Anatel acompanha expansão da rede 3G para evitar panes


A Anatel está acompanhando a evolução da rede 3G no país, os investimentos que estão programados e se os planos de expansão estão compatíveis com o crescimento do serviço. Segundo o superintendente de Serviços Privados da agência, Jarbas Valente, a rede de 3G no Brasil foi dimensionada com base nas redes de outros países, com …

A Anatel está acompanhando a evolução da rede 3G no país, os investimentos que estão programados e se os planos de expansão estão compatíveis com o crescimento do serviço. Segundo o superintendente de Serviços Privados da agência, Jarbas Valente, a rede de 3G no Brasil foi dimensionada com base nas redes de outros países, com capacidade de tráfego de 2 Gbps, “mas aqui estão sendo consumidos 8 gigabites”, disse.

Segundo Valente, 95% desse tráfego estão concentrados em 5% dos assinantes, especialmente pessoas jurídicas. “É uma utilização muito grande da rede e surpreendeu a todos. Vimos que era preciso agir para assegurar a qualidade do atendimento”, disse. Entre as providências tomadas pelas próprias operadoras, adotada após reuniões com técnicos da Anatel, estão a de suspender as propagandas sobre o serviço e a de reduzir a comercialização do serviço. “Paralelamente, estabelecemos uma lista de ações a serem feitas para ampliação da capacidade das redes, com o objetivo preventivo de evitar falhas”, disse.

Essas ações, que estão em andamento, requerem investimentos em torno de R$ 5 bilhões a mais do que as operadoras programaram, disse Valente. As operadoras já instalaram, por exemplo, 10% mais de erbs (estações radiobases), elevando para quase 50 mil unidades espalhadas pelo país. “Não houve planejamento errado, porque foi baseado na demanda de outros países, mas a demanda reprimida por acesso à internet elevou à estratosferas o crescimento do serviço”, disse.

Novas aplicações

Valente ressalta que, nos últimos cinco meses, o número de vendas de 3G, mesmo sem propaganda, aumentou 100%, o que reforça a necessidade de expansão da rede para dar garantia na qualidade do serviço. “Se o cara não consegue nem baixar os arquivos, navegar na internet e nem acessar bancos para pagar contas, imagine com as novas aplicações que estão chegando, como pagamento por celular, rastreamento e outras”, questiona.

O superintendente de Serviços Privados da Anatel disse que a procura por 3G não se resumiu aos grandes centros. Nas pequenas cidades, onde o serviço teve que ser implantado, por conta das contrapartidas incluídas no leilão da freqüência, a procura tem sido inesperada. “A previsão é de que metade dos 1.836 municípios fosse atendida até abril deste ano e a outra metade em abril de 2010 e eles já atenderam 1.100 municípios, inclusive com serviço de banda larga, que só estava previsto para daqui a cinco anos”, disse.

Para atender a essa demanda no interior, conta Valente, foi preciso criar rede e, principalmente, por satélite e a capacidade de 8 Gbps vai ficar pequena. Por esta razão, a Anatel já está estudando a inclusão das bandas KA, C e KU, de altas capacidades nas próximas licitações de opções orbitais, porque é difícil chegar com fibra nesses municípios. “Já estamos conversando com as empresas de satélites e esperamos fazer a licitação ainda este ano. Depende das nossas discussões com o TCU sobre o preço”, disse.

Backbone e frequências

O uso excessivo da rede 3G chegou a comprometer um pouco o serviço de voz, admitiu Valente. A questão, no entanto, informou, está sendo solucionada com o aumento da capacidade da comutação. “Essa também é uma preocupação da equipe técnica que está acompanhando o desenvolvimento das redes das operadoras”, disse. Ele advertiu que os trabalhos ainda estão no começo e envolvem também o aumento da capacidade dos backbones e do backhaul municipal.

Depois das soluções de equipamentos, Valente prevê que haverá necessidade de mais banda, caso o crescimento do serviço se mantenha. “Espero que a falta de frequências não atinja a qualidade do serviço até 2014, quando estarão disponíveis”, disse.

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