A demanda por ATAs e telefones IP cresce rápido


13/04/2006 –  O mercado VoIP no Brasil é um dos mais ativos da América Latina, o que se atribui ao fato de a Anatel não regular o segmento. O que não agrada às concessionárias locais, que teriam perdido para os concorrentes provedores de VoIP algo como US$ 369 milhões em 2004, de acordo com dados …

13/04/2006 –  O mercado VoIP no Brasil é um dos mais ativos da América Latina, o que se atribui ao fato de a Anatel não regular o segmento. O que não agrada às concessionárias locais, que teriam perdido para os concorrentes provedores de VoIP algo como US$ 369 milhões em 2004, de acordo com dados da Abrafix citados em relatório especial da Business News Americas sobre redes IP na América Latina. De acordo com estimativas de fornecedores de equipamentos VoIP, o número de usuários no país corresponderia a 6% de todos os usuários brasileiros de internet – em fevereiro, 800 mil usuários residenciais; ou 2 milhões (6% do número total de usuários), no terceiro trimestre de 2005. Sejam essas contas frouxas ou não, o fato é que a comunicação VoIP cresce aceleradamente nas residências e entre empresas de todos os portes, e tem entre seus fornecedores – centrais, telefones IP e ATAs (Analogic Telephony Adapters) – desde pesos pesados que se concentram nas médias e grandes corporações, como Cisco, Siemens, Avaya, entre outras; e outros fornecedores como a própria Siemens e a Linksys (spinoff Cisco) que atendem ao mercado residencial e de pequenas e médias empresas.

A Siemens está na área VoIP desde o ano passado, com a compra da americana Efficient, e as ofertas no mercado local começaram no final de 2005, conta Élcio de Moura, do marketing da divisão SHC, que comercializa modems ADSL, roteadores, pontos de acesso sem fio e ATAs. Para este ano, a base de acessos banda larga é estimada entre 4,4 milhões a 4,5 milhões (3,1 milhões em 2005). Dessa base, calcula ele, com esforço dos prestadores, a penetração VoIP (exceto softfones) seria da ordem de 10%, ou seja, algo na casa dos 300 mil no ano passado, aumentando para 440 a 450 mil este ano (ATAs, na quase totalidade).

A Siemens importa os adaptadores da sua planta chinesa, e eles custam R$ 399. Na Telexpo, apresentou o Gigaset C450 IP, telefone híbrido sem fio produzido na Alemanha e cujo preço de venda sugerido se situa entre R$ 499 e R$ 599. Como a Linksys, a divisão de comunicação residencial da Siemens trabalha em parceria com os prestadores – Vono e TMais – e prospecta a Transit Telecom. Todas essas e mais a BrT, a espelho Nexus Telecomm a Velip e a Intercall, entre outras, são clientes Linksys, segundo Emerson Yoshimura, gerente regional para o Cone Sul. No Brasil desde junho de 2004, a empresa comercializou pouco mais de 10 mil caixas, 90% das quais são ATAs. Ele recorre às projeções (salgadas, às vezes) dos provedores VoIP, que estimam o mercado total (incluídos softfones) de linhas VoIP entre 100 mil a 120 mil, nos próximos 12 meses, 30% das quais seriam adaptadores; nos 12 meses seguintes, o número de linhas dobraria e a participação dos ATAs pularia para 50-60%. Segundo Yoshimura, são 38 as prestadoras licenciadas pelo órgão regulador – SCM e/ou STFC. A seu ver, para o VoIP se tornar a primeira linha do usuário, tem que ter numeração. O carro-chefe Linksys é o PAP2, ATA com uma porta Ethernet e duas para telefones, cuja caixa “genérica” vem dos EUA.

Moura e Yoshimura asseguram que o ATA é subsidiado pela operadora VoIP. Mesmo nos EUA, onde o adaptador Linksys usado pela Vonage chega a ser oferecido por meros US$ 9. O PAP2 custa R$ 499, preço que poderia ser considerado uma barreira de entrada. Além do provável subsídio concedido pela operadora VoIP, o equipamento também pode ser adquirido via internet, no Submarino, por até dez vezes no cartão, com juros; ou até seis, sem juros. Mais: em um mês, aquele preço pode ser amortizado, caso o usuário faça muitas chamadas de longa distância, porque haveria redução de 30% em DDD e DDI. Quanto ao telefone IP, é do mundo corporativo. “De fato, pode ser considerado caro só para falar alô. Não, se for visto como um terminal que agrega inúmeras aplicações”, pondera Yoshimura. A demanda pelo terminal IP da família OptiPoint tem crescido muito, diz Tadeu Viana, da divisão de comunicações corporativas da Siemens. Baseado em protocolos abertos (H323 e SIP), o equipamento pode ser usado na plataforma HiPath, da fabricante, como plugado em qualquer plataforma. De acordo com Viana, o volume de aparelhos vendidos tem crescido 10% ao mês. Em 2005, foram vendidos 8 mil terminais OptiPoint. Este ano, a previsão é triplicar esse número. O equipamento é importado da Alemanha, mas está em discussão sua montagem no Brasil. Quanto ao seu software é desenvolvido em vários centros Siemens, o de Curitiba entre eles. “Ainda é pequeno o volume de terminais IP nas mesas das empresas. Mas a boa notícia é que a demanda cresce rápido”, afirma Tadeu Viana.

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