Robert Whitmore: Acelera a consolidação entre operadoras móveis globais


Robert Whitmore*

Robert Whitmore, VP senior de consultoria estratégica da Tangoe.

Graças ao poder da tecnologia, empresas globais estão sempre conectadas, não importa onde seus funcionários e colaboradores estejam. As operadoras móveis que atuam globalmente presenciaram essa mudança em primeira mão, e muitas delas dão seus primeiros passos para oferecer projetos internacionais que poderiam efetivamente eliminar as taxas de roaming, o que permitiria a empresas de todo o mundo trabalhar com apenas uma operadora, independente dos países em que operam.

Empresas como AT&T, SoftBank e América Móvil, entre outras, caminham nessa direção por meio de fusões e aquisições e já planejam construir suas infraestruturas em outras regiões.

A questão, portanto, é: será 2014 o ano em que finalmente veremos a consolidação entre as operadoras móveis? Creio que sim, e aqui estão as razões que me levam a esta conclusão:

2014 é o momento ideal para consolidação

Como empresas globais são forçadas a comprar serviços de mobilidade de uma variedade de provedores locais, há uma séria deficiência no controle central e na visibilidade de suas redes. Esse fator pode fazer da entrega de aplicações um enorme desafio para as organizações, especialmente quando elas têm contratos com várias operadoras móveis. Isso interfere com a capacidade da empresa de garantir que seus aparelhos preferidos sejam compatíveis com os serviços específicos que necessitam. O desejo dessas empresas de comprar de menos provedores móveis vem em um cenário desagradável: em decorrência de grandes dívidas, muitas operadoras, especialmente fora dos Estados Unidos, não podem (ou não querem) fazer os investimentos necessários para implementar tecnologias LTE e 4G em seus respectivos mercados.

Além disso, economias em declínio (especialmente no sul da Europa) e anos de guerra de preços deixaram as operadoras em uma luta contínua para fechar as contas. Essas companhias são, portanto, os alvos preferidos de grandes operadoras com capacidade de emprestar dinheiro a taxas historicamente baixas.

Quem está se movimentando?

As duas maiores empresas capazes de fazer essa consolidação acontecer nos próximos 12 a 24 meses são a AT&T e a América Móvil. O dono desta, Carlos Slim, tem uma pequena parte da KPN (provedora wireless na Holanda). Houve tentativas repetidas de vários interessados, em adquirir mais ativos na empresa, mas os executivos da KPN não confirmaram se uma porção maior da empresa pode ser comprada.

Há, no entanto, persistentes boatos de que a AT&T estaria interessada em comprar ativos europeus da Vodafone. Esse rumor levou o presidente da empresa a se declarar publicamente, dizendo que a AT&T estaria de fato interessada em adquirir a Vodafone. Os executivos da Vodafone, por sua vez, afirmaram estar dispostos a fazer um acordo por um preço justo.

AT&T dará o primeiro passo

A AT&T será a primeira grande empresa a fazer essa movimentação, por ser a que possui os melhores recursos. A compra dos ativos europeus da Vodafone daria à empresa norte-americana a capacidade de implementar redes LTE e de fazer os investimentos necessários para melhorar seus serviços. Se compararmos a quantia que as empresas europeias pagam por serviços em alguns países,  com o que as norte-americanas pagam, veremos uma enorme diferença. O modelo de negócios seria investir nesses países, melhorar a infraestrutura de rede e se tornar capaz de cobrar mais pelos serviços e, portanto, obter uma margem mais saudável.

Com essas movimentações, acredito que estamos na beira de um grande acordo internacional que poderia mudar a maneira como mobilidade para empresas é tratada. Tudo o que podemos fazer por enquanto é aguardar e nos questionar que provedores se movimentarão primeiro.

Robert Whitmore* é vice-presidente sênior de consultoria estratégica da Tangoe.

Anterior Marco Civil da Internet passa a valer em 60 dias
Próximos Dilma repele disposição das teles em vender serviços diferenciados de acesso à web