700 MHz: instalação de filtros nas TVs pode custar bilhões, alerta Abratel


O presidente da Abratel (entidade que congrega  emissoras de TV, entre elas, a Rede Record), Luiz Cláudio Costa, afirmou hoje que  todas as TVs brasileiras estão sujeitas à interferência, quando houver o ingresso da banda larga móvel na faixa de 700 MHz, que  deverá ser leiloada pelo governo em agosto deste ano. Conforme o executivo,  no Japão, o primeiro país a implementar a TV digital com igual padrão ao nipo-brasileiro, foram gastos US$ 3 bilhões com a fabricação e instalação dos filtros necessários para evitar a interferência entre os serviços.

 

A secretária de Comunicação Eletrônica do Ministério das Comunicações, Patricia Ávila, afirmou que o governo entende ser precipitado tentar calcular qual é o impacto das interferências, sem saber exatamente que tipo de interferência ocorre. “Temos estudos que indicam que a TV interfere no celular e outros que dizem o contrário. Precisamos aguardar a conclusão dos testes da Anatel para, então, diante do problema concreto, pensar como resolver”, completou.

 

Segundo Costa, nem mesmo os clientes de TV paga ficam imunes à interferência dos canais de TV aberta. Isto porque, explicou, principalmente nos serviços de DTH oferecidos pela Sky, o conversor que capta os sinais de TV aberta via radiofrequência, inclusive a de 700 Mhz. O executivo defende ainda o ressarcimento das emissoras de TV digital – e não apenas as analógicas – que terão que ser remanejadas. “Por enquanto, há ainda muito laboratório e pouca prática”, lamentou. O executivo participa do 36º Encontro Tele.Síntese. 

Destinação não está consumada

A destinação da faixa de 700 MHz e o desligamento do sinal analógico definirão o futuro da TV aberta e, por isso, para os radiodifusores, o leilão da frequência para banda larga móvel não é um fato consumado. Foi o que afirmou o presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Daniel Slavieiro. “Estamos no meio de um processo e existem compromissos do governo de acomodar todos os canais existentes”, afirmou.

Slavieiro disse que o ponto principal do processo está no grau de interferência entre os dois serviços, por isso o resultado dos testes práticos, que estão sendo realizados em Pirenópolis, são de extrema importância. “Os resultados serão decisivos para apontar os próximos passos”, disse.  O presidente da Abert disse que é preciso que todos os custos estejam cristalizados no edital, para evitar surpresas tanto para os radiodifusores como para as operadoras de telecomunicações.

 

Com relação ao desligamento, a preocupação da Abert é com a cobertura, se haverá televisores ou conversores para todos os cidadãos. “Nós precisamos de frequência para crescer, para evoluir”, disse Slavieiro. Ele afirmou que até o presente momento, todos os compromissos assumidos pelo MiniCom e pela Anatel com os radiodifusores estão sendo cumpridos.

Cronogramas

O Ministério das Comunicações somente divulgará o cronograma de desligamento escalonado da TV digital quando for concluído o replanejamento dos canais, em andamento na Anatel. Junto com o cronograma, virá também o plano de subsídios para garantir a recepção do sinal digital para todos os brasileiros. A expectativa é de que isso ocorra em março, disse a secretária de Serviços de Comunicações Eletrônicas do Ministério das Comunicações, Patrícia Ávila.

 

Segundo a secretária, até 2013 foram digitalizados quatro mil canais, que representam menos de 50% das emissoras em atividade.  Mas avisou que deve concluir a consignação de todos os canais digitais até 2016, quando terá iniciado o desligamento escalonado do sinal analógico. “Tudo depende do replanejamento dos canais”, disse Patrícia.

Patrícia adiantou que nos próximos dias o MiniCom vai publicar nova portaria da TV digital, permitindo que as emissoras coloquem reforçadores no entorno protegido da banda. O controle será feito a posteriori pelo ministério, para evitar interferências entre canais. Outro ponto da nova norma será dispensar as retransmissoras de licitação pública por impossibilidade técnica de competição.

Sobre o subsídio para aparelhos, Patrícia disse que várias alternativas estão sendo estudadas. Paralelamente, o ministério está acompanhando o mercado de venda de televisores de  tela plana. Segundo a indústria espera vender, só este ano, 25 mil novas TVs por causa da Copa do Mundo.

 ( Da Redaçao)

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