A reação das concessionárias locais


24/03/2006 – Nas próximas semanas, o mercado vai assistir a uma movimentação fora do usual entre as operadoras de telefonia local. A oferta de novos pacotes de serviços envolvendo voz local e banda larga e uma série de vantagens para o usuário será a reação dessas operadoras à entrada da operadora de cabo NET Serviços …

24/03/2006 – Nas próximas semanas, o mercado vai assistir a uma movimentação fora do usual entre as operadoras de telefonia local. A oferta de novos pacotes de serviços envolvendo voz local e banda larga e uma série de vantagens para o usuário será a reação dessas operadoras à entrada da operadora de cabo NET Serviços na telefonia local. O movimento já era esperado e, antecipadamente, as locais aceleraram seus lançamentos. Mas aguardavam o anúncio oficial da NET, para fazer suas ofertas mais agressivas. Embora trabalhem para ampliar sua base de banda larga – metas de crescimento entre 30 e 40%, em 2006 –, o foco de todas as operadoras são os chamados clientes premium, os de maior poder aquisitivo, que, nos Estado de São Paulo, compõem uma base de 3,5 milhões. Quem tem esses clientes, trata de montar estratégias de defesa, ou seja, de retenção; quem quer conquistá-los, busca uma forma de fazer a oferta mais atrativa.

Por isso, embora nem sempre fique claro nas promoções lançadas nos serviços de banda larga, elas se destinam tanto aos clientes novos como aos que já fazem parte da base. E a adesão às promoções, por parte dos que já são clientes, é expressiva, segundo executivos das concessionárias. É o chamado crescimento na base, que vai do aumento da velocidade de conexão e planos com conexão mais adequadas a determinados aplicativos a descontos em uma série de serviços ao usuário.
Para executivos das concessionárias locais, sua principal arma contra a oferta de tripley play pelas operadoras de TV a cabo é a capilaridade da sua rede. Um exemplo: a Brasil Telecom oferece banda larga em 1.200 localidades, enquanto só 15% de sua área é coberta por rede de cabo. Mas a rede de cabo cobre as áreas mais nobres, onde se concentram os clientes mais rentáveis, que têm que ser defendidos e para os quais a operadora já oferece serviços de maior valor agregado, que incluem, além voz fixa e banda larga, também o celular.

Para analistas de mercado, é hora de acompanhar esses movimentos com atenção. A expectativa é que se reproduza, aqui, o que já foi observado em outros países com o início da oferta do triple play pelos operadores de telecom. Do lado das operadoras de TV por assinatura, seja de cabo ou outra tecnologia, há quatro grandes desafios a serem vencidos: ganhar credibilidade como prestadoras de serviço de voz, conseguir divulgar um plano tarifário claro e tornar transparentes as suas vantangens para o consumidor, garantir a qualidade do serviço e ter sucesso no processo de integração de redes e no serviço de billing. Do lado das operadoras locais, o desafio é fazer frente às novas entrantes com oferta de serviço triple play. Com pequenas variações, a estratégia das operadoras de STFC, em outros países, tem sido a oferta de bundles de voz e banda larga, combinada com IPTV. Esse foi o caminho seguida pela Telefónica, na Espanha, onde lançou, no ano passado, o serviço Imagenio.

Recurso à Justiça
Aqui, a receita terá dificuldade de ser seguida. A Anatel, embora ainda não tenha adotado uma posição sobre o assunto, vem admitindo, mais recentemente (veja a página 1), que IPTV, para oferta de programação em grade, só com licença de radiodifusão. E que imagem, nas operadoras de telecom, só se for on demand, o que já acontece na banda larga, ou pay per view. O embate entre regulador e concessionárias locais promete ser vigoroso e deve se arrastar por um bom tempo. Enquanto travam a batalha regulatória, as concessionárias devem fazer acordos comerciais com as operadoras de TV por assinatura para conseguirem oferecer serviço de imagem. A Telemar está finalizando um acordo com a Sky, a Telefônica está avançada nas negociações, embora não revele o parceiro. Todos já fizeram ou vão fazer trials de IPTV. O da Brasil Telecom está previsto para o terceiro trimestre e a idéia é fazer o transporte de imagem em protocolo IP para oferecer vídeo on demand de uma ou mais operadoras de TV por assinatura.

A queda-de-braço entre regulador e concessionárias locais não deve se limitar ao âmbito administrativo, segundo se ouve no mercado. Algumas operadoras alegam que é uma questão de simetria regulatória. Se as operadoras de cabo podem fazer serviços de voz, de SFTC, elas também têm direito a serem transportadoras de sinais de vídeo. A Telemar, por exemplo, está disposta a comprar licenças de  TV por assinatura, para as quais não houve interessados no passado. E, para isso, já preparou munição jurídica. Está apenas esperando a hora correta para dispará-la.

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