Alcatel-Lucent planeja crescer 20% em 2008, no Brasil.


{mosimage}Com os problemas naturais decorrentes de uma fusão já superados, a subsidiária brasileira da Alcatel-Lucent acredita que 2008 será um ano muito positivo. Seu presidente, Jonio Foigel, espera uma expansão de 15% a 20% na receita, em relação a 2007 – ano que também foi positivo para a empresa. “Conseguimos fazer mais do que Alcatel e Lucent somadas”, anuncia.

Com os problemas naturais decorrentes de uma fusão já superados, a subsidiária brasileira da Alcatel-Lucent acredita que 2008 será um ano muito positivo. Seu presidente, Jonio Foigel, espera uma expansão de 15% a 20% na receita, em relação a 2007. Sem falar em números, ele diz que o ano passado também foi muito positivo. “Conseguimos fazer mais do que Alcatel e Lucent somadas”, diz ele, que admite que rompeu o ano com pé direito. A empresa conquistou um contrato de manutenção global com a Brasil Telecom e vai fazer, para a Oi, a segunda fase das metas de universalização, com instalação de rede telefônica em 1,6 mil localidades.

O fato de não ter se saído bem nas licitações de infra-estrutura das redes de 3G era de certa forma esperado. E Foigel espera superar essa desvantagem, com a conquista de muitos contratos de sistema de transmissão, tanto para redes móveis quanto fixas. Na área de acesso para rede fixa, comemora um milhão de acessos ADSL instalados pela empresa, que também cresce no mercado corporativo.

Se são muitas as boas notícias, também há problemas graves e novos. A maior preocupação de Foigel, no momento, é com a concorrência de mão-de-obra temporária, trazida do exterior na condição de turista e não submetida à legislação trabalhista brasileira. A prisão, pela Polícia Federal, de chineses que entraram como turistas e estariam trabalhando para a chinesa Huawei é um episódio que Foigel considera gravíssimo. Ele quer não só que as autoridades ajam com rigor, mas que as operadoras sejam rigorosas na fiscalização de seus contratados, para não compactuarem com o trabalho ilegal de estrangeiros. “Isso destrói o valor que podemos agregar no país, que é a engenharia nacional”, afirma.

Tele.Síntese – A Alcatel, até em função do processo de fusão com a Lucent e compra da área de celular da Nortel, não está bem posicionada no mercado brasileiro de 3G. Tem chances em uma única operadora, já que ficou fora das demais. Como recuperar, em outros segmentos de mercado, o que não conquistou nessas concorrências?
Foigel –
Por enquanto, os resultados não surpreendem, pois nós já sabíamos que, dos cinco  operadores que temos no mercado, em três não tínhamos praticamente chance nenhuma por uma razão histórica – nunca fomos seus fornecedores na área de infra-estrutura celular. Por isso, nossa expectativa em relação a esse mercado não era enorme. Estamos trabalhando onde podemos ser mais competitivos. Falta a Brasil Telecom tomar a decisão sobre a 3G, e aí temos uma esperança de sermos escolhidos. Agora, é preciso lembrar que as redes  móveis demandam sistemas de transmissão, e aí a posição da Alcatel-Lucent é muito forte: temos rádio, sistemas ópticos. Também somos competitivos em soluções WiMAX, que será o próximo mercado a explodir no Brasil com a finalização de todo o processo de 3G. Vamos ter este ano a licitação das freqüências. Ou seja, temos posições fortes em vários mercados, sem falar no contrato de manutenção global da Brasil Telecom, que ganhamos recentemente. Eu estou começando o ano mais otimista do que nunca, mesmo não tendo vencido, até agora, contratos na parte de acesso de 3G.

Tele-Síntese – Você disse que a Alcatel-Lucent pode vir a ter boas oportunidades no segmento de transmissão para redes móveis. Qual a participação da transmissão nos investimentos?
Foigel –
Nenhum operador monta uma rede sem uma grande estrutura de transmissão de dados. A Claro e a própria TIM têm dito que 2008 vai ser o ano de se montar grande rede de transmissão de dados. E nós teremos uma grande oportunidade nesse mercado. Tem operador que vai gastar não digo a soma igual mas, talvez, metade do que está gastando em 3G, no que chamamos transmissão de dados.

Tele-Síntese – Qual é o impacto da troca de metas de universalização das concessionárias, que serão obrigadas a levar infra-estrutura de banda larga a todos os municípios brasileiros em três anos, no segmento da transmissão?
Foigel –
No que se refere transmissão óptica ou por rádio, a proporção é de dois para um. A cada R$ 1 investido na rede de dados, você hoje praticamente está investindo o dobro na rede de transmissão.

Tele.Síntese – Quer dizer que dois terços do investimento que será feito no backhaul, da ordem de R$ 1,1 bilhão, vão para sistema de transmissão?
Foigel –
Talvez um pouco mais, porque são grandes distâncias. Embora essa rede vá ter uma parte de IP expressiva, a área de transmissão ainda é a grande consumidora, porque você precisa ter redes seguras para transmitir os dados de um lado para o outro. Assim, 2008 ainda será um ano de grandes investimentos em transmissão, tanto nas novas redes móveis como nas redes das operadoras que vão estender o backhaul, além das demandas do cabo que estão sendo cada vez maiores.

Tele.Síntese – Alguns analistas imaginam que, se sair a licitação do WiMAX neste ano e começarem a andar os projetos de IPTV, os investimentos das operadoras poderão chegar aos R$ 14 bilhões. Qual é a sua expectativa?
Foigel –
Temos um histórico de investimento que não deve se alterar muito. Vai haver um pouco mais de investimento este ano em 3G, se comparado ao investimento em 2G que já tinha sido freado pelas operadoras. Imagino que ele vai representar 15% do investimento total, ou um pouco mais, pois os preços vêm caindo muito. Mais 20% a 30% vão para a parte de transporte, tansmissão; uns 10% no acesso do ADSL; de 15% a 20% no núcleo da rede e em aplicativos. O restante vai para infra-estrutura. A divisão do investimento deve ser mais ou menos esta e ele vai crescer um pouco em relação ao ano passado.

Tele.Sínte – A Alcatel-Lucent tem oferta para todas essas demandas?
Foigel –
A única coisa que praticamente se definiu até agora foi a compra de 3G, da parte de acesso. As demais definições estão acontecendo agora, e estamos no jogo. Como eu tinha lhe falado, nós temos o projeto de manutenção da Brasil Telecom, pegamos a fase dois do PGMU (plano geral de metas de universalização da Oi) para 1.600 localidades (instalação de central telefônica e infra-estrutura de rede), estamos praticamente em todos os pacotes de transmissão, no acesso a banda larga. Estamos instalando hoje quase 100 mil linhas/mês de ADSL na Oi, que está com um grande programa de ampliação da cobertura para mais de 400 municípios de sua área. Agora, com esse compromisso das concessionárias colocarem banda larga em todas as escolas públicas urbanas, esse mercado vai ficar ainda mais aquecido. Então, o que nós estamos vendo é que este será um ano bom em investimento. Eu acredito que a Alcatel-Lucent vai crescer entre 15% e 20%, mesmo sem ter tido os grandes pacotes de 3G.

Tele. Síntese – Você mencionou que a Alcatel-Lucent terá mais oportunidades no WiMAX do que teve na 3G. Por que ela será mais competitiva? Como você avalia esse mercado?
Foigel –
Não é uma questão de competitividade, é uma questão do histórico das empresas. Quem não tinha histórico em 2G, naturalmente teve mais dificuldades para vencer a disputa em 3G, a não ser se a estratégia fosse comprar mercado, o que não era o nosso caso. Em relação ao WiMAX, eu vejo três segmentos de mercado: a Embratel, porque precisa aumentar a rede e o WiMAX é uma excelente solução; as incumbents, como complemento de cobertura aonde o ADSL não tem uma performance boa, ou porque o centro de fios está longe ou a situação do cobre não é boa; e as celulares, porque, no futuro, vão ter de utilizar quase todo o espectro de 3G para suportar a voz, e para dados terão que complementar com a freqüência do WiMAX. É ainda solução eventual para operadores regionais que vão tentar abrir um nicho de mercado.

Tele. Síntese – Você não mencionou o segmento das cidades digitais. Não se trata de um mercado que pode crescer?
Foigel –
É verdade, esse é um mercado com potencial, especialmente em cidades onde as prefeituras têm uma receita razoável. Começamos, no ano passado, com alguns projetos que estão começando a engatinhar, são cerca de 12, entre os quais o de Mauá, no estado do Rio de Janeiro. 2008 vai ser bom para esses projetos, mas o mercado só vai deslanchar no ano que vem, pois este é um ano complicado por ser ano eleitoral, com limitações de investimento.

Tele.Síntese – Com a extensão da infra-estrutura da banda larga e também da cobertura celular para todos os municípios num prazo de três anos, o desafio da indústria é conseguir fornecer soluções de acesso mais baratas, tendo em vista que metade das cidades brasileiras não são mercados com atratatividade econômica. A Alcatel-Lucent tem soluções voltadas para a demanda de países pobres? Quais são elas?
Foigel –
Nós temos parceria em vários países da Ásia, com condições semelhantes às do Brasil, onde estamos ajudando a incrementar banda larga no sentido social. E estamos prontos a trazer essas soluções.

Tele.Síntese – A compra da Brasil Telecom pela Oi recoloca a discussão da concentração de mercado. Como fica o fornecedor? Você acredita que haverá um novo ciclo de concentração dos fornecedores, ou que esse processo já se encerrou?
Foigel –
Veja, se você concentra operadoras você concentra fornecedores, não há como sair dessa equação. Nós temos um ciclo que começou alguns anos atrás nos Estados Unidos, se estendeu para a Europa – a concentração da própria Telefônica, agora com o pé na Telecom Italia. A receita está caindo, a competição é maior, então, as operadoras têm que buscar cada vez mais redução de custos e escala. Esse é o ciclo que estamos vivendo. Aqui no Brasil, a concentração começou com a compra das operadoras de tevê por assinatura, de um lado, com a compra da Telemig Celular pela Vivo, a provável aproximação da Vivo ou da TIM com a Telefônica, da Embratel e a Claro, além da fusão Brasil Telecom-Oi. É um movimento esperado. Temos que nos adaptar à realidade do mercado. No caso da compra da Brasil Telecom pela Oi, como atuam em áreas complementares com superposição muito pequena no mercado corporativo, não vai haver grande impacto no investimento e, portanto, para os fornecedores. Nós temos presença nas duas empresas, e esperamos continuar contribuindo para seu crescimento.

Tele. Síntese – E do lado dos fornecedores, devemos esperar novos movimentos?
Foigel –
Acho que essa é uma possibilidade. Não sei se vamos continuar tendo 5, 6 fornecedores para cada tecnologia como hoje; e em alguns produtos esse número sobe para 8. É uma disputa muito acirrada, ainda mais com fornecedor que tenta comprar mercado, o que torna os preços irreais para garantir a sobrevivência. Vejo que esse é um ciclo espiral que não termina pelo menos nessa fase, enquanto não se atinge um ponto de equilíbrio.

Tele.Síntese – No passado, tanto a Alcatel como a Lucent tiveram fabricação no Brasil e faziam investimentos em pesquisa e desenvolvimento, como contrapartida aos incentivos fiscais. Hoje, a empresa praticamente não produz nada no país. Como fica a área de P&D?
Foigel –
Nós temos quase mil engenheiros na empresa e, com o contrato da Brasil Telecom, vamos ter 4 mil pessoas. Nossa maior contribuição é esse número de funcionários, boa parte deles trabalhando em serviços. Minha grande preocupação hoje é a competição de trabalhadores trazidos de fora, que entram como turistas, como aconteceu recentemente. É uma concorrência predatória porque é uma mão-de-obra que não cumpre a legislação do país e, portanto, é muito mais barata. A Polícia Federal fez uma operação contra um dos meus concorrentes (a Huawei). O que está mais me preocupando não é nem o problema de investir em P&D, uma conseqüência da sua estabilização — quando você está estável, começa ter engenharia boa, desenvolve coisas e a empresa reconhece e passa a olhar aquele núcleo como parte desenvolvimento dela –; minha grande preocupação é quando, para atender uma licitação, um concorrente meu traz mão-de-obra temporária de fora.

Hoje, nossa fabricação local se resume a pequenas centrais da Lucent, para o mercado interno e externo. Em nossa área não faz mais sentido P&D de hardware, mas sim de software. Temos uma boa equipe para implantação de software de redes de celulares, que foi se desenvolvendo especialmente para as nossas necessidades e, hoje, tem sido chamada a atender outros países. Nossa equipe de software para redes móveis está atuando em 12 países diferentes.

Tele.Síntese – Você falou que espera, em 2008, crescer de 15% a 20%. E como a empresa se comportou em 2007?
Foigel –
Não posso falar muito sobre números, mas o desempenho foi melhor do que esperávamos. Nós conseguimos fazer mais do que a soma das duas empresas, o que é muito já que o primeiro ano pós fusão é sempre muito difícil. Nosso desempenho foi bom em quase todas as áreas, inclusive na parte de celulares, onde tivemos uma quantidade razoável de contratos de rede 2G. Em relação ao WiMAX, conseguimos o contrato da Brasil Telecom e o trial da TIM. Acho que nunca vendemos tanto acesso de banda larga, em quantidade, como vendemos em 2007. Nós aproximamos de quase um milhão de acessos ADSL instalados. Em transmissão, realmente houve um crescimento enorme de redes tanto no caso da Oi quanto a Telefônica e Embratel. E na área de serviços também avançamos.

Tele.Síntese – O mercado corporativo cresceu?
Foigel –
Cresceu muito, nós aumentamos em quase 30% nossa porção no mercado corporativo. Temos contratos como Votorantim, Banco do Brasil, Caixa Econômica; renovamos outros muito bons como Suzano, Presidência da República. E estamos muito bem na área de call centers, fechamos  praticamente todos os bancos. 2007 foi bom, mas 2008 deve ser melhor, pois existem setores como o de energia, que teve os investimentos represados até por conta das questões políticas de condução do setor, que agora vão ter de investir. A Eletronorte, por exemplo, está com uma concorrência para rede de telecomunicações.

Tele.Síntese – Quais são os três principais desafios que você vê pela frente?
Foigel –
Minha maior preocupação, como já disse é a questão da mão-de-obra. Quero competir em condições de igualdade, com regras limpas e vou trabalhar para sensibilizar as operadoras e as autoridades para que não se permita trabalhadores ilegais nesse mercado. Estamos falando de empregos qualificados em serviços, segmento em que é possível agregar competência local; estamos falando de engenharia. É engenharia que eu faço, é implementação, é customização para o meu cliente. Esse trabalho alimenta a demanda por engenheiros ou pessoal de nível universitário.

O segundo desafio é manter a economia brasileira em expansão e que se consiga enfrentar as turbulências, que essas ondas negativas nos atinjam da maneira mais leve possível. E, em terceiro, que nossa empresa continue desenvolvendo produtos de primeira linha, para que a gente possa competir no mercado com tecnologias boas  e com preço competitivo.

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