Comissário europeu defende uso especializado da rede


Conceito lançado na edição 2014 do Mobile World Congress, o 5G começa a ganhar contornos neste ano, e já promete gerar muito debate regulatório. Hoje (3) o comissário europeu para a economia digital, Günther Oettinger,  abriu o dia de apresentações em Barcelona, tratando o 5G como uma oportunidade imperdível para as operadoras.

Ele enxerga, como Michel Combes, da Alcatel-Lucent, a possibilidade de diferenciação de serviços, o que pode desagradar os defensores da neutralidade de rede. “O 5G deve permitir ao setor que se reinvente, fazendo com que ofereça novos serviços. Garantindo que carros se conectem, ou que a telemedicina seja usada. Por isso precisamos de regras para a neutralidade, para que serviços especializados floresçam”, disse.

Segundo ele, o 5G estará funcionando em partes da Europa já em 2020. Em 2016, deve ter início a padronização. Oettinger também lançou oficialmente hoje a 5G-Infraestruture PPP, uma parceria público privada com fabricantes da Europa e da Ásia para o desenvolvimento da próxima geração de redes sem fio. Participam Alcatel-Lucent, NTT Docomo, Nokia, Orange, Intel, Huawei, entre outros.

A iniciativa prevê investimentos de ao menos 1,4 bilhão de euros nos próximos anos para pesquisa e padronização das tecnologias em que o 5G será baseado. A visão europeia é que a velocidade da rede seja multiplicada entre 10 e 100 vezes, que haja uma redução do uso de energia em 90%, e que sejam usadas frequências altas, acima dos 6 GHz.

Mas se é para usar mais espectro, os fornecedores de infraestrutura perguntam porque não liberar tudo de uma vez. Ken Hu, CEO da Huawei, ressaltou que o 5G precisará ter acesso a todas as faixas, partindo dos 100 MHz e chegando aos 10 GHz. “Enquanto o 3G permitia centenas de conexões em uma ERB, o 4G, milhares, o 5G permitirá milhões”, afirmou.

Outro asiático, Chang-Gyu Hwang, CEO da Korea Telekom, também abusou de superlativos ao apresentar as possibilidades do 5G. E prometeu que a Coreia será o primeiro país a ter uma rede dentro destas especificações. “Em 2018 organizaremos os primeiros Jogos Olímpicos de Inverno com cobertura 5G”, falou.

Em sua visão, o 5G oferecerá carros conectados, dentro dos quais será possível fazer videoconferências. Os celulares e dispositivos ainda não inventados vão oferecer transmissão de conteúdos imersivos tridimensionais, holográficos e que mais for possível. “Podem as redes de hoje lidar com isso? Definitivamente, não”, resumiu.

Steve Mollenkopf, CEO Qualcomm, remeteu ao colega da Huawei. Também defendeu uso ilimitado das frequências existentes. “Não poderemos segregar um serviço em faixas de espectro. O 5G terá que decidir por si, mudando o espectro usado conforme a necessidade”, disse.

Ele reconhece que um conceito assim vai precisar de reformulação das leis em quase todo o mundo. “Vai impactar as agências regulatórias. E se elas não definirem a questão da forma correta, podem frear os investimentos em inovação”, falou. Segundo ele, A indústria de telecomunicações deve ter um capex de US$ 4 trilhões nos próximos cinco anos, apenas para desenvolver e implementar o 5G.

O CEO da Nokia, Rajiiv Suri, também exerga a regulação como um desafio, e cobrou flexibilidade no que tange à neutralidade. “Uma conexão com latência de 1 ms e neutralidade de rede não funcionam juntos. As operadoras precisarão oferecer diferenciação, onde quem pagar mais terá mais qualidade de serviço. Pensando no longo prazo, a neutralidade de rede precisa mudar se quisermos oferecer conectividade e segurança de máxima qualidade”, falou.

A rede que virá
Também hoje, a Next Generation Mobile Networks (NGMN), organização que reúne operadoras e fornecedores de infraestrutura, publicou um relatório contendo exemplos de aplicações para a rede de quinta geração, e buscando antecipar algumas das características dessas redes. Em banda larga, a proposta é que haja conetividade de do mínimo 50 Mbps em todos os terminais, inclusive com o usuário em alta velocidade (em um trem, por exemplo). Deverá ter capacidade para milhões de conexões M2M, sensores e videomonitoramento, entre outras coisas. O documento, de 125 páginas, pode ser acessado aqui.

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