AET torce para que a introdução do nono dígito em SP seja tranqüila


Associação considera que alteração foi pouco divulgada e programada para uma época em que o tráfego tradicionalmente cresce Apesar de torcer para que tudo dê certo com a introdução do nono dígito nos celulares de DDD 11, o presidente da Associação de Engenheiros de Telecomunicações (AET), Ruy Bottesi, está preocupado pela data escolhida, que considera …

Associação considera que alteração foi pouco divulgada e programada para uma época em que o tráfego tradicionalmente cresce

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Apesar de torcer para que tudo dê certo com a introdução do nono dígito nos celulares de DDD 11, o presidente da Associação de Engenheiros de Telecomunicações (AET), Ruy Bottesi, está preocupado pela data escolhida, que considera muito complicada por coincidir com período de crescimento do tráfego, e com a pouca publicidade dada a uma mexida profunda na rede em todo o país. “A divulgação tem sido mais por colaboração da imprensa do que pela propaganda feita pelas operadoras”, afirma.

A inclusão do número 9 antes do número atual dos celulares com o DDD 11 terá início neste domingo (29). A nova numeração deverá ser usada para fazer ligações aos celulares dos 64 municípios que formam a Grande São Paulo, inclusive São Paulo capital.

“Fazer uma mudança no final de julho, quando as pessoas voltam de férias e quando acontece a aceleração das atividades econômicas, tradicionalmente maiores no segundo semestre, é temerário”, disse o engenheiro. Mais que isso, ele discorda da opção pela inclusão de novo algarismo nos celulares da Grande São Paulo para solucionar a escassez de recursos de numeração. “A Anatel deveria optar pela criação do código 10 antes de se decidir pela introdução de mais um número, uma solução muito mais barata para as operadoras e de mais fácil solução técnica”, afirmou. Ele acha que os transtornos para os usuários não seriam maiores que a opção de acrescentar o número 9 antes dos números atuais.

Bottesi disse que só tem conhecimento de dois países que optaram pela inclusão do nono dígito, a Espanha e Portugal, que transformaram o número em nacional. Ou seja, não é preciso usar código de área para ligar a qualquer número de telefone em qualquer lugar do país.

Outra crítica de Bottesi é em relação à punição das operadoras justamente 15 dias antes da mudança no número do celular dos paulistas. “Os executivos das empresas estão atordoados e aflitos em resolver a questão da suspensão das vendas, sem condições de dar a atenção necessária a essa alteração no serviço”, alertou, referindo-se à suspensão das vendas de chips da TIM em 18 estados e no Distrito Federal; da Oi, em cinco estados; e da Claro, em três, imposta pela Anatel na semana passada.

Interconexão

Para Bottesi, a escassez de números em São Paulo é um reflexo da política de interconexão (VU-M) mantida pela agência reguladora. “A cobrança de ‘pedágio’ para que as operadoras usem as redes uma das outras fez com que os clientes comprassem diversos chips para reduzir suas contas”, disse. Esta prática, avalia ele, acaba por promover a explosão do número de linhas vendidas, hoje acima dos 256 milhões. “Quem paga o pato disso são usuários do celular pré-pago, que têm menores condições econômicas”, lamentou.

Custos

O presidente da AET também considera absurdo o custo anunciado para a introdução do nono dígito, acima de R$ 300 milhões. “Apesar de precisar mexer em toda a rede do país, as centrais são digitais e podem ser alteradas com o uso de um software”, disse. Ele pondera que esse valor poderia ter sido atingido se as prestadoras tivessem promovido uma ampla campanha publicitária na televisão e no rádio para anunciar a alteração, o que não ocorreu.

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