Administrador da Oi vê como “incerta” aprovação de plano de recuperação por credores


Companhia recebeu mais de 30 mil mensagens contestando valores devidos até o momento, a maioria ligada a processos que correm na Justiça sobre o antigo Programa de Expansão da Telefonia Fixa (PEX). Oi encerrou setembro com lucro de R$ 73 milhões, após prejuízo de R$ 457 milhões em agosto.

(Crédito: Shutterstock Gajus)
(Crédito: Shutterstock Gajus)

Os administradores judiciais da Oi, a consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC) e o escritório advocatício Arnoldo Wald, não apostam suas fichas no plano de recuperação proposto pelo conselho da companhia. Conforme relatório sobre a situação operacional da concessionária em setembro, publicado na noite de ontem, as discussões com credores podem fazer água e colocar em xeque o processo.

“Existem ainda incertezas significativas com relação à aprovação do Plano no âmbito do processo de recuperação judicial, e portanto não é possível determinar nesse momento qual será o desfecho desse assunto, seus impactos sobre as informações contábeis intermediárias individuais e consolidadas, bem como, se a entidade será capaz de realizar os seus ativos e liquidar os seus passivos no curso normal dos negócios”, ressalta o documento.

O plano foi apresentado pelo conselho da empresa em 5 de setembro. Desde então, gerou reações dos credores e troca de farpas entre investidores da tele e donos de títulos da dívida. Apesar do fim do prazo para credores entrarem em contato e questionar os valores divulgados pela companhia como devidos, os contatos ainda podem ser feitos.

Até o momento, mais de 30 mil mensagens foram recebidas pelos canais de comunicação de divergências instaurados pelas administradoras judiciais. A maioria dessas reclamações está ligada às ações que correm na Justiça sobre o Programa de Expansão da Telefonia Fixa (PEX), principalmente nos Estados do Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.

O comentário antecede a apresentação dos resultados obtidos pela companhia durante o mês de setembro das empresas do grupo Oi que participam da recuperação judicial (Oi, Telemar, Copart 4, Copart 5, Portugal Telecom International Finance e Oi Brasil Holdings Cooperatief).

No mês, a companhia aumentou o caixa em R$ 461 milhões em relação a agosto, para R$ 6,15 bilhões. O aumento foi resultado justamente da suspensão de pagamentos de dívidas e juros graças à recuperação judicial. O lucro líquido em setembro foi de R$ 73 milhões, ante prejuízo de R$ 457 milhões em agosto. A receita bruta caiu 1,1% em relação a agosto, para R$ 3,54 bilhões devido a retração da demanda por telefonia fixa e telefonia móvel. Dados e TV paga faturaram mais no mês. Os dados detalham os meses do trimestre, cujo resultado foi divulgado pela companhia no começo deste mês.

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