A produção de terminais cai. Um ajuste.


Até então estrela em ascenção na produção e nas exportações da indústria eletroeletrônica, o terminal celular perdeu o brilho? Pelas reações aos últimos dados do IBGE sobre a produção industrial de novembro, os telefones móveis pareciam ter se transformado de mocinhos em bandidos. De repente. De fato, no penúltimo mês de 2005, o desempenho da …

Até então estrela em ascenção na produção e nas exportações da indústria eletroeletrônica, o terminal celular perdeu o brilho? Pelas reações aos últimos dados do IBGE sobre a produção industrial de novembro, os telefones móveis pareciam ter se transformado de mocinhos em bandidos. De repente.

De fato, no penúltimo mês de 2005, o desempenho da indústria só confirmou a trajetória descendente que já se desenhava. Em novembro, com relação a outubro, a produção avançou meros 0,6%. Para isso, a segunda maior contribuição negativa foi o recuo de pouco mais de 4% do setor de material eletrônico e equipamentos de telecomunicações.

Na comparação novembro 2005/novembro 2004, o baque setorial foi ainda maior: 11,5%, declínio para o qual contribuiu decisivamente a menor produção de terminais: menos 23,4%. Entretanto, de janeiro a novembro, a indústria de material eletrônico e equipamentos de comunicações cresceu quase 15% graças, justamente, aos celulares e televisores.

Nada demais

Os fabricantes de telefones celulares instalados no país preferiram não se manifestar sobre o recuo que, diga-se de passagem, não surpreendeu muita gente, que nele viu um simples ajuste. “Venho dizendo que, a qualquer hora, o mercado celular bateria no teto. Vai ver que bateu. Que chegou a hora em que a curva de crescimento diminuiu sua velocidade, até se estabilizar”, avalia Newton Scartezini, diretor da subsidiária brasileira da Nortel Networks e integrante do grupo de telecomunicações da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). “Não vamos ter 180 milhões de usuários celulares”, argumenta.

Briga suaviza

Há vários meses, aliás, as operadoras móveis prometiam desacelerar a guerra de preços, promessa que cumpriram nas vendas de Natal. Em dezembro de 2005, analisa o Banco Espírito Santo (BES), observou-se uma competição mais racional entre as operadoras celulares, “através da elevação da barreira de entrada para R$ 199,00, indicando redução substancial do subsído na venda de aparelhos pré-pagos”.

O BES estima que, no ano passado, o mercado celular atingiu uma penetração da ordem de 47%. E, caso em 2006, as operadoras mantenham a estratégia de reter a base de clientes e torná-la mais rentável, além de controlar o churn, poderá ocorrer desaceleração acentuada na base móvel e, portanto, recuperação da margem de rentabilidade da operação.

Mais trocas

Para este ano, o BES projeta adições líquidas de 13 milhões de assinantes, mais 15% em relação a 2005, equivalente a uma taxa de penetração de 53%.

Scartezini chama atenção, ainda, para o fato de que o número de telefones vendidos é mais do que o dobro do crescimento do número de assinantes. Isso mostra que a troca de aparelhos é maior do que a adição de novos usuários. Ele ainda põe mais água na fervura, ou melhor, os devidos pingos nos iis, ao lembrar que, em 2004, o mercado interno de celulares cresceu mais do que o esperado e, para atender à demanda, a indústria tanto diminuiu as exportações como, no final do ano, ampliou sua capacidade. Com isso, em 2005, conseguiu vender tanto no mercado interno, como no externo.

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