Aécio critica superávit primário e Campos promete mais benefícios na Lei do Bem


No encontro com empresários, realizado nesta quarta-feira (30) na sede da Confederação Nacional da Indústria, o candidato do PSDB, Aécio Neves, criticou o uso de receitas extraordinárias pelo governo Dilma Rousseff para atingir a meta de superávit primário, prática que classificou como “alquimia contábil”.

“O superávit de 1,9% do PIB alcançado no ano passado foi constituído em sua metade por receitas não recorrentes, com [os recursos do leilão de] Libra, cerca de R$ 15 bilhões, e do [programa de parcelamento] Refis, cerca de R$ 20 bilhões”, afirmou.

Já o candidato do PSB, Eduardo Campos, disse que a pesquisa e desenvolvimento no Brasil nos últimos anos não andam bem. “Tivemos avanços, mas retrocedemos no percentual de pesquisa e desenvolvimento em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Estagnamos nos incentivos da Lei do Bem. Aí inventam a Embrapii, que não sai do papel. Precisamos ter política de estado para inovação. Incentivos que precisam ser revistos na Lei do Bem para serem incentivos mesmo.”

Sobre as agências reguladoras, Campos afirmou que o Estado deve ser colocado a serviço da sociedade. Não pode ser um entrave, um complicador. “Farei o provimento das vagas das agências reguladoras com um instituto de headhunter para ir buscar os melhores profissionais, para passar confiança. A regulação que passa confiança é uma regulação que anima os investimentos.”

A presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, ressaltou que aperfeiçoará a política de compras públicas, para que leve aos outros setores da indústria os avanços alcançados na indústria naval e de gás e petróleo. “A preferência dada a conteúdos nacionais não é ilegal, mesmo assim está sendo contestada na OMC [Organização Mundial do Comércio]” completou.

O encontro com os empresários faz parte do movimento de diálogo da indústria com candidatos à Presidência da República. A CNI preparou proposta para 42 áreas visando o desenvolvimento do país como um todo por meio da melhoria da competitividade. Entre as sugestões estão as questões ligadas à infraestrutura, carga tributária, agências reguladoras, terceirização e inovação. Segundo o presidente da entidade, Robson Andrade, as proposições são tão detalhadas que bastam a assinatura do candidato eleito para virar norma ou projeto de lei.

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