A convergência e suas perspectivas


{mosimage}Para as operadoras brasileiras, é necessário adotar a flexibilidade como palavra de ordem. Os desafios são muitos, e incluem principalmente meios para adaptar o desempenho das redes às demandas dos usuários.

Após anos de promessas, a convergência assume aos poucos seu papel nas telecomunicações. Por um lado, graças à demanda do mercado por novos serviços; e por outro, pela presença cada vez mais intensa de VoIP e wireless de próxima geração no segmento. Quais são, então, as tecnologias disponíveis até agora para os consumidores finais, e o que podemos esperar de inovações para os próximos anos?

O que podemos constatar é que cada vez mais as empresas e consumidores finais buscam minimizar seus gastos ao utilizar diversas mídias por meio de um dispositivo único Hoje, soluções como EV-DO possibilitam o acesso a Internet via telefone celular, enquanto empresas adquirem telefones inteligentes aos invés de laptops, como forma de economizar recursos com seus funcionários.

Outros exemplos podem ser vistos no mercado norte-americano, onde quase todas as grandes operadoras oferecem serviços de voz baseados em Internet. Até mesmo companhias como Google, América On Line, Ebay e Microsoft estão apostando nesse mercado. A expectativa é que, até 2008, cerca de 17 milhões de norte-americanos utilizem serviços telefônicos por meio de conexões da Internet. Já na Europa, segundo a consultoria de telecom norte-americana Ovum, um em cada seis assinantes de telefonia móvel serão usuários da tecnologia 3G até 2006. 

É, portanto, cada vez mais inevitável considerar as soluções baseadas em VoIP, e conseqüentemente, a convergência, como meios fundamentais para conduzir as comunicações neste início de século XXI. Para as operadoras brasileiras, é necessário adotar a flexibilidade como palavra de ordem. Os desafios são muitos, e incluem principalmente meios para adaptar o desempenho das redes às demandas dos usuários. Outras questões têm relação com o suporte a diversos serviços e à convergência entre voz e dados de maneira transparente.

Equação

O elemento mais relevante nesta equação é que as empresas possam manter seus investimentos, de forma que os impactos nos sistemas sejam mínimos. Nesse sentido, muito tem se falado sobre IMS – IP Multimedia Subsystem – estrutura que permite às operadoras fixas, móveis e a cabo oferecer uma nova geração de serviços de voz, vídeo e multimídia em qualquer tipo de rede. O sistema possibilita suplantar o modo como são oferecidas as soluções por parte das empresas, tradicionalmente sem escalabilidade, para novos aplicativos com perfis diferentes, por exemplo.

O IMS permite a criação rápida de serviços por meio de elementos reutilizáveis, encurtando assim o tempo para as operadoras lançarem novos aplicativos. Na parte móvel, os primeiros serviços IMS a serem implementados provavelmente serão push-to-talk,  gaming, streaming etc, tipicamente focados no consumidor residencial. No futuro, os aplicativos devem ser voltados também para o segmento empresarial. Já no segmento de telefonia fixa, existem aplicativos como IP Centrex, que serão sucedidos por outros, como telefones com vídeo sobre IP e jogos interativos. 

A diferença fundamental do IMS nesse quadro é o fato desta tecnologia ser aplicada horizontalmente (arquitetura estruturada e protocolos comuns a todas as aplicações), ao contrário das tradicionais, que são verticais (cada aplicação tem sua própria arquitetura / protocolos). Por conta disso, esta arquitetura permite que as operadoras construam seus próprios serviços ou combinações de aplicativos, sempre reutilizando a mesma estrutura ou arquitetura de rede. Trata-se, portanto, da real possibilidade da convergência total de serviços, em qualquer tipo de acesso – fixo, móvel ou cabo -, e para qualquer tipo de tráfego – voz, dados e multímida.

Do ponto de vista regulatório, a Anatel entende que existem precedentes positivos para a adoção do IMS. Em recente debate realizado pela Tekelec a respeito da convergência nas telecomunicações, a Agência Nacional de Telecomunicações colocou-se a favor da implementação da tecnologia, pois entende que a arquitetura atende às características regulatórias determinadas para o estabelecimento de serviços telefônicos de qualidade no Brasil. Entre os itens exigidos pela Anatel, estão a segurança e integridade da solução, a qualidade do serviço e a ordem e necessidades econômicas – determinadas pela demanda de mercado.

Portanto, as possibilidades para a criação e implementação de novas tecnologias convergentes são variadas e plausíveis, graças a avanços concretos no segmento das telecomunicações. Não se sabe ainda quais serão as novas soluções que as operadoras oferecerão para os usuários em 2006, mas é certo que os caminhos para que as inovações ocorram está aberto.


Paulo Henrique Souza, diretor comercial da Tekelec do Brasil 

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