A Itautec vai entrar no varejo e competir com a Positivo


{mosimage}A Itautec registrou faturamento de R$ 1,702 bilhão em 2007 e lucro líquido de R$ 101 milhões. Na composição das receitas, o setor de informática contribuiu com a maior fatia, 35%. Para manter o crescimento nesse segmento, a empresa investiu, no ano passado, R$ 31 milhões em sua nova fábrica, que aumentou em 67% a capacidade de produção de PCs. Em entrevista, o diretor da Itautec, Jorge Almeida, conta que o próximo passo da Itautec é entrar no varejo, um setor dominado hoje pela concorrente Positivo Informática.

Em setembro do ano passado a Itautec concluiu a transferência das operações industriais para a unidade de Jundiaí, no interior de São Paulo, onde funcionava sua antiga fábrica de semicondutores, fechada em 2005. Os investimentos na nova unidade, de R$ 31 milhões, contemplaram o aumento da capacidade de produção e fazem parte da estratégia da empresa para ampliar sua participação no mercado e atender a crescente demanda por PCs. O complexo industrial de Jundiaí tem capacidade para produzir anualmente 500 mil unidades de microcomputadores (crescimento de 67% em relação a 2006), e de 216 mil notebooks. A fabricação de equipamentos de automação bancária e comercial também foi ampliada, com a implantação de uma segunda linha de produção, além da instalação de uma fábrica de cofres e gabinetes.

O faturamento de R$ 1,702 bilhão em 2007, anunciado hoje (19) pela empresa, registrou crescimento de 3,5% em relação ao ano anterior e mostra que 35% das receitas da fabricante são provenientes da área de informática, 21% de serviços, 28% das operações no exterior e 16% da área de automações. O EBITDA alcançou R$ 119 milhões, 70,1% superior ao apresentado em 2006 e o lucro líquido foi de R$ 101 milhões, impactado pela operação de venda da antiga unidade industrial no bairro paulistano do Tatuapé (transferida para Jundiaí), que representou um retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROE) de 25%.

Em entrevista ao Tele.Síntese, o diretor comercial da Itautec, Jorge Almeida, conta que para manter o crescimento e concorrer no mercado de PCs, hoje liderado pela Positivo Informática, a principal estratégia da Itautec é expandir os negócios no varejo e no setor de pequenas e médias empresas.

Tele.Síntese – A Itautec é uma das poucas empresas nacionais no mercado de computadores e servidores de grande porte. Como vocês se prepararam para atender a crescente demanda desse mercado, especialmente de desk tops?
Jorge Almeida –
Em setembro do ano passado concluímos a operação de transferência da unidade industrial, que funcionava no bairro do Tatuapé, em São Paulo, para Jundiaí (interior do Estado), onde funcionava a fábrica de semicondutores (a Itaucom foi fechada pelo grupo em 2005). Essa nova fábrica foi construída justamente para aumentarmos a capacidade de produção e darmos um start na produção de cofres para equipar as ATMs (caixas eletrônicos).

Tele.Síntese – Quanto foi investido na nova fábrica e qual a capacidade de produção?
Almeida –
Os investimentos foram de R$ 31 milhões. A fábrica foi dimensionada para produzir 40 mil produtos em um turno (computadores de mesa, notebooks, produtos de automação comercial, de auto-atendimento e automação bancária), mas podemos dimensionar essa produção de acordo com a demanda. Nossa flexibilidade é maior com a nova fábrica e podemos direcionar a produção tanto para aumentar a produção de notebooks como de automação, por exemplo.
 
Tele.Síntese – Há planos de ampliar os negócios, com a produção de outros equipamentos, como setop box ou TV digital, ou mesmo de uma retomada da linha de semicondutores, eleito um dos segmentos da política industrial do atual governo, com incentivos fiscais?
Almeida –
Hoje não. Entrar nos mercados de TV digital ou semicondutores não faz parte de nossos planos imediatos. Já produzimos TV, no tempo da Philco, vendida para a Gradiente em 2005. Pelo menos por enquanto não temos planos para voltar para esse mercado.

Tele.Síntese – Quais são as metas da Itautec para este ano?
Almeida –
Temos planos de entrar fortemente no varejo especializado em informática e em eletroeletrônicos. Essa atuação estava mais focada no eixo Rio-São Paulo e queremos, este ano, com o aumento da capacidade de produção, assumir compromisso com um número maior de clientes de varejo no Brasil. Vamos trabalhar de forma mais agressiva para aumentar nossas vendas no varejo em 2008. Continuamos, também, apostando no crescimento dos negócios no exterior. A empresa tem tido sucesso na sua estratégia de internacionalização. 28% da receita, no ano passado, veio das operações no exterior, um crescimento de 31% com relação a 2006.

Tele.Síntese – E no  mercado corporativo, qual a estratégia para concorrer com multinacionais do porte de IBM, HP e a Dell, que entrou mais recentemente no mercado de servidores?
Almeida –
A cada dia que passa hardware se torna mais uma commoditie e, em servidores, tirando os de grande porte, também é commoditie. A Itautec já tem planos de, cada vez mais, oferecer soluções ao invés de vender hardware simplesmente. Vamos continuar produzindo os equipamentos, mas o foco maior será na oferta de soluções que integrem software, serviços e inteligência.

Tele.Síntese – Na composição da receita da Itautec como é a divisão entre hardware e serviços?
Almeida –
Hoje, hardware ainda representa 70% de nossa receita e os 30% restantes vêm de serviços (outsourcing, serviços de locação de equipamentos, etc). Mas, o objetivo da empresa é inverter esses percentuais na composição da receita até 2009.

Tele.Síntese – Vocês tinham uma divisão com foco em setor público, que participava de todas as grandes licitações do governo na área de atuação da empresa. O governo ainda é uma prioridade no foco da Itautec?
Almeida –
Governo ainda é um setor que a gente tem grande atuação, mas queremos aumentar nossa participação em indústria e desenvolver um plano para canais para atuarmos também em segmento de médios negócios. Estamos ainda na fase inicial, caminhando para esse processo.

Tele.Síntese – Embora você afirme que governo ainda é foco da Itautec, nas grandes licitações realizadas pelo governo recentemente, como na compra de computadores para escolas, a participação da Positivo tem sido bem mais agressiva.
Almeida –
Eu concordo que a Positivo tem uma participação mais forte em termos de varejo, mas em governo temos uma participação muito boa. No varejo a visão é correta, por isso temos planos de, este ano, ir de forma mais agressiva para esse mercado. Não digo que com a mesma agressividade da Positivo porque não vamos querer disputar o primeiro preço do produto, embora a Itautec tenha produtos para todos os segmentos.

Tele.Síntese – Como o senhor vê os programas de inclusão digital – como informatização de escolas e conexão banda larga – anunciados pelo governo e, mais recentemente, a decisão acordada entre as concessionárias e o governo para a troca de metas (ao invés de instalar postos telefônicos, as operadoras vão universalizar a banda larga cobrindo 100% dos municípios brasileiros). De que forma essas iniciativas contribuem também para o crescimento da indústria de PCs no país?
Almeida –
Sem dúvida toda e qualquer iniciativa para inclusão digital – e, aparentemente o governo Lula tem essa visão –, gera maior possibilidade de venda para a indústria, de crescimento para o mercado. O foco da educação é uma coisa que precisa realmente acontecer. O governo está focando na direção certa e, com certeza, isso vai desenvolver um novo mercado em volume adicional de produtos. Mas, isso tudo está atrelado a um novo  modelo de negócios que o governo precisa desenvolver.

Tele.Síntese – O que falta para fechar esse modelo de negócios?
Almeida –
Não é que falta fechar o modelo. No entanto, quando falamos em equipar escolas, não basta isso. Tem que ter um processo de treinamento, de adequação das ferramentas ao plano de educação do governo.

Tele.Síntese – Falta conteúdo?
Almeida –
Exatamente. E treinamento dos profissionais para trabalhar com ferramentas e conteúdo. Tudo isso tem que estar atrelado a um plano que envolva treinamento, capacitação das pessoas para trabalhar com essa nova ferramenta.

Tele.Síntese – Em relação as políticas públicas, o que avançou (e o que falta) para o desenvolvimento da indústria nacional de PCs?
Almeida –
Tudo que passa por redução de carga tributária gera crescimento. O exemplo do setor de informática é o melhor que temos. O governo entendeu o apelo da indústria, fez a sua parte, desonerou a produção com a isenção de PIS e Cofins para computadores e o resultado está aí: o mercado este ano deve fechar com 10 milhões de unidades de computadores vendidos, entre desk tops e notebooks.

Tele.Síntese – A desoneração tributária contribuiu também para reduzir o market share do mercado cinza.
Almeida –
Sem dúvida, diminuiu bastante. Não tenho dados oficiais, mas essa participação já foi de 75% e hoje deve estar em torno de uns 35%. Desoneração significa mais vendas, preço menor, mercado maior e real possibilidade de inclusão.

Tele.Síntese – E P&D, continua no foco da Itautec?
Almeida –
O investimento total da Itautec em 2007 atingiu R$ 117 milhões. Desse valor, R$ 53 milhões foram destinados a pesquisa e desenvolvimento, atividade fundamental para manter os produtos atualizados tecnologicamente, e competitivos nos vários mercados de atuação. O volume de investimentos nesta atividade, que atingiu R$ 254 milhões nos últimos 5 anos, permitiu que a Itautec se tornasse a empresa brasileira de tecnologia da informação com a maior presença no exterior.

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