Anatel pune Intelig por sumidouro de tráfego


Nos tempos de banda larga, há ainda que consiga fazer um grande “negócio” com a internet discada. Pois era o que estava sendo praticado pela Intelig, que há cerca de um mês recebeu um comunicado da Anatel para parar, “pelo bem do interesse público”,  com uma de suas promoções comerciais. A operadora estava estimulando, até mesmo com anúncios,  que os provedores de internet adotassem a prática do “sumidouro de tráfego”, e com isso dividia um pouco dos lucros que vinham das incumbents com esses provedores e com os clientes que participavam da iniciativa.

O esquema é simples. Os usuários contratavam da Telefónica e da Oi 30 ou 40 linhas telefônicas e, com um software cedido pelos provedores de internet, acessavam diaramente a web no período das 0:00 às 6 horas. A partir das seis horas em ponto, os sistemas se desligavam da internet. Por que este trabalho? Ora pela regulamentação atual, nessas seis horas noturnas, o cliente desembolsa só o  valor de um minuto (pois a cobrança é feita por chamada) mas a Intelig (operadora onde estavam “pendurados” os provedores) recebia a tarifa de interconexão – paga pelas donas da linhas telefônicas – por minuto de conexão. Ou seja, o cliente pagava por um minuto e a Intelig recebia por 360 minutos.

Depois de algumas tentativas de negociação, a Anatel decidiu punir a operadora por estimular esta prática ilícita, pois ela promove a “transferência de recursos de muitos para muito poucos”, entendeu a área técnica da agência, que autorizou ainda as concessionárias a segregarem este tipo de tráfego, para não gerar mais receitas para a operadora e seus “sócios”.

É bem verdade que esta prática estava sendo adotada antes de a Telecom Italia assumir integralmente o controle da operação, que, por sua vez, reclamou agora contra as concessionárias que teriam extrapolado nesta “segregação” de tráfego, deixando de pagar tarifa de ligação telefônica efetivamente realizada.  

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