Conforme fontes da agência, não há razão objetiva para que o calendário não seja cumprido. A Abrint argumenta que é muito exíguo o tempo concedido pela agência para que os pequenos provedores, empresas que pela primeira vez podem comprar frequências licenciadas, consigam elaborar as propostas com base em um bom modelo de negócios.

Mas para a Anatel, a  licitação deve ser mantida até porque já começou a receber propostas de interessados. Conforme o edital, todas as empresas que vão participar do leilão devem fazer chegar na sede da agência em Brasília sua documentação de qualificação e  de preço até o próximo dia 10 de dezembro. As grandes empresas que vão participar do leilão podem mandar seus advogados para Brasília no próprio dia 10 e protocolar toda a papelada. Mas aqueles que vão disputar o lote C,  (aquele voltado para os pequenos provedores e que está vendendo faixas de 1.900 MHz e 2.500 MHZ em TDD para a banda larga fixa), estão preferindo não correr riscos com os Correios, e já estão enviando suas propostas.

A Anatel está recebendo  envelopes de diferentes estados brasileiros desde o início dessa semana. Há algumas previsões de que, em alguns estados, como o Rio Grande do Sul, por exemplo, mais de 30% do espectro do lote C deverá ser  comprado. Mas há propostas chegando também de diferentes estados nordestinos.

A Abrint alega que os provedores estão encontrando dificuldades em conseguir “amarrar” com os fabricantes de equipamentos preços e condições de pagamentos razoáveis, para que coloquem o negócio em pé, tendo em vista que terão apenas 18 meses para ocupar o espectro, sob o risco de perdê-lo, conforme prevê o edital.

Há alguns dias, o presidente da Anatel, João Rezende, em evento realizado pela própria Abrint, anunciava que iria se reunir com alguns fabricantes de equipamentos, pois considerava que os preços estava mesmo salgado. Conforme estimativas do Teleco, a construção da rede sem-fio para ocupar as frequências do lote C não custaria menos de R$ 1 milhão e poderia chegar a até R$ 10 milhões. Com tecnologia LTE. Mas alguns provedores já estavam buscando outras tecnologias, mais baratas.

Novas vendas

Outra razão para o não adiamento é que  agência estuda ainda alternativas para  tornar mais frequentes as vendas do espectro que ficarão em estoque. A ideia inicial da área técnica da Anatel, de criar um tipo de “leilão permanente de frequências” não parece ter prosperado junto ao Tribunal de Contas da União (TCU). Mas não se descartou a possibilidade de se fazer leilões com mais frequência, mantendo os preços mínimos já aprovados.