Analistas comentam reajuste negativo da tarifa. Ações caem.


 O reajuste negativo nas tarifas da telefonia fixa, anunciado hoje pelo ministro Hélio Costa, não agradou os analistas do mercado financeiro, que, apesar de tudo, não foram surpreendidos. “Não altera o cenário, que é de declínio do setor”, destaca Roger Oey, do Banif Investment. “Nossa previsão era de zero ou um pouco acima de zero”, …

 O reajuste negativo nas tarifas da telefonia fixa, anunciado hoje pelo ministro Hélio Costa, não agradou os analistas do mercado financeiro, que, apesar de tudo, não foram surpreendidos. “Não altera o cenário, que é de declínio do setor”, destaca Roger Oey, do Banif Investment. “Nossa previsão era de zero ou um pouco acima de zero”, acrescenta. Para as incumbents Telemar, Brasil Telecom e Telefônica, os reajustes ficaram negativos em 0,5134%, 0,4222% e 0,3759% respectivamente.

Eduardo Roche, do Banco Modal, criticou Hélio Costa por ter feito o anúncio. “Não é ele quem deve fazer esse tipo de coisa. E não é a primeira vez que acontece. Ainda esperamos a posição oficial da Anatel”, observa ele, contando, talvez, com uma possível reação das empresas, que não usaram o fator de excursão (de 5% sobre um dos itens da cesta de índices) e tiveram a produtividade recalculada à revelia pela Anatel. A notícia dada pelo ministro causou queda nas ações das operadoras (em um dia ruim da Bovespa, vale frisar), intensificada no final do dia. A BrT Participações ON caiu 7,48% e a Telemar NL PN, 6,34%, duas das maiores baixas do dia.

Incertezas
A analista do Banco Espírito Santo, Luciana Leocádio, divulgou relatório ontem, já com a previsão de queda da tarifa, onde reduzia as estimativas das incumbents em meio a incertezas. O reajuste (ou a falta dele) é um dos fatores apontados por ela como motivo pelo qual as operadoras não se recuperarão no segundo trimestre do ano. No caso da receita bruta, as previsões do BES Securities foram reduzidas em 4,3% (Telemar), 2,3% (Telesp),  2,5%  (Brasil Telecom) para o ano de 2006.

“Com a estagnação das linhas em serviço, a tendência decrescente no tráfego de voz e o reajuste negativo nas tarifas, acreditamos que a receita vinda dos serviços tradicionais de telefonia fixa deve apresentar redução no ano de 2006”, confirma Felipe Cunha, do Brascan.

Mas, para Roger Oey, tudo já era esperado e as empresas de telefonia deverão manter sua estratégia para alavancar receita, com apostas em banda larga e telefonia celular, além de novos produtos. Ele cita o lançamento de serviço baseado em CTP da Brasil Telecom (para convergência fixo-móvel) e a intenção da Telefônica de lançar TV por satélite.

Anterior O quadruple play está chegando
Próximos Surge um novo nome para a Anatel: César Rômulo.