Abranet conclama provedores de internet a buscarem camada de serviço adicionado


Hoje há muitos pequenos provedores em Minas Gerais, São Paulo e Paraná perdendo sua base de clientes com a expansão das áreas de atuação de grandes empresas nacionais. A competição aumenta ainda mais à medida que a nova lei de TV paga (Lei 12.485 – Serviço de Acesso Condicionado) facilitou a oferta de serviços por todo o país. Juntamente com a TV, os operadores entregam internet.

O cenário é desafiados para os cerca de 3,5 mil provedores de acesso a internet (ISPs), atualmente responsáveis por 15% das conexões de alta velocidade do país. A resposta para sobreviver a um mercado cada vez mais competitivo é investir em produtos na camada de aplicações, para se diferenciar e também evitar o segmento de telecomunicações, onde a regulamentaçao pesa para os ISPs. Essa, pelo menos, é a opinião do presidente da Associaçao Brasileira de Internet (Abranet), Eduardo Neger.

Durante o 1 Congresso Provedores de Internet, realizado nesta terça-feira (5) em São Paulo, Neger fez um chamados aos ISPs: “vamos parar de vender milho e começar a oferecer pipoca”. Segundo ele, a inovação na oferta de serviços e produtos precisa acontecer para o segmento prosperar. Entre as ofertas e serviços em que Neger vê maior potencial estão a computação em nuvem, e serviços baseados nela, streaming de vídeo Over The Top (OTT) e segurança como serviço (redes de vigilância estruturadas em modelo de nuvem).

“Alguns provedores já estão buscando este caminho. Um pequeno provedor está oferecendo armazenamento em nuvem para pequenas empresas e, mais do que isso, vende um serviço para backup das notas fiscais eletrônicas. Não é um serviço do quela se possa cobrar muito, mas fideliza o cliente, exemplificou Nager.

A visão do presidente da Abranet é de que os pequenos provedores terão mais chance de se consolidar no mercado se buscarem alternativas ao regulado mercado de telecomunicações. “Vejo as empresas querendo uma licença do SeAC. Mas eu me pergunto: se o negócio é internet, por que sair do mundo da internet e oferecer um modelo antigo de vídeo. Acredito que a solução é buscar OTT, por exemplo. No universo da camada de valor adicionado, não há regulamentação, de forma que a empresa tem maior capacidade de inovar”, concluiu.

Segundo Neger, há negociações em andamento entre empresas que oferecem OTT e os ISPs para atuarem como uma espécie de canal de distribuição. “Ainda é uma coisa incipiente, mas vemos movimentos acontecendo”, declarou ao TeleSíntese.

O presidente da Abranet evitou comentar quais empresas de serviço OTT têm mantido conversas com ISPs. “São negociações confidenciais”. 

Anterior Oracle promove fórum para apresentar seus produtos a administradores públicos
Próximos Adin que trata de ICMS em compras pela internet será julgada diretamente no mérito