“A 5G ainda não está madura”, diz Panos Dallas, da Intracom


Coordenador global de vendas de sistemas wireless da Intracom Telecom, que tem entre seus focos de atuação a comunicação fixo-wireless, o engenheiro Panagiotis Dallas diz que a 5G é um grande guarda-chuva de tecnologias, onde o que está pronto é a parte de acesso.

Ao contrário dos fabricantes de redes de acesso 5G que apostam que as operações comerciais vão começar a rodar a partir do final deste ano e ao longo de 2019 nos Estados Unidos e em países da Europa e da Ásia já a pleno vapor, Panagiotis Dallas, coordenador geral de vendas da Intracom Telecom, fabricante grega de sistemas de comunicação — entre eles, sistema de acesso fixo-wireless —vê esses projetos com cautela. Ele acha que são apenas pilotos, com operações limitadas a áreas densamente povoadas, porque a tecnologia ainda não está madura.

“Há muito a ser desenvolvido na parte da rede. A parte de acesso está pronta. Não o lado da rede.” O que as operadoras que estão lançando redes 5G oferecem a seus clientes são velocidades de 1 Gbps, mas ainda os mesmos serviços das redes 4G, observa.

Panos Dallas falou sobre o ambiente 5G e a comunicação fixo-móvel durante o Furukawa Summit, que aconteceu em Comandatuba, Bahia, entre os dias 26 e 29 de setembro. Sua visão é de que 5G não é apenas mais um G, mas um guarda-chuva que envolve várias tecnologias onde o acesso é apenas uma parte do modelo. “Tem toda a parte da rede, dos novos serviços, da Internet das Coisas, do acesso fixo-móvel”, disse ele. Por isso, acredita para se ter redes 5G de forma passiva, com terminais acessíveis e serviços, vamos ter pela frente mais quatro ou cinco anos.

Tele.Síntese – Por que o senhor considera que a 5G ainda não está madura?
Panos Dallas – É um problema de maturidade da própria tecnologia. O release 15 da 3GPP foi publicado em dezembro de 2017. O próximo será publicado provavelmente em dezembro de 2019. Normalmente, todos os standards precisam de dois, três anos para ser lançados comercialmente. Isso significa que ele só estará pronto em 2022. Isto é uma coisa. Outra é a realidade. É muito difícil, mesmo no próximo ano, se ter os terminais móveis standards. A disponibilidade de terminais em massa só vai ocorrer em 2020 ou em 2021, 2022. Mais importante do que isso, 5G não é só acesso. É também rede. E os componentes da rede foram esquecidos pelo mercado. E eles demandam de dois a três anos para serem desenvolvidos. Nesse período podemos ter pilotos, mas não redes de 5G para atendimento em massa.

Tele.Síntese – Quais as tecnologias da rede 5G que ainda não estão prontas, fora da rede de acesso?
Panos Dallas – O 5G é um guarda chuva de redes, de serviços. Discutir 5G só como rádio é um aproach errado. Porque o 5G não é mais um G. Não é o 4G com mais capacidade. A parte mais importante é a parte da rede. Sim, temos alguns pilotos com interfaces de rede, mas falta escala. Hoje continua se discutindo 5G só como acesso, mas não como rede e serviços. É preciso tempo para desenvolver todos esses novos conceitos como o de fatiamento da rede, da auto-organização da rede.

Tele.Síntese – Uma das características importantes da 5G é o fatiamento da rede? O que isso significa na prática?
Panos Dallas – É a capacidade da rede de criar múltiplas fatias, uma para cada serviço, como se fossem várias redes dentro de uma só. Essa parte do desenvolvimento da 5G está mais atrasada porque é muito complexa, exige virtualização, redes auto-organizadas,como SDN (Self Defined Network). São tecnologias muito recentes. Só agora estão sendo implementadas pelas empresas. A VMware introduziu a tecnologia de fatiamento de rede há dois anos. É preciso mais algum tempo para que esse desenvolvimento amadureça. Estamos falando de 2020.

Tele.Síntese – O senhor mencionou em sua palestra que a 5G tem problemas de interoperabilidade com terminais. É isso?
Panos Dallas – O 5G é interoperável. Mas são vários níveis. É interoperável em nível dos terminais móveis. Mas do acesso fixo-móvel ele não funciona. Porque demanda uma configuração especial, porque o aceso fixo-móvel é totalmente diferente do móvel. Isso não quer dizer que não vai ser interoperável em 2025, 2030. Estou dizendo que hoje não é, porque o standard não está pronto e a implementação do MIMO depende do fabricante. Não é interoperável por uma questão de protocolo e de tecnologia.

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