América Latina já responde por 11% das receitas da Huawei


Os negócios da Huawei na América Latina cresceram 71% no ano passado, na comparação com as vendas de 2007 — percentual superado apenas pelo crescimento de 86% registrado na região Ásia-Pacífico, no mesmo período. O bom desempenho na região pode resultar em investimentos diretos e na instalação de um centro de pesquisa e desenvolvimento para …

Os negócios da Huawei na América Latina cresceram 71% no ano passado, na comparação com as vendas de 2007 — percentual superado apenas pelo crescimento de 86% registrado na região Ásia-Pacífico, no mesmo período. O bom desempenho na região pode resultar em investimentos diretos e na instalação de um centro de pesquisa e desenvolvimento para atender a região. "A América Latina é uma região definitivamente importante para a Huawei, especialmente o Brasil que, como dizemos aqui, é o grande mercado e os recursos a serem investidos devem refletir isso", afirmou Ross Gan, chefe global da comunicações corporativas da Huawei Corp. em entrevista ao Tele.Síntese, durante o Brazil Media Tour, realizado na semana passada pela empresa, na China. Segundo ele, a América Latina representou cerca de 11% dos contratos de vendas da empresa no ano passado. O faturamento global da Huawei, em 2008, foi de US$ 23,3 bilhões e a expectativa para este ano é de US$ 30 bilhões, apesar da crise.

Para manter o ritmo de crescimento, a estratégia da companhia passa por investimentos em pesquisa e no lançamento de novos produtos, seja com foco nas operadoras de telecomunicações, no mercado corporativo ou no usuário final. Com 14 centros de P&D já instalados e uma joint venture (com a Nokia Siemens) para um centro de inovação, a empresa busca também parcerias com operadoras ou indústrias (já tem acordos nesse sentido com empresas como IBM, HP, Symantec e Motorola, entre outras). Ross Gan explicou que a filosofia da empresa é discutir com as operadoras a inovação para focar nos investimentos, o que pode resultar em parcerias ou até na instalação de um novo centro de pesquisa e desenvolvimento. "Quero dizer que, operacionalmente, a questão se vai instalar ou não um centro na América Latina tem que estar alinhada com as nossas oportunidades no mercado. E, definitivamente, o Brasil é um grande e importante mercado para nós e isto está sendo discutido com os stake holders, mas, de que forma isso vai evoluir ainda é pré-maturo dizer", afirmou o executivo. Ele explicou que os centros de P&D podem ser instalados em parceria com operadoras ou com institutos de pesquisa. "Isso varia de mercado a mercado e, no caso do Brasil, essa discussão está na pauta", reafirmou.

No caso da joint entre a Huawei e Nokia Siemens, por exemplo, um dos focos de inovação foi no desenvolvimento da tecnologia para atender a China Mobile, que adotou o padrão TD-SCDMA (Time Division-Spatial Code Division Multiple Acces) para a rede 3G. Segundo o diretor de Wireless da Huawei, Xingang Lu, a joint responde por 25% da rede da China Mobile, instalada no ano passado e em fase de otimização. A China Mobile foi a única operadora a adotar esse padrão no país para a 3G. A China Telecom optou pelo WCDMA e a China Unicom pelo CDMA EVDO.
 
Os 14 centros de P&D da Huawei em funcionamento estão instalados, em sua maioria, na Ásia (oito unidades), na Europa existem três e na América do Norte outros três. Em Xangai, funciona um centro de P&D para wireless (em fase de ampliação) e, em Pequim, um centro dedicado a pesquisa e desenvolvimento na área de dados. A companhia mantém 29 centros de suporte técnico espalhados pelo mundo e fabrica seus próprios semicondutores no Vale do Sílicio, nos Estados Unidos.

Crescimento em serviços

Com apenas 21 anos, e há dez no mercado externo, os planos da Huawei são de continuar crescendo independente da crise. Além de manter os investimentos em P&D, cerca de 10% de seu faturamento anual vão para pesquisa, a estratégia visa também crescimento em serviços. Segundo Ross Gan, 70% da receita da companhia ainda vem de equipamentos para infraestrutura e apenas 30% de serviços, mas a tendência é de aumentar os negócios com serviços.

A empresa está organizada em quatro áreas principais: infraestrutura, software, serviços e terminais e, apesar do peso de infraestrutura na composição da receita, já há um "reconhecimento dentro da Huawei de que serviços serão um importante fator de crescimento", comenta Ross. "Eu não tenho um número específico, mas esperamos crescimento em serviços e software no médio prazo", diz ele. O Brasil deve seguir essa tendência. No ano passado, o faturamento da unidade brasileira foi de US$ 1 bilhão e os negócios foram impulsionados pela expansão das redes 3G, com a venda de estações radiobase. A fabricante trouxe para o mercado um modelo de ERB que chama de estação distribuída (instalada em duas partes, o equipamento se diferencia também por usar fibra ao invés de cabo coaxial na conexão). No auge da expansão das redes 3G no país, a Huawei instalou mais de 12 mil desses sites. Segundo a empresa, o modelo gera economia de 80% de energia e 75% de espaço, contribuindo para a redução do custo total de operação.

Além das ERBs, a fabricante teve bom desempenho também na venda de equipamentos para banda larga fixa no país, atingindo uma participação de 54% no mercado de xDSL, em 2008, e dominou o mercado brasileiro de modens 3G, com 70% das vendas.

* A jornalista viajou a convite da Huawei.

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