Abrint afirma que proposta de compartilhamento de poste mantém custo alto da banda larga


Depois de elogiar a iniciativa, a Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint) vê problemas no texto proposto pelas agências reguladoras, que define um valor de referência para o aluguel de postes e mantém a livre negociação. E já promete encaminhar contribuições à consulta pública propondo modificações radicais na proposta.

Para a entidade, a proposta pode empurrar para outras instâncias um problema que se arrasta há vários anos, que engessa o avanço de serviços de telecomunicações e é um dos responsáveis pelo alto custo da banda larga, principalmente no interior do país. “A proposta das agências da forma como está mostra uma excessiva timidez no enfrentamento da questão, talvez por receio de contrariar interesses de grandes grupos ou por miopia em não querer enxergar que quem paga a conta, principalmente nos centros mais distantes, é o consumidor”, observa Wardner Maia, presidente do Conselho Deliberativo da Abrint.

No estudo apresentado ao governo, a entidade aponta que pelo menos 40% dos custos do serviço, para provedores com até 50 mil assinantes se refere ao aluguel de postes. Isso porque o preço que pagam chega a ser 15 vezes maior do que o cobrado das grandes empresas. Na proposta levada à consulta pública existe um preço de referência. A Abrint considera, entretanto, que com o sistema de livre negociação poderá fazer o prestador de o serviço ter que apelar ao poder judiciário para conseguir esse preço.

“Em sã consciência é inadmissível que as agências possam compactuar com um regulamento que irá permitir que as empresas continuem praticando valores diferentes para o mesmo produto, o poste. Até mesmo em países conhecidos pela sua liberalidade, o preço do poste é fixado e todos operadores têm acesso a eles em condições isonômicas. No Brasil acenam com um preço de referência que ainda é quatro vezes mais alto do que o praticado para os grandes grupos”, explica Maia.

A entidade defende que o valor do aluguel de postes deva ser único, para pequenas e grandes empresas, para o aluguel de poucas unidades ou um milhão deles. “Da forma como está, continua privilegiando quem tem mais dinheiro, é como a estória do Robin Hood ao contrário: tiram dos pobres para dar aos ricos”, finaliza Maia.(Da redação, com assessoria de imprensa)

Anterior Must carry de TV digital aberta terá regras próprias
Próximos Facebook inicia testes com o Trending Topics