Afinal, qual foi o impacto no mercado do adiamento do leilão de freqüências?


A considerar a diversidade das análises, é difícil avaliar os reflexos de mais uma postergação da licitação das freqüências de 3,5 e 10,5 GHz. Quando será feita? Com certeza, não antes das eleições. Quanto às reações, variam da ira ao ceticismo, da satisfação à quase indiferença. Ou, parodiando Shakespeare, “Too much ado for nothing” – …

A considerar a diversidade das análises, é difícil avaliar os reflexos de mais uma postergação da licitação das freqüências de 3,5 e 10,5 GHz. Quando será feita? Com certeza, não antes das eleições. Quanto às reações, variam da ira ao ceticismo, da satisfação à quase indiferença. Ou, parodiando Shakespeare, “Too much ado for nothing” – muito barulho por nada. Dito de outro modo, as conseqüências do adiamento são proporcionais ao porte dos agentes envolvidos. De um lado, uma Intel ou uma Cisco passam ao largo do acontecimento, as concessionárias também. Uns, porque ganham tempo para desenvolver produtos que não têm, outras, fôlego para desenhar um modelo de negócios que, por enquanto, não fecha. De outro, fornecedores especializados e de menor porte como Alvarion, Aperto ou RedLink, ou provedores do grupo TelComp, podem estar em situação diversa. Os primeiros porque vieram ao país contando com um mercado promissor a curto prazo, montaram estrutura, trouxeram produtos que colocaram em testes nas empresas, e não venderam nada, ou quase. Os provedores porque contavam com uma tecnologia complementar para estender as suas ofertas e, no caso de muitas controladas por investidores estrangeiros, ficou difícil justificar pedidos de recursos para investir numa licitação que, hoje, não se sabe quando será feita.

Na análise de executivos de grandes indústrias, a Intel, em particular, não teria ficado infeliz com o adiamento. Porque para uma gigante que depende de um único produto — chipsets — cujo mercado principal, o de computadores, está em declínio, restou jogar as fichas (e há US$ 1 bilhão destinado ao marketing) na criação de outro, o Wi- MAX, que venderá como a quarta geração celular. Se o WiMAX será ou não a 4G, ninguém sabe. Além disso, tanto a Intel como a Cisco preferem que as concessionárias participem do leilão, porque compram grandes volumes.

No caso de outras grandes empresas como a NEC, por exemplo, desenvolvem soluções próprias nas matrizes para seus mercados domésticos, que devem ficar prontas em 2007. Essas companhias consideram o WiMAX imprescindível para atender ao crescimento de aplicações multimídia, e lamentam o adiamento do leilão. “Quanto mais se adia, mais o país fica para trás, seja isso em relação à licitação da 3G, ou à das freqüências para WiMAX. Tudo o que se espera é que o regulador não atrase a introdução de novas tecnologias ou serviços. A regulação, diga-se, deveria ser posterior à inovação”, criticam. Na opinião de algumas incumbents, o adiamento vai atrasar a velocidade de implantação de serviços. “Se, afastando as concessionárias, a Anatel esperava estimular a concorrência, o que se veria, na verdade, seria a competição nas grandes cidades e, novamente, as menores ficariam de fora, mais uma vez. Uma falácia da agência. Ou ela acredita que, por exemplo, uma Brasil Telecom iria competir com a Telemar no Piauí, ao invés de ir ao Rio de Janeiro?”, questionam executivos.

Para especialistas que se confessam “conservadores”, toda a movimentação em torno do leilão foi “estranha”. Principalmente porque o que as operadoras querem, mesmo, é manter seus negócios intocáveis. Seu eventual interesse na 3,5 GHz para universalização não passaria de jogo de cena porque, nesse caso, não há modelo que feche a conta e para universalizar elas vão esperar os recursos do Fust. Essas incumbents, com margens do serviço de voz cada vez mais apertadas, e declínio da Arpu, querem prover cada vez mais serviços de dados sobre suas redes metálicas, que ainda têm pelo menos mais uma década de vida com as novas famílias ADSL. De mais a mais, ponderam que não há tanto mercado que justifique fazer um overlay de rede em 3,5 GHz, o que só se torna interessante quando a rede de cobre já não der mais nada. Em todo o “auê” feito em torno da licitação, eles vêem as mãos de fornecedores, sejam de interfaces aéreas, roteadores,ou outros equipamentos: “Esses ganham  com o adiamento porque não têm produtos, enquanto as concessionárias ganham tempo para trabalhar em um modelo de negócios que feche a conta, e fôlego para calcular melhor o mercado nas bandas oferecidas”, concluem.

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