A convergência traz a Oracle para o mundo de telecom


{mosimage}A Oracle não é a única empresa de TI que passou a oferecer produtos às operadoras de telecom. Nesse mercado, escolheu o segmento de mediação das redes, concentrando esforços para transformar em produto o conceito de plataforma de entrega de serviços (SDP). Para isso, recorre a aquisições de empresas cujas especialidades dão cada vez mais consistência à solução de telecom Oracle. É o que conta ao Tele.Síntese o vice-presidente da subsidiária brasileira, Gilson Magalhães.

O que vem primeiro, o ovo ou a galinha? Quando a convergência transforma (e transtorna) os negócios das empresas, a resposta a essa pergunta não tem a menor importância porque, na prática, as operadoras de telecomunicações podem estar se transformando em empresas de tecnologia, cujo caminho para produzir novas receitas com novos serviços está sendo desenvolvido pelo que se convencionava chamar de companhias de tecnologia da informação (TI). É o que argumenta o vice-presidente de vendas e de tecnologia para contas corporativas da Oracle do Brasil, Gilson Magalhães, em entrevista ao Tele.Síntese. Assim, por exemplo, a subsidiária está partindo, a convite, de uma requisição de informações da Brasil Telecom.

Um daqueles tradicionais provedores de equipamentos e sistemas de TI é a própria Oracle, historicamente conhecida como “a” fornecedora de bancos de dados (o que ainda é), que tem no seu sistema de planejamento de recursos para empresas (ERP, da sigla, em inglês) o seu produto mais importante, hoje. Mas a companhia está entrando “com os dois pés” no mercado de operadoras de telecomunicações. Pelas portas de seu banco de dados e de seus diversos sistemas de CRM (de gerenciamento de relações com clientes), sobretudo o de uma das empresas que comprou, a Siebel.

Mas, também, via aquisições feitas. Sejam quais forem as portas de entrada nos clientes telecom, a Oracle informa que provê tecnologia e aplicações a mais de 90% das empresas de comunicações do mundo, e que 17 entre as 20 companhias de comunicação mais lucrativas do mundo rodam aplicações Oracle. Além disso, suas aplicações de telecom Siebel acabaram se tornando padrão para as centrais de atendimento e atendimento ao cliente das operadoras de telecom.

Tele.Síntese – Como medir o peso de telecom no portifólio e no faturamento da Oracle e, especificamente, no Brasil?
Gilson Magalhães – Não posso falar em percentuais, mas posso dizer que telecom é uma das áreas mais importantes da empresa quando ela pensa em segmentos. Porém, a maior fonte de crescimento da companhia é o seu ERP (enterprise resources planning, sistema de planejamento de recursos para empresas), o segundo do ranking depois da SAP, e que consolidou bastante sua posição após as aquisições da PeopleSoft e da Siebel.

Tele.SínteseO que as empresas de telecom consomem de produtos Oracle?
Magalhães – Algumas usam o ERP, mas não muitas, porque o sistema dominante entre as telcos é o SAP, como se sabe. Mas elas consomem, principalmente, infra-estrutura, ou seja, banco de dados. Quando a gente fala em banco de dados, falamos também dos opcionais como criptografia, para segurança, ou particionamento, entre outros. Praticamente 100% das empresas de telecom no país usam essa infra-estrutura.

Tele.SínteseQuando falamos em telecom, estamos falando também das operadoras de cabo, dos provedores de serviços internet. Essas empresas também são usuárias Oracle?
Magalhães – Também. A maioria usa nosso banco de dados corporativo. E é a partir dessa base que construímos nossa pirâmide para cima. Ou seja, a gente comprou a ficha, estamos sentados à mesa junto às operadoras como um grande fornecedor de infra-estrutura, o que nos permite discutir o que vamos construir em cima, o prédio todo.

Tele.SíntesePode explicar melhor?
Magalhães – Por exemplo, estamos muito interessados em divulgar no Brasil uma oferta recente, um produto para SDP (service delivery platform, plataforma de entrega de serviços).

Tele.SínteseVocês estão participando dos pedidos de informações (RFIs, da sigla, em inglês) colocados na praça?
Magalhães – Estamos no RFI da Brasil Telecom. Fomos convidados. Em telecom, nosso produto principal é a SDP. Complementarmente, com a compra de algumas empresas, passamos a dispor de alternativas de software para atender à demanda do mercado de telecom.

Tele.SínteseQuais foram essas aquisições?
Magalhães – Uma das mais recentes, finalizada em julho do ano passado, foi a da Portal Software, especializada em sistemas de billing e gestão de faturamento. Todo mundo tem seu sistema de faturamento, mas o que queremos oferecer é um billing adequado às redes de nova geração, um sistema convergente. O que queremos com esse tipo de aquisição é complementar nossa solução de negócios para as operadoras.

Tele.SínteseQuem é usuário do billing convergente Oracle?
Magalhães – A Fastweb, operadora de banda larga da Itália, usa o sistema Portal Software há seis anos. Ele foi o escolhido porque permite flexibilizar as ofertas da empresa, sua política de descontos, hierarquização de pagamentos, promoções, empacotamento de serviços etc..

Tele.SínteseAfinal, o que seria a solução de negócios Oracle para telecom?
Magalhães – Um ambiente de solução tecnológica envolve, primeiro, um hardware potente, depois software, infra-estrutura para armazenar informações e, a partir disso, serviços em cima. Então, o que temos? Por exemplo, uma camada SOA (sigla em inglês de arquitetura baseada em serviços). Há uma tendência geral para reaproveitamento de códigos e, para isso, é necessário fazer desenvolvimentos com uma linguagem que permita criar componentes, que vão sendo agregados. Temos um software chamado Oracle Application Server, que hoje está dentro de uma solução mais ampla, o Fusion Middleware. São dois produtos: Oracle, banco de dados, e Fusion Middleware.

Tele.SínteseO que é o Fusion Middleware?
Magalhães – É um conjunto de módulos destinado à construção de uma segunda camada num ambiente de tecnologia, isto é, um servidor de aplicações web, toda a parte de mensageria, colaboração e por aí afora. Aqui, nessa plataforma de segundo nível, temos as soluções de software que permitem às operadoras implementar os aplicativos que queiram, com as novas tecnologias. Por exemplo, em Java J2EE. Aqui, você consegue ter a máquina que vai rodar o programa desenvolvido. Tudo feito nos princípios da SOA. Essa arquitetura é o nosso grande discurso. Nós queremos que as empresas migrem para esse ambiente. Essa segunda camada, sobre a qual serão colocados os serviços, está disponível em Oracle, que é justamente o Fusion Middleware, que atende à visão SOA para o desenvolvimento de novas aplicações.

Tele.SínteseEstamos falando de plataformas abertas, não?
Magalhães – Tudo aberto, exclusivamente aberto. Nada proprietário. Se o que compramos for, eventualmente, proprietário, é modificado. A visão de Larry Allison é que seja tudo aberto…

Tele.SínteseVoltando às ofertas Oracle, já chegamos ao topo da pirâmide?
Magalhães – Ainda não. Temos os OSS (Operational Support Systems, sistemas de suporte à operação), os BSS (Business Support Systems, sistemas de suporte aos negócios). Recentemente, anunciamos mais um componente do Fusion Middleware, o servidor de mobilidade (Oracle Communication and Mobility Server), que incorpora o protocolo SIP (Session Initiation Protocol) programável e servidor de aplicações de presença; proxy e serviços de registro; e um cliente soft phone VoIP baseado em SIP.

Tele.SínteseA essa altura do campeonato, você diria que o mundo telecom se informatizou?
Magalhães – É isso aí. Os serviços de uma operadora estão muito associados às nossas ofertas, à internet. Com essa aproximação, vamos aprender com o setor e ampliar nossas ofertas.

Tele.SínteseVocê mencionou outras compras. Quais foram?
Magalhães – Além da Portal, foram mais quatro aquisições, todas no ano passado. Em fevereiro, foi comprada a sueca HotSip, especializada em software para infra-estrutura de telecom e aplicações SIP para telefonia IP, indicador de presença, mensagens e conferência em redes convergentes. Em abril, além da Portal, foi comprada a norueguesa Net4Call, especializada na integração de sistemas legados na rede IP com gateways Parlay. Com essa aquisição, a Oracle deu mais um passo para transformar em produtos as plataformas de entrega de serviços da operadoras de telecom.

Tele.SínteseAs outras duas?
Magalhães – Em junho, veio a Telephony@Work, provedor de software para contact centers baseado em IP, expandindo a oferta de aplicações CRM Oracle. Em outubro, a MetaSolv Software, especializada em sistemas de suporte a operações de fulfillment.

Tele.SínteseE o que vem pela frente?
Magalhães – Estamos de olho na portabilidade numérica. Está em adiantada fase de desenvolvimento um software para garantir o gerenciamento da portabilidade, baseado em workflow Oracle.

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