A civilidade na internet nunca teve níveis tão baixos


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Hoje é o Dia Mundial da Internet Segura, um evento global criado para levar as pessoas a refletirem sobre seus hábitos digitais. Para aproveitar a efeméride, a Microsoft divulgou os resultados de uma pesquisa anual que busca medir o tamanho da civilidade online. Sim, o trabalho tenta mensurar o quanto as pessoas se expressam de forma agressiva (inicivilizada) ou positiva (civilizada) no ambiente digital. E os dados colhidos não são nada bons.

A métrica usada para isso é o Índice de Cidadania Digital. Conforme a empresa, este índice subiu para 70% no último ano, a maior classificação de falta de civilidade desde o início da pesquisa em 2016. Quanto mais próximo de 100%, maior o índice de incivilidade. Quanto mais baixo, mais civilizado é o debate online.

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A pesquisa ouviu adolescentes (13 a 17 anos) e adultos (18 a 74 anos) em 25 países, em maio de 2019. Foram realizadas perguntas como “quais riscos online você e seu círculo de pessoas próximas já vivenciaram, quando e com que frequência tais riscos ocorreram, e quais consequências e ações foram tomadas?”. Também mediu-se a exposição dos entrevistados a 21 riscos em quatro áreas: comportamental, reputacional, sexual e pessoal/intrusiva. Em escala global, o DCI revelou que a exposição a riscos online aumentou significativamente, principalmente nas seguintes áreas: 1) contato indesejado, 2) farsas/fraudes/golpes, 3) sexting indesejado, 4) tratamento maldoso e 5) trollagens.

Segundo 31% dos entrevistados, a aparência física e a política são os principais motivos para a falta de civilidade online, seguidas de orientação sexual (30%), religião (26%) e raça (25%). Em termos do local onde esse comportamento ocorre, dois terços (66%) afirmaram que as redes sociais são o fórum mais frequente para a falta de civilidade online.

O Reino Unido está no topo do Índice de Cidadania Digital durante três dos últimos quatro anos. No entanto, o país teve um aumento da incivilidade online (52%), percentual superior ao seu maior pico de 45% em 2016. A Holanda estreou em segundo lugar, com 56%, seguida da Alemanha (58%), Malásia (59%) e os Estados Unidos (60%).

Os países com os menores níveis de civilidade digital foram Colômbia (80%), Peru (81%) e África do Sul (83%), marcando a primeira vez que países atingem uma marca superior a 80%.

Brasil mal na foto

O índice brasileiro foi de 72%, um pouco melhor que Argentina (76%), Chile (75%) e México (75%). O número é também superior média global e dois pontos acima do registrado em 2018. Ou seja, a incivilidade por estas bandas cresceu. Com isso, passamos a ser o 15º país na lista dos 25 analisados – o primeiro, o Reino Unido, é o mais civilizado na inernet.

O estudo, que entrevistou 502 brasileiros, com idades entre 13 e 74 anos, mostra que os principais riscos são contatos indesejáveis (42%), sexting indesejado (26%), farsas/fraudes/golpes (24%), assédio moral (24%) e assédio sexual (22%).

Entre os temas que mais geraram conflitos na internet entre os brasileiros, estão: política (53%), orientação sexual (34%), religião (33%), aparência física (30%) e raça (29%).

A relação com a internet entre os brasileiros revelou que os millennials (82%) compõem o maior grupo de risco entre os adultos. Dentre os jovens, 71% deles já vivenciaram um risco online, sendo que 78% sofreram com as consequências por conta dos riscos aos quais foram expostos. No entanto, apenas 48% deles pediram ajuda para os pais, e outros 63% afirmaram saber onde encontrar ajuda.

Quanto à expectativa de mudança, 69% dos entrevistados acreditam que empresas de tecnologia e social media criarão ferramentas e políticas que encorajarão um comportamento online mais respeitável e civil.

Combate à incivilidade digital

Para lidar e combater esse mal moderno, a Microsoft propõe que os usuários adotem quatro posturas no cotidiano da internet:

  1. Viva a Regra de Ouro agindo com empatia, compaixão e bondade em todas as interações, e trate todos com quem você se conecta online com dignidade e respeito.
  2. Respeite as diferenças, honre perspectivas diversas e quando as discordâncias surgirem, envolvam-se cuidadosamente e evitem xingamentos e ataques pessoais.
  3. Reflita antes de responder a coisas que você discorda, e não poste ou envie algo que possa machucar outra pessoa, danificar uma reputação ou ameaçar a segurança de alguém.
  4. Defenda você mesmo e os outros apoiando aqueles que são alvos de abuso ou crueldade, relatando atividades agressivas e guardando evidências de comportamento inadequado ou inseguro.
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