A indústria está otimista com 2012, apesar da crise do euro.


 

A economia nacional e a crescente demanda por banda larga fixa e móvel, aliadas a fatores como a entrada das teles no mercado de TV paga e o leilão de frequências para a LTE e a faixa de 450 MHz, devem manter os negócios em alta para os fornecedores de TI e telecom no Brasil em 2012. Para a área de TI, os analistas estimam crescimento em torno de 10%. Em telecom, as multinacionais fazem previsões mais cautelosas e trabalham com índices entre 5% e 10%, enquanto as nacionais são mais otimistas e estimam crescimento de até 20% no faturamento.

Um dos fatores importantes para a expansão do mercado de telecomunicações em 2012, na avaliação do ministro Paulo Bernardo, das Comunicações, é o reajuste do salário-mínimo de 12% em janeiro, que deverá ter um impacto muito positivo nas empresas de telecomunicações. “A economia brasileira vai continuar crescendo no ano que vem. Com este incremento de renda, a classe C vai estar ávida por internet”, prevê. Este ano, assinala, a internet móvel cresceu 102% e a tendência é que o consumo aumente ainda mais no próximo ano. “As operadoras precisam ampliar os pacotes de serviços para este público”, afirmou em entrevista ao Tele.Síntese Análise.

TI e banda larga aquecidas

O crescimento interno é constatado por empresas de pesquisa, como a Gartner, que projeta para o setor de TI uma alta de 10%. De acordo com a empresa, o Brasil aplicará US$ 143,8 bilhões em TI no ano que vem e o setor de banda larga móvel e os novos dispositivos, como o tablet, devem ganhar mercado. E, comprovadamente, usuários de tablets consomem mais. O vice-presidente da Ericsson no Brasil, Eduardo Ricotta, diz que um usuário que tem um celular mais simples fala em média 6 minutos por dia, o que tem um smartphone fala 1h30 e o usuário do tablet fica conectado 2h45 por dia. “Estamos tendo uma migração, começa a entrar um número grande de smartphones e tablets no mercado, o que gera um crescimento elevado na rede fixa e móvel”, comenta Ricotta.

O diretor da Huawei, Marcelo Motta, é outro que aposta no crescimento da telefonia móvel e da banda larga. “Teremos crescimento não só na banda larga, mas também na voz. O MOU (Minutos por Uso) tem espaço para crescer, pois nosso MOU é baixo comparado a outros países”, observa. “O cenário é muito positivo para telecom no Brasil”, destaca Motta, que vê negócios também no upgrade das redes móveis. “O HSPA+ entrou timidamente no Brasil este ano e, em 2012, o upgrade das redes deve ser mais forte.”

Embora reconheça que o cenário externo é “complicado”, Motta aponta iniciativas positivas: “Aqui é um lugar que continua crescendo e acho difícil que as operadoras deixem de investir; segundo, temos competição, especialmente no mercado móvel, quem não investir vai perder mercado”, afirma, lembrando ainda os acenos do governo para desoneração fiscal, que pode fazer a economia movimentar mesmo que o capital investido não aumente.

Os mais cautelosos em relação aos efeitos da crise, caso do presidente da Furukawa, Foad Shaikhzadeh, também projetam crescimento para 2012. “Como tem grandes operadoras com capital europeu, o problema da zona do euro afeta tanto no controle de investimento como na remessa de caixa”, analisa. Mesmo assim, afirma, o setor de cabos e fibras ópticas deve crescer entre 5% e 10%, porque a demanda por banda larga continua. Na avaliação de Aluizio Byrro, chairman da Nokia Siemens, 2012 não será um ano ruim. “Eu acredito que vai ter um crescimento, no mínimo, de um dígito em relação a este ano, o que significa algo entre 5% e 10%”, assinala.

Nacionais apostam nos estímulos

Para muitas empresas, especialmente as nacionais, esta previsão é conservadora. “O mercado de banda larga continua em expansão e estamos trabalhando com a perspectiva de um crescimento maior em 2012”, acrescenta Jacques Benain, presidente da Trópico, que espera superar o faturamento de R$ 100 milhões previsto para este ano.

O otimismo da Trópico se repete nas demais empresas nacionais que fornecem equipamentos para redes de banda larga ou que se dedicam às atividades de projeto e instalação de redes, que apostam num 2012 especial, graças a expectativa de aprovação do pacote de incentivos do governo para as redes de banda larga – o Regime Diferenciado do PNBL. “Nossa expectativa é que os reflexos da MP, se ela for editada logo, já comecem a ser sentidos no segundo trimestre de 2012”, diz otimista Ivo Vargas, diretor da Parks. O Regime Diferenciado condiciona aprovação dos projetos a compra de parte  dos equipamentos de tecnologia nacional.

O presidente do CPqD, Hélio Graciosa, estima aumento de 20% em 2012. “Estamos otimistas, um otimismo com a cautela que o acompanhamento da crise europeia exige”, afirma Graciosa. De acordo com ele, os segmentos em que o CPqD deve crescer no ano que vem são no mercado internacional, que hoje representa 5% de suas receitas, e na área de governo, onde seu carro chefe é o sistema de gestão de educação que fornece para estados e municípios.

Fatores de crescimento

Ao lado da expansão da renda da classes C e D, a indústria assinala outros fatores que deverão demandar investimentos. Em primeiro lugar, a expansão da banda larga, que vai ser estimulada com as medidas de desoneração da cadeia produtiva das novas redes; em segundo, a entrada das telcos no mercado de TV paga; e, por último, os leilões das faixas de frequência da 2,5 GHz e de 450 MHz. Os leilões deverão impactar mais no Capex de 2013. “Não acredito que o leilão do 2,5 GHz para a entrada do LTE terá grande repercussão em cima dos números do ano que vem. Será mais forte em 2013”, diz Byrro. A mesma opinião tem o presidente da Furukawa.

Byrro aposta mais nos investimentos para desafogar as redes.”Todas as redes estão com problemas de tráfego, de qualidade e de cobertura. Então, as empresas vão continuar com suas expansões, com ampliação nos seus backbones, que não estão suportando mais essa carga toda e terão que ser preparados também para suportar o que virá em dois a três anos, com Copa do Mundo e outras demandas”, avalia.

Foad acrescenta que, nas cidades maiores, as redes tendem a mostrar alguns gargalos e que a entrada oficial do iTunes no Brasil vai aumentar ainda mais a demanda por banda. Por outro lado, diz Foad, “o PNBL vai decolar e na medida em que a Telebras instale sua rede nas cidades, pequenos operadoras (ISPs) vão ocupando espaço e investindo para trocar rádios por fibra”.

IPTV também vai decolar

A Alcatel-Lucent é mais otimista em relação ao impacto do leilão de 2,5 GHz já em 2012 e coloca suas fichas também no IPTV. “As perspectivas para 2012 são as melhores possíveis. O leilão para a LTE é muito positivo, vai ajudar a melhorar a qualidade da banda larga móvel. Em várias regiões estamos atingindo o limite do que o 3G tem para dar, a 4G vai desafogar essa demanda reprimida”, acredita Juan Pablo Lopez, diretor de Soluções da empresa.

A Ericsson também aponta a LTE como um dos fatores que manterão os negócios aquecidos no Brasil. Outro cenário positivo na visão da Ericsson é a frequência de 450 MHz. “A Ericsson tem o CDMA 450 MHz, tem vários projetos implementados e enxerga aqui uma oportunidade, inclusive na zona rural”, informa Ricotta. O executivo engrossa o time dos que têm boas perspectivas no mercado de IPTV. “Nós investimos muito em plataforma para IPTV. Nosso centro de P&D em IPTV,  inaugurado em novembro, já conta com 30 desenvolvedores de software”, conta Ricotta. “Mesmo com a crise, esses fatores nos dão um cenário de otimismo em relação a 2012”, acrescenta.

 

Leia também “Fornecedores esperam encomendas até a virada do ano”.

Anterior Telefonia móvel tem grande expansão, mas em 40% dos municípios não há competição.
Próximos Fornecedores esperam encomendas até a virada do ano