59% dos brasileiros desconfiam da eficácia da LGPD para proteger seus dados


59% dos brasileiros desconfiam da eficácia da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) para proteger as informações pessoais mantidas por empresas e governos, de acordo com os resultados da 14a edição da pesquisa Unisys Security Index de 2019. Para 69% dos entrevistados, ter um registro de identificação unificado (DN) beneficiará a segurança dos dados pessoais. O estudo ouviu 13.600 mil consumidores em 13 países – no Brasil foram mais de mil respondentes – durante o período de fevereiro a abril deste ano.

A pesquisa aponta ainda que a percepção de insegurança entre as brasileiros cresceu cinco pontos, desde 2018, e atingiu o índice mais elevado dos últimos cinco anos: 190 pontos, bem acima da média da Colômbia, México e Chile. O fato é que 9 milhões de cidadãos no país já sofreram ou conhecem alguém que tenha passado por um tipo de ameaça cibernética.

A América Latina destaca-se como uma das regiões que mais preza pela questão de segurança. “Porém, diferente das edições anteriores, nunca tivemos um índice tão alto de insegurança da informação. A cada seis segundos há um problema on-line”, explica Eduardo Almeida, presidente da Unisys para América Latina. Segundo ele, esses resultados enfatizam que a proteção de dados ainda não é uma questão estabelecida no país e que precisa ser pensada por governos, empresas e consumidores.

Roubo de identidade: o temor

A pesquisa mostra que a sensação de insegurança está aumentando no Brasil dentro das quatro áreas analisadas:  segurança nacional, financeira, na internet e pessoal. Os e-mails com spam e golpes (phishing) foram os mais citados entre os entrevistados brasileiros, com 54% e 42%, respectivamente. Em seguida, constam fraude com cartão bancário (39%), mensagens falsas no WhatsApp (36%) e roubo de identidade (19%).

Esse alto índice de ocorrências reflete a preocupação do brasileiro com roubo de identidade e fraudes bancárias, com 76% e 75% dos entrevistados apontando estar muito ou extremamente incomodados com esses temas, respectivamente. A maioria dos participantes relatou também ansiedade com ataques de hackers e vírus cibernéticos (69%) e com a segurança nas compras online (65%).

Diante desse cenário, Fábio Abatepaulo, diretor de transformação digital da Unisys, chama a atenção para a importância dos usuários ficarem atentos às constantes atualizações do software de computadores e dispositivos, sempre que solicitadas. Dessa forma evitam possíveis ataques de hackers, que estão sempre rastreando esse tipo de presa para atacar.

Na nuvem

Os números mostram que a barreira do consumidor final com a nuvem caiu:  29% dos entrevistados confiam na segurança das informações hospedadas na nuvem, contra 28% que desconfiam. No entanto, as operações em cloud têm sido motivo de inquietação no mercado corporativo. “A grande preocupação das empresas hoje é contar com uma equipe que seja capaz de gerenciar a complexidade do ambiente tecnológico na nuvem e garantir que a comunicação ocorra de forma segura”, afirma Almeida.

O resultado da pesquisa leva a refletir sobre a importância da segurança, que deve passar a ser vista e tratada como investimento e não como custo, como é considerada hoje. O orçamento para segurança da informação nas empresas, por exemplo, não vem mais de TI, como no passado, mas das áreas de negócios. Isso porque o escopo da segurança  transcende ao aspecto do produto tecnológico em si, vai além do aspecto da auditoria e consultoria.

Anterior Governo de Brasília faz projeto para liberar antenas de celular em áreas privadas
Próximos Abert e Abratel "repudiam" cautelar da Anatel contra a Fox