Algar defende mudança no modelo de negócios da internet


O modelo de cobrança na internet, baseado na velocidade de banda contratada, está superado. Essa é a visão do diretor de marketing e vendas no varejo da Algar Telecom, Oswaldo Carrijo, apresentada durante painel sobre internet no VII Seminário Telcomp, que se realiza em São Paulo. “O modelo atual foi desenhado quando o grande tráfego era email. Hoje o grande tráfego é dados. A realidade é outra, a demanda por rede é muito maior. Defendo que a cobrança da banda larga fixa seja feita por volume. Senão, as operadoras não vão poder fazer os investimentos necessários”, disse.

Carrijo disse que a mudança do modelo de cobrança não fere a neutralidade. “Não haverá priorização de tráfego”, disse, mas sugeriu que poderia haver negociação por volume. Ideia que foi considerada perigosa por Paula Pinha, diretora de políticas públicas da Netflix nos Estados Unidos. “Negociações desse tipo são perigosas, pois um provedor de conteúdo do porte da Netflix teria um poder de negociação infinitamente maior do que de um provedor menor de conteúdo”, destacou.

Neutralidade

Ao defender a neutralidade, a diretora da Netflix disse que, se fosse no Brasil, a empresa não teria que pagar pedágio a uma operadora porque a legislação obriga as teles a garantirem disponibilidade de rede para provedores de serviço de valor agregado. Isso, segundo ela, não existe nos Estados Unidos.

Assim como ela, Nathalia Foditsch, advogada do Aspen Institute, falou da importância do Marco Civil da Internet brasileiro para a garantia da neutralidade da rede. Embora o presidente Barak Obama tenha defendido, em pronunciamento realizado ontem, que a banda larga seja reclassificada como serviço de telecom, a advogada observou que, em função da maioria republicana no Congresso dos Estados Unidos, dificilmente uma regulamentação mais dura para as teles seria aprovada. Em sua opinião, a tendência é uma regulamentação heterogênea, mais rigorosa na última milha e mais flexível no acesso à rede.

Anterior PL que reduz Fistel por qualidade passa em comissão do Senado
Próximos Telefônica Vivo vai pagar à vista frequência de 700 MHz e desembolso será menor