4G Americas defende o fim da TV analógica para liberar a 700 MHz para LTE


“Não acredito que o governo vá esperar até 2016 para ver o que faz com a frequência de 700MHz. Ela é ideal para fazer a cobertura rural exigida no edital da Anatel, já que a faixa de 450 MHz não é uma solução viável por não ter escala para redes móveis. Não existe nenhuma rede comercial no mundo que a utilize”, resume Erasmo Rojas, diretor para América Latina e Caribe da 4G Americas, em  entrevista dada hoje (13) para o Tele.Síntese. “A solução seria a antecipação do apagão analógico em algumas áreas rurais, ou o uso compartilhado, pelas operadoras e pela televisão analógica, da frequência de 700 MHz, nos locais onde o número de canais for pequeno e houver muito espectro subutilizado”, sugere.

Mesmo considerando a escolha apenas da faixa de 2,5 GHz para a 4G inadequada, Rojas afirma que na América Latina, a Colômbia e o Uruguai já operam com sucesso desde dezembro do ano passado redes LTE nesta frequência. “Obviamente eles não têm os mesmos prazos apertados nem os compromissos de abrangência que o Brasil tem em função dos eventos esportivos que serão realizados aqui”, explica. “Porém, as operadoras do país precisam ver que o LTE sozinho não é a solução. Elas precisam investir em HSPA+ e suas evoluções, já que esse investimento – em backhaul e backbone – beneficiará também suas redes LTE. A diferença para o consumidor entre a experiência de uma rede HSPA+ moderna e os primórdios da 4G no país será muito pequena”.

Para Rojas, a aposta no HSPA+ é fundamental não apenas pela infraestrutura compartilhada com a 4G, mas também para garantir ao usuário que seu acesso à internet mantenha um padrão de qualidade alto mesmo quando alternando entre as duas redes. “O consumidor não pode sentir uma mudança drástica e negativa na sua experiência de navegação quando andar de uma região com cobertura 4G para uma com 3G”, explica. Dessa forma, o HSPA+ serviria como amparo para possíveis quedas de sinal e deficiências de cobertura das operadoras.

A falta de aparelhos com suporte para LTE, apontada pelas operadoras como sendo o maior entrave para a massificação da tecnologia no Brasil, é secundária para o executivo. “Quando o 3G foi lançado também havia uma disparidade gigantesca entre a pequena quantidade de telefones com esta tecnologia e o enorme número de aparelhos para o sistema dominante na época, o 2G”, diz. “Um mercado consumidor ávido por novas tecnologias como o brasileiro certamente vai atrair muitas empresas e investidores dispostos a resolver este déficit de equipamentos. Não será um problema”.

LTE em abril de 2013?

Rojas mostrou surpresa com a exigência, no edital da Anatel, para que seis cidades brasileiras operem com redes LTE já em abril de 2013. “O leilão será apenas em junho. Vamos lembrar que entre o término do leilão do 3G e a assinatura do contrato com as operadoras se passaram até cinco meses. Levemos em conta ainda o prazo dos pedidos de desoneração de impostos sobre a construção de redes que as operadoras vão ter que cadastrar no MiniCom”, argumenta. “Estamos falando na construção de uma rede 4G em seis cidades de grande porte num prazo que pode chegar a apenas três ou quatro meses. Isso só será viável se o governo agilizar muito os seus prazos internos de análises de contrato e outras burocracias”.

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