de fato cursado”

Ou ainda, quando a agência quer que as empresas passem a fornecer informação por cada ERB do pré-pago:

“caso a Anatel insista em impor novas obrigações, necessário destacar que, ao menos para os acessos SMP pré-pagos, a granularidade geográfica deveria ser Área de Registro (AR) e não Estação Rádio Base, haja vista que o acesso SMP pré-pago pode circular livremente na AR que, por sua vez, pode ser composta por diversas estações rádio base”, argumenta a entidade.

A Telefônica, por sua vez, está preocupada também com o uso das novas informações a serem recolhidas. Para a operadora, poderia ocorrer problemas com outras entidades caso a Anatel tornasse públicas informações sensíveis, como a receita operacional por serviço.

A Vogel também argumenta na mesma direção: “incontáveis informações financeiras e contábeis das prestadoras passam a ser de envio obrigatório á agência, tais como seu faturamento, rendimento operacional  liquido, os valores cobrados por cada produto ou serviço prestado aos seus clientes, dentre outras. Informações como essa, de natureza sensível, devem ser tratadas pela Agência em absoluto sigilo, em caráter de confidencialidade”.

A Claro, por sua vez, alerta para os novos custos envolvidos, seja para alterar a granularidade dos dados já enviados, seja por estabelecer envios periódicos adicionais. E A NEOTV pede que as empresas de pequeno porte tenham menos obrigações no envio das informações.

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2 Comments

  1. reinaldo
    16 de Maio de 2018

    Finalmente uma métrica mais racional que evita fraldes causadas pela média, finalmente veremos um dado que corresponde a realidade que vai ressaltar onde os investimentos foram feitos, coisa que tudo mundo já sabe, né? Mas vai reforçar a cobrança por uma distribuição mais justa de infraestrutura, menos centralizada, literalmente falando.

    Quanto, ao valor maior para efetuar essa pesquisa é balela.
    Elas(teles) já contam com cadastro dos clientes, é só arrumar um novo jeito de agrupar os dados já captados e existentes em seus bancos de dados, a Anatel não se importa com o valor arrecadado e isso já sai nos balanços detalhes desses empresas, ela só quer ver quanto de velocidade e qualidade de serviço há por Cep, que é uma métrica muito mais acurada do que por cidade, ai meu amigo não dá para fraldar! Com certeza virão multas ai… Por falta de competitividade, e pode ser que o cartel finalmente fique evidente.

  2. Luiz Alfredo
    19 de Maio de 2018

    Gostaria de saber o que vão fazer para justificar as conexões dos aparelhos em erbs mais distantes do ponto móvel. Um exemplo: eu moro numa cidade em que as 3 estações da operadora ficam a cerca de 3km de distância, porém o terminal móvel (leia simcard), se conecta a uma antena localizada a… 15 km, em outra cidade, isto quando não se conecta a outra, de uma segunda cidade, localizada a 18km…. E ainda fala que o problema de conectividade é distância da antena… Eu já acredito que é motivada pela tecnologia da antena, as que o chip se conecta são mais antigas, e a transmissão móvel é de menor capacidade, logo: Para pré pagos……