Abert contesta que 6,5 mi de casas têm TV aberta por parabólicas


A Abert contesta dados de que há no Brasil 6,5 milhões de domicílio que dependem do sinal de TV aberta por satélite. O número diz respeito ao levantamento presente na pesquisa PNAD/TIC realizada pelo IBGE em 2017, publicada no final de 2018, e usados como referência nas discussões sobre interferências da 5G em 3,5 GHz na banda C, ocorridas recentemente na Anatel.

Para o engenheiro de telecomunicações Luiz Carlos Abrahão, diretor de Tecnologia da entidade que representa os radiodifusores, o IBGE não tinha o objetivo de averiguar este número. “A PNAD não tinha foco em descobrir esse número de domicílios que somente têm antenas parabólicas para receber sinais abertos. Era prospecção em relação à recepção da TV digital terrestre”, diz.

Segundo o engenheiro, a pesquisa procurava saber se o entrevistado tinha TV ou conversor com possibilidade de receber TV digital. Em caso de resposta positiva, a pesquisa entendeu que “ele estaria apto a receber TV digital terrestre e estaria assim atendido, mas isso não acontecia em muitos casos e ele só podia acessar a TV aberta por parabólica”. Para Abrahão, os 22,1 milhões de domicílios (32,5%) com antenas parabólicas identificados na pesquisa podem ser afetados por uso da faixa de 3,5 GHz pela 5G.

Divergências

O IBGE e Anatel já manifestaram posições que divergem da avaliação da Abert. Consultada a respeito dos números da PNAD/TIC, a assessoria do IBGE confirmou a avaliação inserida na versão preliminar do relatório da Anatel sobre os testes de interferência da 5G: “9,6% dos domicílios recebiam sinal de TV exclusivamente por antena parabólica em 2017. Esse percentual equivale a 6,5 milhões de domicílios”.

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