4G Americas defende canalização asiática para LTE na faixa de 700 MHz no Brasil


O diretor para América Latina e Caribe da 4G Americas, Erasmo Rojas, disse nesta terça-feira (8), em entrevista ao Tele.Síntese, que o governo brasileiro terá muito trabalho pela frente antes de licitar a faixa de 700 MHz para a banda larga móvel, usando a tecnologia LTE (Long Term Evolution). Ele defende que sejam definidas regras claras para a frequência, se será somente destinada ao SMP ou também abrigará outros serviços, como os de radiodifusão ou de segurança pública. E quantos players poderão atuar na faixa que, se for completamente limpa, terá 90 MHz.

Rojas, que teve acesso ao estudo da Anatel sobre a destinação da faixa, disse que o país não precisa esperar o desligamento total da TV analógica para destinar a frequência de 700 MHz para a 4G. “Pelo estudo, das 23 regiões metropolitanas do país analisadas, sete já teriam condições de usar essa faixa, melhorando a cobertura e penetração do sinal da banda larga móvel ultrarrápida nos grandes centros e até nas zonas rurais”, disse.

Outras decisões importantes, na opinião do Rojas, é a destinação do dividendo digital para outros serviços e a opção de canalização da frequência. “Com a faixa limpa, ficarão 90 MHz que poderão ser divididos em cinco blocos, quatro de 10+10 e um de 5+5, atendendo a cinco operadoras, nos moldes da canalização adotada na Ásia, que parece ter a preferência da agência”, disse. Mas ele observa que esta divisão, embora incentive a competição, torna menos eficiente o uso do espectro. “O ideal seria a divisão em três blocos de 15+15”, defende.

O diretor da 4G Americas disse que o Chile já programou a licitação da faixa de 700 MHz para o segundo semestre deste ano e deve adotar a canalização asiática. Ele disse que, até o momento, não existem equipamentos para esse tipo de arranjo, já que os Estados Unidos usam outro tipo de canalização há dois anos e todos os terminais do mercado segue o arranjo norte-americano. Mas disse que essa questão se resolverá em menos de um ano, com a implantação de outras redes de LTE na faixa com o outro tipo de canalização. Rojas explica que os EUA adotaram arranjo diferente porque destina uma parte da frequência para serviços de segurança pública.

No Caribe, Porto Rico e Antigua e Barbuda já destinaram a faixa de 700 MHz para a LTE, mas seguiram o modelo de canalização dos EUA. Assim como a Bolívia, na América Latina, que licitou a frequência no final de 2012. Nesse modelo, os blocos são de 10+10 e 12+12.

2,5 GHz

Rojas disse que a posição que o Brasil adotar servirá para alavancar a produção e venda de aparelhos na América Latina que, até hoje, detém apenas 100 mil assinantes da 4G nas redes de 2,5 GHz já implantadas na região. “A rede brasileira de 2,5 GHz, que estará em funcionamento este ano nas cidades-sede da Copa das Confederações, será o primeiro negócio em grande escala na América Latina”, avalia.

No mundo, os assinantes da tecnologia 4G chegam a 60 milhões, sendo metade deles dos Estados Unidos e outros 28 milhões dos países da Ásia e do Pacífico.

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