Anatel dá novo recado: acesso a internet não é regulado e rentabilidade é escolha empresarial


Na disputa entre as operadoras de telecomunicações e as empresas de internet, que prestam serviços OTTs (Over the Top) pelas redes das teles, a Anatel deu mais um recado contra as telcos que reclamam de desvantagens regulatórias entre os dois segmentos.

O conselheiro da agência Rodrigo Zerbone, alertou, em painel no Futurecom, que as operadoras de telecom não podem ficar reclamando sobre a queda de rentabilidade com a comunicação de dados, tendo em vista que o acesso à internet não é regulado pela Anatel. “O acesso à internet tem preço e modelo de negócio livres. Tráfego e rentabilidade são uma escolha, e não imposição regulatória”, afirmou o conselheiro.

Disse que o estímulo ao consumo de dados infinito, se é menos frequente no segmento móvel,  é bem mais frequente na banda larga fixa, por uma decisão exclusiva das empresas. ” As operadoras escolheram esse caminho”, salientou.

Fim de regulação

Zerbone assinalou que a menor intervenção regulatória está diretamente proporcional à qualidade de serviço. ” A retirada de intervenção regulatória não é bem-vinda quando o serviço não é bem prestado”, enfatizou.

O diretor da Accenture, Ricardo Distler, afirmou que, mesmo que as operadoras de telecomunicações tenham que fazer seu dever de casa, o fato é que as cinco primeiras empresas de OTT (como Facebook, Google, etc.) valem US$ 2,5 trilhões, enquanto as cinco maiores telcos valem R$ 500 bilhões. “Se as operadoras não reagirem, essa relação tenderá a ficar maior nos próximos anos”, concluiu.

 

 

 

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