A tecnologia ponto a ponto muda o mercado de banda larga


{mosimage}Em um único ano, mais de 10 pentabytes de conteúdo foram comercializados via tecnologia ponto a ponto. Em 2005, esse número aumentou consideravelmente. O P2P é um protocolo simétrico: para cada download, há um upload imediato e equivalente. A defesa do ponto a ponto na internet é de Andrew Parker, da CacheLogic.

O impacto da tecnologia ponto a ponto no mercado de banda larga é imediato e irreversível, em todos os sentidos da palavra.  Hoje, essa tecnologia responde entre 55 a 70% do tráfego downstream e 90% do tráfego upstream dos provedores de serviços.

A questão não é como gerenciar a tecnologia ponto a ponto, mas como fazer isso de forma lucrativa e transparente para o cliente.  Reduzir o número de reclamações é a principal meta de qualquer ISP, mas uma meta mais realista é a de agregar valor à experiência do cliente e evitar a marginalização do “utility pipe” com que todos os ISPs se deparam no cenário da fidelidade do cliente e a inconstância endêmica a um único provedor de serviços.
 
Antigamente, a retenção do cliente e a fidelidade a um ISP dependiam de dispositivos como conteúdo proprietário, à la AOL. Isso já não basta no atual ambiente tão competitivo, com margens justas e a tecnologia ponto a ponto drenando não apenas a largura de banda agregada, mas também aumentando os custos do tráfego na rede corporativa.

A tecnologia ponto a ponto foi detectada pela primeira vez no radar dos consumidores com o lançamento do Napster em 1999 e chegou ao patamar como a forma mais popular de compartilhamento de arquivos em todo o mundo. No seu pico, em fevereiro de 2001, o Napster tinha 29,4 milhões de usuários cadastrados que compartilharam 2,79 bilhões de arquivos naquele mês. Em 2001 o Napster foi obrigado a fechar as portas – seu fechamento foi provocado por pontos fracos inerentes em sua arquitetura e o uso de servidores de indexação centralizados para manter uma base de dados de todo o conteúdo e usuários da rede. Naquela época, entretanto, a demanda pelo compartilhamento de arquivos já havia se tornado uma realidade e similares como o Gnutella e FastTrack emergiram com suas redes descentralizadas – imunes aos processos da indústria cinematográfica e fonográfica.
 
Desde então houve uma proliferação de avançados protocolos e clientes P2P – o que significa que hoje os assinantes de acesso em banda larga conseguem baixar arquivos maiores como filmes, jogos e softwares em poucas horas e, às vezes até mesmo em questão de minutos.  Em 2004, a CacheLogic estimou que mais de 10 petabytes de conteúdo foram comercializados via tecnologia ponto a ponto e esse número aumentou consideravelmente em 2005.  Os custos com tráfego desse tipo de dados para um provedor de serviços de banda larga são incalculáveis e precisam ser gerenciados. Lembre-se que o P2P é, na realidade, um protocolo simétrico. Para cada download, há um upload imediato e equivalente.
 
Diferentemente do tráfego web que tende a flutuar durante as 24 horas do dia enquanto as pessoas dormem, o fluxo de dados da tecnologia P2P é constante, pois os comerciantes de arquivos estão conectados a todas as partes do mundo, onde há sempre um horário de pico.  Eles deixam os computadores ligados durante a noite para baixar ou compartilhar conteúdo, um dos maiores problemas para os ISPs em termos de saturação da rede.
 
Até hoje a tecnologia ponto a ponto era considerada uma dos maiores responsáveis pela adoção de acesso em banda larga pelo mercado de consumo. Os números falam por si:
Em uma situação logo após o lançamento de um famoso filme, a CacheLogic detectou que apenas um único arquivo de 600MB era responsável por 30% do tráfego ponto a ponto de um provedor!

Em um período de 30 dias, um único dispositivo da CacheLogic implementado em um grande provedor de serviços de Internet registrou acessos de 3,5 milhões de endereços de IP! E esses não são casos isolados. A Streamsight Analysis Network da CacheLogic, fonte de vários estudos já publicados, comprovou isso com números referentes ao fluxo de dados entre redes de ISPs em todo mundo.
 
Algumas pessoas podem achar que o aumento da comunicação ponto a ponto e do acesso em banda larga no mercado de consumo é mera coincidência e que o uso é restrito a um número reduzido de assinantes, mas essa hipótese não sustenta os fatos. A comunicação ponto a ponto está aumentando e os desenvolvedores dessas aplicações, apostando na tendência, introduziram uma série de técnicas avançadas para escapar das detecções, entre elas a seleção dinâmica de portas para evitar portas restritas ou congestionadas e técnicas de máscara que ocultam a identidade do tráfego.
 
Isso impediu que muitos provedores de serviços que utilizam análise MRTG desconhecessem a verdadeira extensão da tecnologia ponto a ponto em suas redes e, pior, com a falsa idéia de que eles tinham controle total desse tipo de comunicação em seus ambientes.  As análises de pacotes na camada 7 é apenas parte da solução. Só com a identificação correta do tráfego ponto a ponto e dessas técnicas de máscara os provedores conhecerão realmente o padrão de dados que trafega em suas redes.  Dizem que não é possível gerenciar o que não se pode medir. E isso se comprova atualmente no mundo da comunicação ponto a ponto pelos ISPs. Se a comunicação ponto a ponto é tão insignificante, qual o motivo das ações da MPAA e da RIAA?
 A aceitação do inevitável e dos benefícios da comunicação ponto a ponto pela RIAA e MPAA só reforça o cenário.

A BBC, Sky, PBS e praticamente todos os maiores provedores de conteúdo do planeta estão avaliando a tecnologia ponto a ponto como um método viável e lucrativo para a distribuição de seus conteúdos, excelente para o provedor de conteúdo, mas péssimo para os ISPs, pois os custos da distribuição estão literalmente sendo “despejados”  para eles pelos provedores de conteúdo.  A PlayLouder do Reino Unido adotou uma medida inédita na sua relação com a Sony-BMG para compartilhamento de conteúdo entre seus assinantes.  Ainda não se sabe se a estratégia será bem sucedida, mas não há dúvida que eles reconheceram a comotidização do ISP e encontraram uma forma criativa para solucionar o problema.  O futuro não é modelar uma conexão ponto a ponto, mas gerenciá-la via CDN P2P para que todas as partes, provedores de conteúdo, clientes e ISPs, saiam ganhando.

Chegou o momento de reconhecer que a tecnologia ponto a ponto veio para ficar e que é fundamental encontrar uma forma para gerenciá-la.  Se devidamente gerenciada, a tecnologia pode ser transformar em uma lucrativa fonte de receita para os ISPs.     


* Andrew Parker, principal executivo da área de tecnologia da CacheLogic

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