“A internet vai submeter as telecomunicações ao mundo IP”, diz Coutinho


Para o economista Luciano Coutinho, as operadoras de telecom têm que investir pesadamente em digitalização e se apropriar do mundo da internet em seus novos modelos de negócios

 

 

A tendência para os próximos anos é de se ter uma sociedade globalmente cada vez mais conectada. Se no ano passado 48% dos 7,4 bilhões habitantes do planeta navegavam na internet, em 2025 deverão ser 67% de 7 bilhões e, para 2050, as projeções são de 98% de 9,7 bilhões. “A internet será uma super rede global abrangendo toda a humanidade”, disse o economista Luciano Coutinho, lembrando que essa humanidade está sofrendo uma mudança demográfica. De um lado, por uma população que envelhece e que vai precisar da oferta de outros tipos de serviços, muitos via internet; e de outro, por uma população jovem que cresce especialmente na África e na Índia, configurando um novo tipo de demanda de baixa renda.

Nesse cenário, lembra o economista, que participou hoje, 11, do Encontro Tele.Síntese, realizado em Brasília, o que se observa é uma fusão das redes de telecomunicações com a internet. “A internet é a grande vencedora dessa história”, disse ele. Segundo ele, ela vai submeter as telecomunicações a operar no protocolo IP. As operadoras vão ter que mudar sua forma de operar, vão ter que investir pesadamente na digitalização das redes, até para reduzir custos e aumentar a produtividade e poder atender à demanda do mercado, à indústria 4.0, às redes de Internet das Coisas. “Todo mundo vai usar hardware genérico, de preferência rodando software genérico. A sociedade vai pedir redução de custo de conectividade”, prevê ele.

Em sua visão, se as operadoras de telecom, como fornecedoras exclusivas de conexão, acabaram pressionadas em suas margens pelas empresas Over de Top que vêm capturando valor do avanço dos serviços digitais, eles têm como recuperar espaço ao desenhar um novo modelo de negócios ao investirem na digitalização de suas redes. “A digitalização completa das redes e processos cria novos paradigmas. Cria novas plataformas que, com o uso das novas tecnologias disruptivas como Inteligência Artificial, Big Data, virtualização, IoT, que resultam em novos produtos e serviços”, disse.

Cenário macroeconômico

As previsões para o Brasil são de que ele tenha um crescimento médio abaixo dos 3% até 2030, ano em que o PIB da China deverá superar o dos Estados Unidos. Além de um crescimento pequeno, muito menor do que o necessário, o Brasil também está muito atrasado na corrida de investimentos em P&D. De acordo com dados apresentados por Coutinho, as principais nações vêm acelerando os investimentos em P&D para manter o ritmo de inovação. Nessa corrida, têm se destacado Coreia do Sul, Japão, China, Alemanha, Estados Unidos, entre outros.

A inovação está concentrada em três grandes segmentos: Inteligência Artificial, Big Data, IoT, Nanotecnologia; Redes de Comunicação; Biotecnologias e armazenamento de energia. E os produtos e processos, lembra o economista, estão mudando: “Todos os produtos, que não os comestíveis, vão ser conectados, vão ter um chip. Desde os bens de consumo até os bens industriais. É um novo conceito”, disse.

Mesmo com todas as dificuldades, Coutinho entende que há oportunidades para o Brasil com a nova onda tecnológica que caminha paralelamente ao avanço da internet, já que o país segue o padrão global, mesmo que com alguma defasagem, e muitas das soluções a serem adotadas, como na Internet das Coisas, demandam customização.

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